Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures

Them Crooked Vultures
Them Crooked Vultures

RCA

Lançamento: 16/11/09

Os primeiros segundos da primeira música do esperado disco do Them Crooked Vultures já dizem muita coisa sobre o trabalho dessa banda que foi reunida e divulgada com o status – meio renegado pelos membros, aliás – de supergrupo. “No one loves me, neither do I” começa com 10 segundos de uma promissora levada de bateria de Dave Grohl – como se o frontman do Foo Fighters dissesse: “Ladies and gentleman, aqui está a banda que reuni: John “Led Zeppelin” Paul Jones no baixo e Josh “Um montão de bandas” Homme tomando conta das guitarras, vocais e basicamente de todo o conceito e atmosfera criados no álbum. Enjoy!”.

E é bem isso que o ouvinte tem que fazer a partir dos primeiros acordes e sussuros de Josh: curtir a “vaibe”. Os mais perceptivos podem até sentir certa alegria e descontração durante o debut – afinal, deve ser o sonho de qualquer músico que se preze tocar com um membro do lendário grupo Led Zeppelin. E de fato, pelo menos para Grohl, é realmente a realização de um sonho, já que o músico nunca escondeu a admiração que tem pela banda.

A estreia auto-intitulada do Them Crooked Vultures pode ser dividida sutilmente em duas partes – uma soando exatamente como imaginaríamos que tal parceria dos sonhos soasse, com a trinca inicial de músicas sustentando a tese. Destaque para “Mind eraser, no chaser”, cujo refrão, com as vozes intercaladas de Grohl e Josh, é uma das melhores passagens feitas no rock ultimamente. A segunda parte já resvala nos timbres e experimentações usados à exaustão por Homme no Queens of the Stone Age e em seu projeto Desert Sessions. Mas, ao contrário da conclusão óbvia neste caso, aqui não há a temida sensação de “mais do mesmo”. Pelo contrário, tudo soa fresco e renovado, mesmo contando com alguns timbres e viradas de tempo que se encaixariam perfeitamente em discos do QOTSA.

O debut do power trio só peca em um quesito: a duração excessiva e desnecessária de algumas músicas, o que deixou o disco com cansativos 67 minutos de duração. Me pergunto como músicas chatérrimas como “Interlude with ludes” e “Warsaw…” (uma “Burn the witch” que não deu certo) entraram na edição final do trabalho. Sem elas já seriam 10 minutos a menos na soma total. Inclua aí alguns minutos – ou mesmo segundos – cortados das faixas “Spinning in Daffodills”, “Caligulove”, “Bandoliers” e “Elephants” e teríamos, possivelmente, o melhor disco de 2009! Mas não é um problema tão grave a ponto de tirar Them Crooked Vultures das polêmicas listinhas de fim de ano.

Como noticiamos aqui, o trio planeja lançar um segundo CD já em breve. A torcida para que isso aconteça é grande – e que o projeto não passe só de um álbum de estreia, pois não é sempre que se vê John Paul Jones tocando baixo como na zeppeliana “Scumbag blues”, Josh Homme mudando de entonação várias vezes enquanto canta, como na “estranhamente-deliciosa” “Reptiles” e, claro, Dave Grohl voltando às baquetas que o consagraram no Nirvana. Ah, também vale uma torcida para a vinda de uma apresentação dos “Urubus Deformados” em terras tupiniquins (que quase se concretizou, sabiam?), porque por um show desses vale a pena vender os rins e tudo mais.

  • Nem tenho o que dizer, quando ouvi o disco fiquei impressionado com a capacidade dos caras. E sim, fico surpreendido com obviedades. A voz do Josh Homme é magnífica, o Dave nas bateras nunca deixou a desejar. E o John Paul Jones? Bem, ele é ex integrante do Zeppelin. Sem mais. ;*

    http://lombeiramusical.wordpress.com/

  • Quanto a “Interlude with Ludes” eu até concordo, mas “Warsaw…”, apesar de seus 7min de duração, não tem nada de “chatérrima”. Muito pelo contrário, pra mim é um dos grandes momentos do disco, por adicionar uma boa pitada de psicodelia à sonzeira hard que predomina nos 67 minutos do debut (que por sinal passam voando!). Discaço!

  • Larize Villarroel

    Disco fodásso mesmo!

  • Dead End Friends é uma das minhas favoritas.
    Esses vocais do Dave e do Josh que vc citou, é o ícone desse disco.
    Nunca imaginei que 2 dos vocais mais marcantes por aí combinariam tão bem.

    E Interlude with Ludes é uma pausa necessária.
    Viagenzinhas supostamente desnecessárias são um artifício para deixar um disco pesado menos cansativo aos ouvidos.

    Eu particularmente gosto de discos longos. Mas concordo que esse podia ser um pouquinho mais enxuto.

    Anyway… FODASSO.
    Sempre disse que Foo Fighters e QOTSA (minhas bandas atuais favoritas) eram a salvação do rock. Não esperava nada menos do que isso dessa trip aí.
    Bom ver que o John Paul Jones tá mais atual que muita banda por aí.

    Parabéns pelo texto.

    \m/

  • Boot

    Não acho cansativo o álbum. Esse é o típico disco que poderia ter sido lançado na década de 70: as músicas são longas por não procurarem formulas comerciais para tocar no rádio (até porque, uma banda desse calibre não precisa disso). Esse é o tipo de trabalho que pode entrar para a história do Rock não pelo que pretende ser, mas pelo que é; ainda que com arestas não aparadas, ou algum escorrego aqui e ali. Típico de músicos que correm o risco de serem rechaçados, ou taxados de oportunistas, mas que geralmente são responsáveis por grandes momentos da história da música. Pra mim não só é o melhor de 2009; é aquele que veio aos 45 do segundo tempo para ser o melhor dos últimos 10 anos.

    Parabéns pelo texto Neto!

  • Duque

    Ok ok, adorei Mind Eraser, No Chaser; New Fang; Bandoliers; Scumbag Blues e Dead End Friends, e se for parar pra ver a maioria das que citei sao “curtas”. Claro, achei todas fodas,magnificas, mas realmente, Interludes without Ludes é realmente desnecessaria, quero dizer, se pelo menos ela tivesse uns 3 mins… anyway, disco foda! pensei que nao iriam fazer a resenha >.<
    valeu Neto!

    PS: Que Venha o segundo!

  • Duque

    /\ 2mins. hahahaha

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  • Jailton

    Talvez um dos melhores trios, em se tratando tanto da técnica quanto da criatividade, do mundo. Fiquei um pouco em dúvida se ficaria legal, mas o resultado estrondoso do trabalho dos 3 ficaram óbvios na primeira faixa. A química de Dave Grohl e Josh Hommer é histórica, principalmente em discos do QOTSA, mas eu não imaginava como seria a introdução de um elemento a mais opinando, principalmente alguém do peso de John Paul Jones que deve ser um ídolo para os dois. O produto final ficou cheio de influências pessoais que se encaixaram de forma surpreendente, a exemplo de “Scumbag blues”“Bandoliers” e “Elephants”. Achei legal o fato das músicas serem longas e livres, desapegadas a modelos de rádio, isso fez o álbum ficar mais autêntico e gratificou os fãs do bom rock, que como eu, receberam um presente que há muitos anos não se ganhava.

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