The Strypes e Johnny Marr comandaram o 19º Cultura Inglesa Festival

the strypes

Fotos: Flickr da Cultura Inglesa

No último domingo (21), São Paulo foi palco da 19ª edição do Cultura Inglesa Festival, no Memorial da América Latina. Este ano, o festival foi um dos braços da Virada Cultural, que trouxe atividades e muita música para a capital paulistana. Mas vamos focar no CIF: a grande surpresa desta edição foi a banda The Strypes. Formada por molecotes de 17 a 19 anos (alguns deles ainda têm cara de mais jovens, como o baterista Evan Walsh), o grupo veio para mostrar Snapshot, de 2013, e algumas do novo álbum, previsto para julho deste ano. A badalação em cima dos meninos veio depois que uma série de grandes artistas derramaram elogios sobre eles, como Elton John, Dave Grohl, Carl Barat e Noel Gallagher. O som é bem calcado no rock e blues dos anos 60 e 70, com pitadas de punk e, ainda sim, soa muito contemporâneo, numa mistura improvável de Kings of Leon e The Hives.

A energia no palco é inegável. Para quem foi apenas ver o Johnny Marr e chegou cedo, pôde conferir um ótimo show de rock. Com sua camisa de Super Homem, Josh McClorey é o único que fala no palco. Perguntei à banda o porquê disso e o baixista Peter O’Hanlon afirmou: “Porque ele é o único que o pessoal consegue entender”, em um inglês bem enrolado. Josh é um líder nato. Foi ele quem agradeceu a plateia e fazia com que as pessoas pulassem ou batessem palmas durante o show. Já o vocalista, Ross Farrelly, é mais acanhado.

gaby amarantos

Já o show de Gaby Amarantos foi algo mais controverso. Chamar uma artista nacional para cantar músicas britânicas não agradou todo mundo. Na verdade, algumas versões ficaram musicalmente interessantes, como ‘’Kameleon”, do Culture Club, teve ainda participação de Manoel Cordeiro e Lia Sophia. Mas, no geral, Gaby cantando inglês não deu muito certo. Ela parecia forçar e se esforçar muito para manter o tom nas canções, além de tentar manter o inglês em dia. Muito simpática, ela nos recebeu no camarim e adiantou que está trabalhando em um novo disco, mas ainda não sabe se vai sair no final deste ano ou no começo do próximo. “Eu demorei 20 anos para lançar o meu primeiro disco. Podem ficar calmos que não vou demorar outros 20. Demora um tempo até você escolher as músicas e perceber a energia que elas têm”, explicou.

Enquanto o disco não vem, Gaby prepara um videoclipe, no qual interpretará uma senhora homofóbica, que não permite que casais do mesmo sexo se apresentem em um concurso de dança. E já que tratamos de preconceitos, perguntei a ela sobre o marido, o cineasta inglês, Gareth Jones. Após o casamento de Preta Gil com um personal trainer, Gaby também foi alvo de “haters” por estar com um homem, na visão desses ignorantes, “diferente” dela. “Eu fiquei muito impressionada, porque em outros lugares nós não sofremos nada disso. Aqui, sim, e isso me deixou muito triste”, comentou. Este foi o único momento em que lhe saiu o sorriso. De resto, caras, bocas e muita energia. Afinal, esta é Gaby Amarantos.

johnny marr

Teve também, claro, Johnny Marr, que subiu ao palco exatamente na hora prevista, às 19h. Já com a noite um pouco mais fresca, Marr entupiu os fãs dos Smiths do que eles realmente queriam ouvir. Foram seis músicas da banda de um setlist de 16: “Panic”, “The Headmaster Ritual”, “Bigmouth Strikes Again”, “There is a Light That Never Goes Out”, “Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before” e “How Soon Is Now?”. O restante passou por sua carreira solo – ele vem apresentando o segundo disco, Playland (2014), além de “Getting Away with It”, do Eletronic (dupla que Marr formou com Bernard Sumner, do New Order) e um cover do Depeche Mode, “I Feel You”. Nada muito diferente do que foi visto no Lollapalloza em 2014 ou do que os amigos argentinos viram por lá dias antes. Embora tenha um ar de lorde inglês, na verdade parece ser bem simpático. A conversa que tivemos com Strypes, por exemplo, foi atrasada porque Marr foi dar uma palavrinha com os meninos. Já para os fãs, perguntou em um português bem enrolado “Como vocês estão?”, e mostrou estar bem confortável com o público daqui. Muitas camisetas dos Smiths e flores eram vistos do palco no último show do Cultura Inglesa Festival de 2015. Que venha o de 2016!

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