The XX - I See You

The XX
I See You

Young Turks

Lançamento: 13/01/2017

The XX é uma daquelas bandas que são postas no conceito genérico de indie, mas destoam por carregar fortes influências específicas. New Order, Siouxsie and the Banshees, The Cure, Eurythmics e Joy Division estão entre elas. Calma! São influências misturadas com outros gêneros, não espere um translado aos anos 80. Hoje, os ingleses do sudoeste de Londres formam um trio, Romy Madley Croft e Oliver Sim, como principais compositores e Jamie Smith, encarregado dos beats e da produção dos discos. Seguindo a linha de bandas indies contemporâneas que fazem experimentações, como o Arcade Fire e o TV On The Radio, o The XX estourou mesmo em 2009, quando chegou a aparecer em 6 na The Future 50 List, uma lista feita pela NME com alguns grupos britânicos promissores da época. Depois de XX (2009) e Coexist (2012) eles lançam I See You, o mais novo trabalho do trio. O álbum foi gravado entre maio de 2014 e novembro de 2016, em estúdios em Marfa, Los Angeles, Nova Iorque, Londres e Reykjavík. Um dos principais produtores foi o escocês Rodaidh McDonald, que já trabalhou com nomes como Adele, The Horrors, Daughter e Vampire Weekend.

I See You é um álbum corajoso, pois inova muito em relação aos discos anteriores, porém, enxergar essa coragem como qualidade, é relativo. Talvez nunca mais se ouça algo novo que lembre “VCR” e talvez isso não seja tão bom.

“Dangerous” abre o disco com metais cerimoniosos, como uma indicação ao início de um processo que vai passear, principalmente, pela música eletrônica. Ela fala sobre não ter medo, sentimento que atrapalharia o já caracterizado inovador álbum do XX. No dia 3 de janeiro de 2017 a banda anunciou o segundo single, “Say Something Loving”, que é também a segunda faixa. Música mais arrastada com a já habitual dupla de vocais, conta com um refrão bem definido e sintetizadores ao fundo. Quase um dream pop.

“Lips” vem na sequência com uma linda declaração de amor, “just your love, just your shadow, just your voice, my soul and you lips”. Com vocais influenciados por bandas ligadas à cultura medieval, como a Era, e uma cadência muito comum no pop contemporâneo, a música faz uma mistura que ressalta o perfil experimental do disco. “Violent Noise”, faixa 4, não faz jus ao nome. Com uma base praticamente de samples e vocais melódicos, ela não varia muito seu ritmo, o que não é uma regra nem referência para música boa, mas, nesse caso, acabou demonstrando apenas falta de criatividade.

“Performance” trata, justamente, de uma performance feita na esperança de reconquistar um amor. A música tem tom fúnebre, dedilhados de guitarra delicados e uma lamentação absurda por parte de Romy. O disco segue essa linha com a consecutiva “Replica”. A música é linda! Trata das dificuldades em manter uma relação aparentemente sem futuro, mas ainda com muito sentimento. Um quase riff mantém o instrumental inteiro, tudo muito bem acompanhado por sintetizadores quase espaciais (atenção especial ao solo generalizado por volta de 1:40).

Tem mais declaração de amor em “Brave For You” que, como o próprio nome já diz, trata da coragem que se adquire por alguém ou com alguém, enfim, fala da coragem junto a outra pessoa. “Brave For You” se faz com uma guitarra ecoada, típica na surf music e uma confusão cadencial muito boa. “On Hold”, pimeiro single do disco, lançado dia 10 de novembro, talvez seja a faixa mais representativa da banda. A música é basicamente um pop, com trechos essencialmente ligados ao Hip Hop, mas, ainda assim, é possível perceber toda a atmosfera e melodia da banda, presente, aparentemente, em qualquer reprodução musical. “I Dare You” é composta basicamente por sintetizadores e entonações vocais virtuosas. Nesse caso, o pouco não foi pouco, pois há muita ambientação. (Climão!). Tem mais climão com a derradeira “Test Me”. Com samples arrastados, a música vai crescendo, criando uma miscelânia de sonoridades indefinidas.

I See You demonstra mudanças profundas no The XX, que talvez tenha aberto mão de um trabalho, até então, notável. Mas como, também, abrir mão das mudanças sentidas e não exploradas?

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