The Walkmen – Heaven

Quanto mais velho melhor. O conceito pode ser muito facilmente aplicado a algumas bebidas. Vinho e whisky são, certamente, os exemplos mais fáceis. Mas por que não transportar a ideia para a música? Não falo sobre álbuns velhos que soam cada vez melhor. Mas sobre bandas que com o passar do tempo vão ficando mais apuradas, precisas e bonitas.

Nesta cesta, colocaria The National como um bom representante. O The Walkmen já provou que merece um lugar ali também e Heaven, o sétimo álbum da banda, vem para dar certeza. As duas bandas vem traçando um caminho longo e difícil rumo ao mainstream – apesar de Bows + Arrows, segundo álbum do The Walkmen, ter tido um sucesso considerável e as críticas terem sido sempre positivas de lá para cá.

Heaven traz um Walkmen muito bem calibrado. Desde Lisbon, lançado em 2010, o grupo já mostrava que ia caminhando rumo ao equilíbrio perfeito. Tomando a trajetória da banda, Heaven parece muito natural. No começo eram porradas misturadas com faixas mais calmas. Bows + Arrows, inclusive é a amostra prática dessa mistura. Temos faixas como “Little House Of Savages”, com uma bateria monstruosa e veloz, junto com faixas mais lentas, como a que dá nome ao álbum de 2004.

Hoje, em 2012, a banda parece fazer os elementos coexistirem na mesma faixa. Já aviso que nada tão violento será encontrado no melancólico Heaven. Mas é impossível dizer que a melancolia está totalmente entregue à tristeza e que renega qualquer violência. A bateria é o elemento que comprova isso. Um dos destaques do LP é a própria “Heaven”, que foi o primeiro single. Mesmo com uma bateria bem marcada, ainda são encaixados alguns momentos de extravagância e rapidez.

O álbum começa com “We Can’t Be Beat” e muito do seu tom pode ser percebido. A faixa de abertura vem com um violão, a voz de Hamilton Leithauser e um coral de vozes por traz. Ali, Leithauser canta sobre sonhos dourados perdendo o brilho e pede por uma vida que precise de reparos. Pode comparar com qualquer outra abertura: nenhum álbum do Walkmen jamais soou tão melancólico, nem em seu começo, muito menos em seu desenvolvimento.

A melancolia permeia por todo o trabalho – é tudo tão triste que levanta a questão: qual paraíso – Heaven – é esse do Walkmen? Nem mesmo a própria faixa que dá nome ao álbum pode responder. Talvez um paraíso antigo, conquistado, que a letra pede que não seja esquecido.

Juntamente com “Heaven”, vem “The Love You Love” – a faixa anterior, na realidade –, que constrói a grande dobradinha do álbum. O vocal diferencia bem os versos do refrão. Aliás, é no refrão que toda melancolia se transforma em violência. É ali que Leithauser grita sobre como a relação é e como ela deveria ser. Ainda aponta o dedo para a outra pessoa e a acusa de amar o amor, e não a ele.

Agora, volto à comparação entre The National e The Walkmen: depois de um álbum maravilhoso como Boxer, o The National teve fôlego para voltar e lançar um trabalho ainda mais bonito e trabalhado, com High Violet. Em 2010, Lisbon, do The Walkmen, havia sido muito elogiado e mostrava uma banda muito madura e perto de um entrosamento perfeito. Assim como High Violet, Heaven chega para mostrar que não foi algo passageiro. As letras, o trabalho de arranjo e a evolução de voz é marcante por toda a discografia do The Walkmen. Se a brincadeira é comparar as duas bandas, agora resta esperar e ver qual delas perde o pique o primeiro – com sorte, a brincadeira ainda dura alguns bons anos.