!!! - Th!!!er

!!!
Th!!!er

Warp

Lançamento: 29/04/13

O pop entrou no radar do !!!. E vice-versa. Não que eles fossem inimigos – pelo contrário. Mas agora, essa parceria foi acentuada e colocada basicamente como um guia que une boa parte das nove faixas de Th!!!er, disco tão divertido e animado quanto seu título possa indicar.

Depois de ganhar certa notoriedade nos anos 2000, quando deu um gás na cena dance punk americana, juntamente com nomes como Gossip e The Rapture, o !!! (ou, vá lá, Chk Chk Chk) abriu espaço para guitarras suingadas, baterias mais orgânicas e melodias capazes de grudar de tal forma que não há nada a fazer senão dançar. Muito.

No caldeirão sacolejante do !!!, você vai encontrar uma banda disposta a passear por terrenos distintos, mas deixando sua marca em cada um deles. A começar pela abertura do álbum, “When The Water’s Cold”, cujo riff agudo de guitarra poderia ter sido criação de um Two Door Cinema Club da vida. Ainda bem que a voz grave à la post-punk de Nic Offer dá o toque diferencial para que a faixa não caia na obviedade. Voz essa que volta a ser destaque logo no segundo tema, “Get That Rhythm Right”, dono de linhas de sax breguíssimas – e, por isso mesmo, imperdíveis. A pegada de “Hot Chip encontra LCD Soundsystem” ainda poderá ser ouvida em “Californiayeah” e “Careful”, que irão segurar facilmente os fãs de longa data.

Mas foque sua atenção em “One Girl/ One Boy”, destaque disparado do álbum e uma das músicas mais deliciosas do ano até agora. O dueto de vozes (Nic cantando sobre a “one girl” e a cantora Sonia Moore, sobre o “one boy”), a guitarra funky, o baixo disparando groove aos quatro cantos: aqui, a banda californiana consegue soar irresistível como nunca – e desafia qualquer um a passar batido por ela e a não chegar ao final da catarse dançante sem um sorrisão bêbado no rosto. Climinha alto astral pra verão nenhum botar defeito.

E depois de se acabar na pista, o !!! joga o grave lá em cima e brinca de ficar chapado como se estivesse na sala de gravação do Screamadelica, do Primal Scream, com a incrível e viajadona “Slyd”. Já “Except Death” traz o namorico com sons mais acessíveis de volta, com seus falsetes e guitarras envolventes – que a deixam na posição de destaque da segunda metade do disco, juntamente com seu fechamento, a quase roqueira “Station (Meet Me At The)”.

Assim, dando aquela diversificada básica na biblioteca de referências e influências, o !!! cria provavelmente seu trabalho mais consistente e passível de reconhecimento (positivo) até o momento. Mas não é de total surpresa, visto que não é de hoje que música dançante e bem feita combina com a palavra Th!!!er.

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  • Minha opinião, postada ontem no meu blog (http://andnowblog.blogspot.com.br/2013/05/interjeicoes.html):

    Reparou como o pessoal anda criativo com nome de banda ultimamente? Quer dizer, não basta mais usar as palavras. Naquela leva recente do gênero morto-vivo witch house, a criatividade não tinha limites. Pronuncie, se for capaz: oOoOO, †††, BL§§D ØU†, ▲, 8:*), gl∆ss †33†h. Nota: as vírgulas e o ponto final não fazem parte da representação gráfica. Estão ali só pra separar os nomes dos grupos mesmo. O !!! não tem nada em comum com a eletrônica de temática ocultista dos projetos acima. E o significado preferido para as exclamações é “Chk Chk Chk”, embora os integrantes proclamem que qualquer som monossilábico repetido três vezes pode ser aceito pra descrever o nome da banda. Se o !!! conseguisse vender algum CD, ia ser engraçado ver o fã pedindo pro vendedor. Isso porque os californianos acabam de lançar o quinto disco, e até agora, o desempenho comercial deste e dos outros quatro é risível. As tarefas que THR!!!ER (que saiu no final de Abril pela Warp – tradicional gravadora britânica de música eletrônica, lar de gente como Aphex Twin, LFO e Autechre) deve cumprir são manter a visibilidade do Chk Chk Chk pra jogá-lo em festivais mundo afora e, principalmente, fazer você dançar. Acho bobagem ensacar o som do grupo num pacote dance-punk, porque de punk aqui nas nove faixas não tem nem o cheiro, e especialmente porque eles são bons músicos. Ouça THR!!!ER e repare nas linhas de baixo redondinhas, grooveadas, sedutoras, como na preguiçosa “Even When The Water’s Cold” ou no single “Slyd”. Guitarras serpenteiam pela ótima “One Girl / One Boy” (vocais divididos com a cantora Sonia Moore); saxofones deixam o clima mais safado em “Get That Rhythm Right”; sintetizadores e drum machines tornam os funks eletrônicos “Fine Fine Fine”, “Except Death” e “Careful” algo muito próximo ao que o Heaven 17 fazia ao juntar black music e technopop no começo dos anos 80. A única que destoa do conjunto é a 100% indie “Station (Meet Me At The)”, a última faixa, que ainda assim não faz feio. Não sei se vender mais discos faz alguma diferença pro !!!, mas THR!!!ER prova com louvor que esses caras mereciam melhor sorte nas paradas. É honesto, divertidíssimo e musicalmente muito competente.

  • Ronda Rousey, the best

    poisé