Tiê – Sweet Jardim

Descobri Tiê há alguns meses, quando vi meia dúzia de créditos à cantora no encarte de Em Outro Lugar, o que já foi suficiente pra despertar minha curiosidade. A partir de então, alguns minutos de googling foram me contando um pouco mais sobre a moça, mas nada era tão relevante quanto a data de lançamento de Sweet Jardim, álbum que a encaixou na lista das mais belas vozes femininas brasileiras, em algum lugar entre Cibelle e Céu, com melodias apaixonantes que, em sua base, contam apenas com voz e violão.

‘Assinado Eu’ dá uma prévia do quão doce, melódica e sentimental Tiê pode soar, compartilhando frustrações amorosas que dão um frio na espinha se o ouvinte for pego desprevinido. O amor, inclusive, é tema recorrente em todo o disco, mais por sua escassez do que por seu excesso.

‘Chá Verde’ é a melhor prova que podiamos tirar disso. Os versos deixam as intenções de Tiê bem explícitas: Acompanhada pelo sexteto vocal de Thiago Pethit, Gianni Dias, Naná Rizinni, Tatá Aeroplano e Tulipa Raiz, a moça diz que só quer o amor – “seja como for o amor, seja bom, seja amor”. Dá pra escutar over and over again durante um dia inteiro e ir dormir como Tiê, só querendo amor também.

Impressionante é que, sem avisar, Sweet Jardim muda completamente de tom e vai parar em ‘A Bailarina e o Astronauta’, que parece ter seu instrumental influenciado pela trilha sonora de um terror clássico, por causa da tensão gerada pelos acordes de violoncelo. Mais uma vez, o azar no amor cria vida através da voz da cantora com nome de passarinho.

Sweet Jardim também recorre ao estrangeirismo em um par de faixas, ‘Aula de Francês’ e ‘Stranger But Mine’, com melodias mais alegrias do que as da música citada acima. Essa primeira beira a atmosfera de Amelié Poulain, enquanto a segunda fica no clima da valsa de Julie Delpy em Before Sunset. O disco termina com a faixa que o batizou, ‘Sweet Jardim’, que mesmo mal localizada faz parte do clímax do registro. E é assim, com a participação de Toquinho (!), que Tiê vai embora, com o clima de bossa nova que toda despedida deveria ter.

Tiê passa pelo Rio de Janeiro e por São Paulo em julho, nas seguintes datas:
13, na Modern Sound (RJ)
17, na Fnac do Barra Shopping (RJ)
18, na Cinematéque (RJ)
19, no Tom Jazz (SP)
28, no Teatro do Bourbon (SP)
31, no SESC Araraquara (SP)

6 Comentários para "Tiê – Sweet Jardim"

  1. O violão tem a cara da música Milk do Kings of Leon, escutem e vão dizer que não!

  2. Pingback: Move That Jukebox! » Tiê e Lulina tocam com bandas latinas nesse final de semana, no SESC Pompéia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *