The Swell Season esbanja fofura em show no Brasil

2007 foi um ano recheado para quem gosta de cinema e, principalmente, para quem gosta da combinação de cinema com boa música. Há três anos atrás era lançado Once (Apenas Uma Vez, aqui no Brasil), com trilha sonora composta e gravada pelo ex-casal checo-irlandês Marketa Irglová e Glen Hansard, que chegou a ganhar um Oscar de Best Original Song. Com uma banda de apoio, a dupla passou pelo país no final de agosto (dia 27 em São Paulo e 28 no Rio de Janeiro) e a Thaís, nossa colaboradora, estava na edição paulistana do show e nos contou como foi.

Na última sexta-feira (27) fui presenteada com um par de ingressos para ver The Swell Season. O show rolou no HSBC Brasil, um lugar de acesso fácil para quem tem carro. Para mim, humilde usuária do tranporte público, foi meio complicado. O show estava marcado para às 22h com abertura de um coletivo de cantores (entre eles, a rainha do shimbalaiê, Maria Gadú) chamado Varandistas.

Cheguei umas 21h30, sentei na minha mesinha com outras duas garotas (pra quem não sabe, o HSBC Brasil não é um lugar pra se ver shows em pé: ele tem lugares marcados, com simpáticas mesinhas e um cardápio de preços não tão simpáticos). Vi só o final dos Varandistas e posso dizer que, das pessoas ao meu redor, uma boa parte estava lá por conta deles. Não é o tipo de música que me agrada: é como se a Maria Gadú fizesse um CD com participações especiais. E mesmo nas músicas que a cantora não participa, é clara uma vibe bem MPB, com um quê de modernidade, aquela coisa de voz e violão com letras bonitinhas.

O que eu achei bacana foi um sofá no palco pra quem não estava cantando no momento dar aquela descansada. Segundo as meninas da minha mesa (que estavam lá só por causa da banda de abertura) o show durou 30 minutos, porque começou com meia hora de atraso. Às 22h27 as luzes se apagaram, e Glen Hansard entra sozinho cantando “Say It To Me Now” (a mesma música que inicia o filme Once, que fez o Swell Season estourar mundialmente), com o violão desplugado e sem microfone. Ele canta de uma forma muito viceral, se entrega mesmo. Coisa mais linda. Eu estava sentada ao lado da mesa de som e vi o desespero dos técnicos achando que tinha algo errado: “Gente! Tá tudo desligado! É assim mesmo?”

Logo em seguida, Marketa Irglová – outra metade da dupla – entra no palco com o restante da banda de apoio pra tocar a linda “Low Rising“. É evidente a sintonia que o ex-casal tem. Os olhares trocados, a forma como eles se entendem, tudo traduz perfeitamente o clima das músicas. Arrisco até a dizer que os dois eram um casal perfeito: enquanto Glen é todo fanfarrão, comunicativo, cheio de fazer piadinhas e tal, Markéta é muito tímida e muito doce. Todas as vezes que ela dizia alguma coisa (sempre em português… o que me espantou, já que ela fala português muito bem!) a platéia respondia com um “ouuuuunnn”, de tão fofo.

Momentos marcantes: a hora que o Glen começa a falar sobre o trânsito maluco em São Paulo. A platéia (ACENTO, EU NUNCA VOU TE ABANDONAR PORQUE EU TE AMO) estava respondendo tão bem , mesmo conversando em inglês, que ele se empolgou e compôs em improviso uma música em homenagem aos motoboys e suas Hondas. Foi praticamente um show de stand-up.

O show terminou com as mais-lindas-do-mundo “When Your Mind Is Made Up” e “Falling Slowly“. No bis, a turma dos Varandistas subiu com Fernando Anitelli (d’o Teatro Mágico, heh) ao palco e tocou junto um cover de “You Ain’t Going Nowhere”, de Bob Dylan – mas essa parte fiquei devendo, já que era quase meia-noite e tive que ir embora (aquela coisa do transpote coletivo, né?).

O que posso dizer é que The Swell Season é amor. Mesmo quem foi só por conta de Maria Gadú e companhia (!), saiu de lá apaixonado pela dupla.

Fotos de Patrícia Nakashima

  • Mark

    Esse filme é lindo… a trilha maravilhosa.

    Só uma vírgula no texto, Marketa não é irlandesa, é checa.

  • Luana

    Não tenho nem palavras pra descrever minha tristeza por não ter visto esse show. Como tudo acontece no eixo RJ-SP, paciência… Enfim, um belo relato do show. Deve ter sido realmente lindo…

  • Carol

    “Não tenho nem palavras pra descrever minha tristeza por não ter visto esse show. Como tudo acontece no eixo RJ-SP, paciência… Enfim, um belo relato do show. Deve ter sido realmente lindo…”[2]

  • Pramit

    fiquei muito trsite de nao poder ve-los, mais resultou em uma musica minha em homenagem a eles…espero que eles venham denovo ao brasil….e por acaso alguem sabe de algo???