The Pains of Being Pure At Heart – Belong

Por Gregório Fonseca

Há meses, o The Pains of Being Pure At Heart criava expectativas quanto ao segundo disco da banda. A angustiante espera, que teve início com o anúncio do novo trabalho, em outubro do ano passado, finalmente terminou no começo desse mês.

Nos primeiros acordes de “Belong”, faixa homônima do álbum, as melodias e o vocal característico permitem identificar a banda rapidamente. Sem mudanças significativas de sonoridade se comparada às canções gravadas nos últimos anos, a letra traz no primeiro verso as palavras “nothing new”, e a música é encerrada com “you knew the pains”. Seria uma mensagem subliminar?

“Heaven’s Gonna Happen Now”, começa com uma bateria mais forte para, em segundos, ter sua melodia se derretendo em melancolia e fofura. A canção seguinte, “Heart in Your Heartbreak”, é o primeiro single e um dos grandes destaques do disco. Apesar das palavras tristes, é candidata é alegrar os shows e as baladas de música alternativa. “The Body” traz versos longos e mudanças de andamento – e a voz mais alta que a média para os padrões da banda. A música encerra o primeiro bloco de canções mais dramáticas e abre caminho para uma virada de clima no disco.

O instrumental minimalista de “Anne with an E” é pano de fundo para uma declaração de amor quase sussurrada pelo vocalista Kip Berman. A Anne da música, se existisse (ou será que ela existe?) não poderia recusar as propostas realizadas pelo cantor ao longo dos quatro minutos. “Even in Dreams” parece ser feita para aqueles que levam o nome da banda como uma filosofia de vida. Afinal quem além de uma pessoa com o coração puro poderia dizer “Even in dreams I could not betray you”?

A primeira audição de  “My Terrible Friend” pode remeter a “This Love Is Fucking Right”, do primeiro LP da banda. Tratando-se da mesma banda, no entanto, não é plágio nem influência – é apenas uma evolução do trabalho. Recheada de distorções, “Girls of 1000 Dreams” tem um clima crescente que parece preparar terreno para um refrão vigoroso, mas acaba antes disso acontecer. Dá a impressão de ser uma faixa com potencial que acabou muito cedo.

E quem seria a tal Anne, que volta a ser citada pela banda em “Too Tough”, agora como “Queen Anne”? A música conta com um refrão marcante repetido à exaustão, mas que poderia ser ouvido por horas e horas. Por fim, o disco é fechado com “Strange”, que defende o amor e a possiblidade de se realizar os sonhos, com uma sutil mensagem anti-drogas.

O The Pains of Being Pure At Heart foi aprovado com louvor no teste do segundo disco. Sem se arriscar a fazer grandes mudanças sonoras, a banda manteve a fórmula vitoriosa do primeiro álbum e aprimorou suas qualidades, como as claras referências ao shoegaze do My Bloody Valentine, por exemplo. Com isso, os nova-iorquinos têm tudo para agradar antigos fãs e angariar novos admiradores.

  • Será que tem alguma música a altura de “Higher Than The Stars”, “Falling Over” e “Twins” do EP lançado em 2007 (se eu não estiver enganado). Não vejo a hora deste álbum estar disponível no 4shared.com para baixá-lo. A propósito, estão disponíveis os anteriores no sítio, basta digitar apenas o nome da banda. Gostei da resenha. Continue mandando bem. Grande abraço. =D

  • ótima resenha! sou fã do Pains há algum tempo, e me surpreendi positivamente com Belong. creio que o primeiro disco da banda é mais fácil de ser digerido, feito pra isso, mas Belong não ficou muito atrás. Não vejo a hora de adquirí-lo em vinil!

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