The Naked And Famous - In Rolling Waves

The Naked And Famous
In Rolling Waves

Somewhat Damaged

Lançamento: 13/09/13

Os neozelandeses do The Naked And Famous ganharam notoriedade com seu ótimo disco de estreia de 2010, Passive Me, Agressive You, cujo título legal era apenas uma de suas inúmeras qualidades. Com uma sonoridade eletrônica temperada pelos belos vocais em dupla do casal Alisa Xayalith e Thom Powers, uma mixagem densa que parecia querer saltar dos alto-falantes e um monte de batidas dançantes, o álbum parecia ter sido gravado pelos filhos jovens e baladeiros dos membros do Young Galaxy e lembrava os melhores momentos do Primal Scream. Mas além disso, o grupo conseguia compor canções concisas e belas melodias, o que fica evidente pelo lindo cover tranquilo que a Birdy fez da “Young Blood”, uma das melhores faixas daquele álbum. Em In Rolling Waves, seu sucessor, a banda diminui um pouco o volume e o andamento de suas canções, e embora ainda retenha a mesma qualidade de composição que seu antecessor nos levou a esperar, não consegue evitar algumas das armadilhas em que geralmente caem as bandas que, depois de ficarem famosas com músicas animadas, buscam uma direção mais séria.

Muitas das principais mudanças no som aparecem já na primeira faixa, “A Stillness”. Ela é guiada quase o tempo todo por um violão, o que já contrasta um pouco com a sonoridade quase totalmente eletrônica do disco anterior; sua mixagem tem muito mais “espaço”, e é possível ouvir com mais clareza os instrumentos individuais. Mais notavelmente, porém, ela emprega uma estratégia de composição que retorna com muita frequência ao longo do álbum: ela começa baixinha, apresenta suas melodias e, depois, vai crescendo em volume. Apenas no último de seus cinco minutos é que ela realmente se torna completa, quando entra uma levada dançante de bateria.

Há, no entanto, uma mudança ainda mais marcante, que só começa a ficar aparente na terceira faixa, mas que praticamente domina o disco daí pra frente: uma postura mais séria, sóbria e “madura”, que se traduz em faixas menos animadas, vocais que soam frágeis e sensíveis e certa melancolia e pessimismo nas letras e melodias. Essa terceira canção, a maravilhosa “Waltz”, incorpora essa seriedade à sonoridade mais dançante do primeiro álbum, e o resultado é incrível. Xayalith e Powers lembram os Eurythmics quando cantam juntos a bela e resignada letra do refrão: “but you watch with the eyes and the jaws of a boy who is never gonna come unstuck”, e logo em seguida a música é coroada com uma melodia excelente de sintetizador, boa tanto pelas notas quanto pelo som que as toca.

Infelizmente, ela é uma das poucas canções em que a banda consegue valorizar essa recém-incorporada sisudez. Na maioria das outras, os andamentos mais lentos e o clima mais soturno acabam pesando demais. É o que quase acontece em “The Mess”, que ameaça ser uma cançãozinha pop meio água com açúcar até que sua segunda metade mais vigorosa recupera a atenção do ouvinte; é o que acontece de fato em “Grow Old”, uma faixa que, apesar de sua beleza e sensibilidade, se arrasta por seis minutos e meio de um andamento bem lento sem grandes surpresas. Esses dois momentos mais o suave interlúdio “Golden Girl” formam um abismo de treze minutos no meio do disco que mata totalmente seu ritmo. Mas felizmente, depois delas as ótimas “I Kill Giants” e “What We Want” injetam novamente ânimo à audição. A segunda, que também traz um violão em posição central, é uma canção pop que lembra as mais grudentas e inspiradas do Roxette, ainda mais pelos belos vocais harmonizados de seu refrão.

Em seguida, ainda há três músicas antes do fim do álbum, mas elas oferecem poucas surpresas. “We Are Leaving” combina vocais delicados de Xayalith com uma batida de sonoridade quase tribal da bateria de Jesse Wood, que ajuda a faixa a escapar (por pouco) da melancolia penosa que compõe os momentos menos efetivos do disco. “To Move With Purpose” emprega, assim como muitas das anteriores, a mesma estratégia já mencionada de expor suas melodias em volume baixo e, depois, aumentar o volume. Assim acontece também na lenta “A Small Reunion” que fecha a audição, e quando o álbum chega nela, essa técnica já está tão previsível que nem o belo violino salva a faixa. O abuso dessa técnica é ainda mais lamentável porque, nas melhores faixas, como as já citadas “Waltz”, “A Stillness”, o single “Hearts Like Ours” e a faixa-título, a banda mostra que consegue acrescentar novos instrumentos, melodias e às vezes até acordes para manter a segunda metade das canções interessantes. Sem isso, aumentando simplesmente o volume, as canções até crescem, mas não se desenvolvem além do segundo refrão.

Não faltam belas e bem construídas canções em In Rolling Waves. O violino já mencionado da “A Small Reunion” realmente é bonito, assim como a briga de casal que os cantores interpretam em “The Mess” é tocante. Mas vindo da banda que produziu o intenso Passive Me, Agressive You, e que já mostrou que sabe inserir emoção nas suas faixas dançantes sem perder o ímpeto, esse segundo disco é um pouco decepcionante. A fartura de melodias do disco de estreia leva a suspeitar que talvez um prazo demasiadamente apertado, ou algum evento difícil na vida dos membros da banda, tenha impedido que essas faixas recebessem a mesma dedicação e cuidado que as do outro álbum receberam. Se a ideia de ver o lado sensível e tristonho do The Naked And Famous parece agradável, In Rolling Waves é exatamente o que você procura. Se, por outro lado, você queria algo mais da energia do álbum de estreia do grupo, é mais provável que você se decepcione.

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