Thiago Pethit @ Sesc Pinheiros (São Paulo – 15/01/14)

thiago pethit por Gil Inoue

Foto: Gil Inoue

As luzes se apagam, o palco se ilumina. A voz de Joe Dallesandro recita os versos de “Intro”, do terceiro disco de Thiago Pethit, Rock’n’Roll Sugar Darling, em que conclama: “As pessoas precisam de um rock star nas mesmas ruas que elas. Elas precisam de um anjo das ruas. Hey, Pethit, por que você não nos mostra um pouco de rock’n’roll sugar?”

A cortina sobe, os músicos vestidos de preto começam a tocar. Thiago Pethit entra também de preto, mas com um blazer prateado. Faz sinal para que todos em suas cadeiras, no show de lançamento, no Sesc Pinheiros de São Paulo, na última quinta-feira (15), se levantem. É atendido com um “quê” de excitação. A música em seguida é a que dá nome ao disco, que tem versos como: “Doce como açúcar, explode na sua boca, vem chupar meu rock’n’roll”. E sexualidade (nem só sensualidade) transborda neste novo álbum.

Quando nos foi apresentado, em 2008, Thiago Pethit era um novo nome da cena indie de São Paulo. As melodias eram doces em Berlim, Texas (2010), vide “Mapa Múndi”. Havia muitos violões e pianos e a canção mais animada era “Nightwalker”, que ganhou vídeo com a atriz Alice Braga. Já no segundo disco, Estrela Decadente (2012), o lado burlesco ficou mais exacerbado. Foi por isso que no ano seguinte foi escolhido para tocar no Palco Cabaret, na Virada Cultural, onde só se apresentavam artistas que tinham ligação com o tema.

Depois desse começo, as obviedades do show acabaram. Logo na segunda canção, Pethit veio com um cover (que ficou conhecido na voz) de Joan Jett para “Do You Wanna Touch Me”. Na sequência, “Dandy Darling”, do segundo álbum, para finalmente voltar a Sugar Darling em “Romeo”. Ainda vieram Gene Vincent (e também cantada por Lennon) com “Be-Bop-A-Lula” e a catarse final com “I Wanna Be Your Dog”, de Iggy Pop & The Stooges. Uma maneira muito inteligente de mostrar canções novas.

Thiago Pethit faz aqui um resgate a todo o rock cru feito nos últimos anos, com ênfase nos anos 50 e 60. O disco Rock ’n’ Roll (1975), de John Lennon, é uma clara referência – até pela capa de ambos. Tudo misturado com samples e “eletronices” muito atuais. Os Rolling Stones são outra referência, tanto que o palco, iluminado com refletores, lembra a iluminação utilizada em Shine a Light, filme/show registrado por Martin Scorsese. Mas o cabaret ainda está presente em “Voodoo”. Ou seja, ele não abandonou suas raízes.

Muito bem humorado e com calor (em São Paulo ainda fazia cerca de 30º C àquela hora), ao ouvir um “Lindo!”, vindo da plateia foi logo dizendo: “Na verdade, eu sou destruidora mesmo!” e emendou com a saudação à plateia: “É um prazer ineNaHagen ter vocês aqui!”, em referência à cantora alemã.

Para falar ainda sobre o disco, brincou ao dizer que os produtores Adriano Cintra e Kassin resolveram que a canção “Perdedor” deveria ter um refrão solar, mas que isso lhe dava um ar de superação: “E eu não sou uma pessoa que supera as coisas”. Portanto, nos shows, espere uma versão mais gótica, mais dark. O calor o fez tirar o blazer e mais tarde a camisa que vestia. Os gritos de “Lindo!” e “Maravilhoso!” se repetiam. A plateia estava caída pelo showman no qual Pethit se transformou. Os pontos altos vieram com o batidão “Eu Quero Ser Cão”, facilmente tocável em qualquer balada, e com a já citada “I Wanna Be Your Dog”, durante a qual Pethit literalmente se jogou na plateia e beijou algumas bocas.

Como disse muito bem Erasmo Carlos em entrevista para o jornalista Ricardo Alexandre: “É das novas gerações que devemos esperar as novidades.” E Pethit trouxe um refresco para a cena rocker bad-ass. Quem diria?

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