The Whitest Boy Alive no Studio SP – 13.12.09

Um show de uma banda pouco conhecida no Brasil, em uma noite de domingo e com um preço altíssimo pode ser sinônimo de fracasso. Exceto pelo fato de que esse show aconteceria na Rua Augusta, em São Paulo, a cidade que tem público pra tudo. E que banda que tocaria se chama The Whitest Boy Alive e tem um tal de Erlend Øye como frontman.

Eu ignorei estas exceções e me surpreendi ao entrar no Studio SP, por volta das 20:30 e encontrá-lo praticamente lotado. Surpresa que me trouxe uma alegria, uma esperança de que os produtores de shows percebam (e já estão percebendo) que não precisam trazer só uma banda enorme por ano pra ter público. Podem trazer várias menores, que vai ter gente pra assistir. Apesar de alguns comentários do tipo “Ganhei ingresso e vim, mas nem sei o que essa banda toca”, a grande maioria dos presentes era realmente fã deles.

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A abertura ficou a cargo dos paulistas do Stop Play Moon e sua vocalista que sem cantar já se destaca por ser mais alta (e mais bonita, claro) que os quatro homens da banda. Sua voz é marcante e lembra bastante a de grandes divas do pop. O som não tem um apelo forte, mas funcionou bem para esquentar o público para os headliners da noite.

O show começou já bem animado com uma das melhores faixas, ‘Keep a Secret’, e mostrou que apesar das músicas calmas, eles podem colocar muita gente pra dançar. E dançar era o que todo mundo ali queria, e fazia, tanto na pista quanto no palco, seja o caricato tecladista Daniel Nantwig ou o branquelo Erlend, que tirava sua guitarra como um par para acompanhá-lo em suas dancinhas desajeitadas. Ele exala charme e simpatia, como no início de ‘Intentions’, em que Nantwig errou uma nota e Øye parou a música e solicitou que reiniciassem, dizendo “Vocês merecem que toquemos tudo certo” . Porém em certos momentos a brincadeira acaba ficando com um certo tom de arrogância. ‘Above You’ foi parada no meio e o vocalista disse: “Só continuamos se vocês fizerem muito barulho”. Apesar dos gritos e aplausos, eles não se agradaram e passaram para a próxima.

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Daniel Nantwig suuuuuurfing!

Quanto à parte musical, o show foi excelente. O som estava bom e as músicas foram tocadas em versões mais longas e mais dançantes, com riffs e solos ausentes nas versões originais. Apesar da lotação, dava para pular e dançar, e dezenas de vozes vindas da pista acompanhavam a banda nas músicas mais conhecidas, como ‘Golden Cage’ e ‘Fireworks’.

Após um bom tempo de show, Erlend pediu um tempo para tomar um ar. A pausa valeu a pena, deu pra ir ao banheiro, pegar mais uma cerveja e acompanhar a interessante jam session instrumental que fizeram os outros três integrantes que ficaram no palco aguardando a volta do vocalista. Após uns 10 minutos, o show recomeçou com a ótima ‘Courage’, com a palavra que a intitula exclamada à exaustão pela pista. Fechando o show, veio ‘1517’, com direito a uma visita à pista do agitado Daniel Nantwig. Acredito que esse show não fique marcado pra eles apenas como “o último da década”, mas também como uma porta aberta para voltarem, e para Erlend trazer logo de novo o som do Kings of Convenience para os palcos (e praias) brasileiros.

Fotos por Michel Salviano

  • T

    O show no Rio também foi muito bom. Tava bem cheio, mas a maioria das pessoas não conheciam as músicas e tal.. Mesmo assim o clima estava ótimo!

  • alicia toffani

    o show foi excelente, até a parte em que o erlend oye cortou above you.
    todos entenderam que era pra fazer barulho e fizeram. e do nada ele termina com um “nós gostamos das pessoas que ouvem”, que ninguém percebeu.
    essa jam session deixou claro o quanto a banda ficou desconcertada com o xilique do vocalista. e fizeram uns 5 ou 6 minutos valerem muito a pena.
    logo que erlend voltou, deu pra ouvir marcin oz dizer “let’s play!”, meio irritado, meio inconformado.

    o show estava fabuloso até essa “pausa para tomar um ar fresco”.
    depois disso senti um clima ruim. não fluiu.

    e o público? muita gente animadíssima! foi ótimo! mas, sempre tem um ou outro mané que arremessa garrafa de água, outro que fica batendo papo o show inteiro… mas… foi um show excelente que valeu os salgados cem reais.

  • queria ter visto e assino embaixo de sua última frase, quero kings no brasil (já que os conheci depois de sua vinda…)!

    parabéns pelo blog. primeira visita, mil posts visitados!

    😉

    laís bueno