The Vaccines – The Vaccines Come Of Age

Um dos maiores problemas do primeiro álbum do The Vaccines — embora seja controverso colocar esta questão como um problema — é que ele não causou nenhuma surpresa quando chegou. A maioria das músicas já tinham sido ouvidas pela internet, entre elas exatamente as grandes faixas do CD. Agora, cerca de um ano e meio depois de What Did You Expect From The Vaccines?, chega o sucessor do barulhento e rápido debute dos ingleses.

Já em relação a The Vaccines Come Of Age, pouco se ouviu antes. As faixas que apareceram aqui e ali eram gravações ao vivo, com aquela qualidade conhecida de sempre. Para aqueles que se sujeitavam a ouvir vezes seguidas uma versão cheia de ruídos, as expectativas foram subindo. As minhas, em particular, apareceram quando vi a banda tocando “No Hope” em um show em São Paulo, no Cine Joia. Confesso ainda que acabei por me sujeitar a algumas das más gravações no YouTube para poder ouvir a faixa mais algumas vezes. O que veio em seguida, pelo menos para os meus ouvidos, foi “Teenage Icon” e a b-side “Blow Your Mind”, cantada pelo baixista da banda, Árni Hjörvar — a música, assim como a voz do baixista, foi uma surpresa para lá de grata.

Surpresa também foi o vazamento do álbum. No caso de alguns discos é quase impossível não ter uma ideia de quando ele está para vazar. Mas neste caso, o LP acabou chegando meio que de uma hora para a outra, pouco antes de um mês para o lançamento oficial. The Vaccines Come Of Age: o nome já fala muito sobre o trabalho. Mesmo com crianças na sua capa, ele mostra a banda buscando atingir um ponto de maturidade. O termo “come of age” significa exatamente amadurecer, transitar da juventude para a idade adulta. Um nome para lá de apropriado para o álbum que mostra uma banda em processo de trânsito entre dois pontos.

Algumas faixas ainda trazem o Vaccines do álbum anterior, sendo “Teenage Icon” uma delas. A música, que já tinha sido divulgada na internet, assim como “No Hope” – que, com suas quatro minutos, que foge do usual da banda – são exemplos que retomam a sonoridade de What Did You Expect From The Vaccines?. Com suas sutis diferenças da estreia, a divulgação das duas músicas não pôde passar uma ideia de como Come of Age seria diferente do trabalho anterior. Esqueça aquele esquema porrada+reverb que marcou o primeiro álbum. Os temas agora são mais trabalhados e menos energéticos. Um dos pontos que causa bastante estranhamento em diversos momentos é a voz de Justin Young. A quarta música, “All In Vein”, traz o vocal de forma bem conhecida durante os versos e até mesmo no refrão. Young, no entanto, entrega-se a experimentações com a voz perto do fim, cantando com uma voz bem fininha.

O ponto central do álbum é quase paralelo ao projeto de experimentações vocais de Young em “All In Vein”. Existe claramente uma vontade de tentar algo diferente em grande parte do trabalho. O que fica em dúvida, entretanto, é a capacidade da banda inglesa em ser bem sucedida em seu novo projeto. Enquanto o punk rock básico e rápido era executado com maestria e sua qualidade era dificilmente posta à prova, aqui, com as novas características da banda, o questionamento já se faz quase óbvio.

Não cair em uma fórmula e fazer simplesmente uma continuação óbvia do álbum é algo elogiável. A vontade de arriscar e compor músicas que não sejam mais baseadas no mesmo tom monocórdico de Young e nem mesmo nas guitarras rápidas de Freddie Cowan é interessante. O resultado final, infelizmente, não vem na mesma onda de outras bandas recentes que deram certo arriscando em outras sonoridades após um sucesso relâmpago inicial — tendo os conterrâneos do Arctic Monkeys como um dos principais exemplos da categoria. Entre as faixas mais diferentes e que se saem bem, estão “Weirdo” e “I Wish I Was A Girl”. Entre as nem tão ousadas, “Bad Mood” e a já conhecida “No Hope” são outras músicas que fazem o álbum valer a pena. No final das contas, o LP não chega a ser um fracasso e não deve tirar o The Vaccines do grande jogo. Por outro lado, coloca em dúvida o talento da banda para além dos acordes rápidos e furiosos do primeiro álbum. Um terceiro disco deve vir como um tire-teima.

  • Boa resenha, mas toda vez que escuto qualquer melodia de Vaccines meu sub consciente diz NÃO!!!

  • Nicole

    hmmm, interessante essa resenha. Acho que o problema dos Vaccines foi o hype, criou-se muita expectativa nos caras – e eles aceitaram isso, o nome do 1º álbum não nega, mas por outro lado eles não tiveram muito tempo pra absorver tudo e já quiseram engatar um 2º álbum. Ainda não ouvi, mas estou bem curiosa após esta resenha !

  • Eduardo Pepe

    achei a resenha contundente, mas, mesmo sem ouvir o disco, achei que a nota foi alta para resenha, acho que 6 estaria de bom tamanho. Não que o disco deva ser ruim, muito longe disso. Pelo que conheço do Vaciness, ele é uma daquelas bandas de rock, que não causam tanto impacto. Alguns gostam e outros são indiferentes. Não vejo nem ódio nem amor.

  • Ana Luiza

    “Sempre fui fã deles , mas sempre manter calada , mas agora e hora de amostrar meu amor por eles , acompanhando sempre eles”