Oct 29 2008
Tim Festa honra o nome no Ibirapuera
Uma grande festa! Isto era o que prometia a noite de 24 de outubro, na Arena Ibirapuera, em São Paulo. E a promessa foi cumprida. Como nos outros dias de festival, o local não estava lotado, proporcionando espaço para dançar e pular, sem falta de calor humano.

Ás 19 horas, como estava no roteiro, entraram em cena os Junior Boys, contando com um baterista de apoio. Deixando de lado músicas de seu álbum mais recente, eles tocaram um show baseado em seus discos mais antigos, e não decepcionaram. Mesmo tocando para um público muito pequeno, eles não desanimaram e conseguiram agradar quem chegou cedo ao Ibirapuera. Sua música eletrônica calma e melodiosa se mostrou uma boa trilha sonora ambiente para a arena que se enchia cada vez mais. Jeremy Greenspan e Matt Didemus chegaram ao final do bom show sem problemas, e uma aparelhagem começou a ser montada, na pista.
Eram os equipamentos de Dan Deacon, o gordinho carismático citado na última MTJ! Magazine como um dos 5 shows para não morrer sem ver. E quem acreditou no artigo e foi ao show do cara se deu bem. Dan já desceu cumprimentando todos, e mandou saírem os seguranças que insistiam em não deixar o público se aproximar de sua mesa. Mesa esta que era um caos de cabos, samplers, tecladinhos antigos e stickers coloridos, mas que parecia simples para Dan, que soube usar bem seus aparelhos, mas ainda melhor soube aproveitar a multidão presente na Arena Ibirapuera.

Antes de começar ele já fez todos agacharem e levantarem as mãos, apontando para alguém que não seguia suas ordens. E após acharem alguns rebeldes o show começou. As músicas eram todas parecidas, com batidas fortes e rápidas, alguns tecladinhos e Dan cantando e berrando coisas incompreensíveis graças ao baixo volume do microfone. Porém o que fez da apresentação uma das melhores da noite não foi a música em si, mas a performance. Deacon se abraçou aos fãs, passou por debaixo da mesa, ficou em pé nela, deu mosh, e então resolveu mandar abrirem uma grande roda. E chamando dois voluntários, promoveu uma apresentação de dança. Quem estava no meio dançava por algum tempo e então chamava alguém para seu lugar. Até deu certo, mas em pouco tempo o povo já estava empolgado o suficiente para todos irem se jogar na roda, que já não era mais roda, era uma pista fervendo.
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A roda de dança do Dan Deacon
Quando tudo começava a voltar ao normal, o divertido gordinho convocou todos a montarem um grande túnel, como aqueles que você faz nas quadrilhas de festa junina, enquanto enche a cara de quentão. E ficamos todos nos divertindo, brincando de passar por debaixo do grande túnel de mãos que ocupava mais da metade da pista. E assim foi terminando a apresentação que aqueceu todo mundo, e que pareceu curta, deixando aquele gosto de quero mais. Antes de ir Dan recebeu muitas palmas, abraços, apertos de mão e dezenas de tapinhas na bunda. E um cheiro de ciganos começou a se espalhar no ar. O show mais esperado da noite era o próximo.
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A quadrilha do Dan Deacon
A ansiedade para os ‘gipsy-punks’ era grande, e a região próxima ao palco estava bem cheia. Eis que surge o louco/bêbado/ucraniano Eugene Hütz, carregando uma garrafa de vinho, acompanhado por sua trupe de guitarrista, baterista, baixista, violinista e sanfoneiro (?). O Gogol Bordello estava em cena, e a farra começou a acontecer, no palco e na pista. Logo de primeira veio ‘Ultimate’, que deu uma prévia do grande show que começava. Rapidamente foram formadas rodas de pessoas que se batiam, e também rodas de pessoas que apenas dançavam, felizes, do modo mais diferente que conseguiam. E pra completar a festa ainda entraram as duas integrantes que faltavam, completamente loucas, berrando, e trajando miniblusas do Santos Futebol Clube (??).

Uma das coisas interessantes do show deles é que não dá pra simplesmente pular. O pular do ritmo Gogol Bordello é diferente, os pés se mexem fazendo uma dança inconsciente, que mesmo não sendo uma dança propriamente dita, era o que mais se via na pista que se agitava cada vez mais, e que não se cansava de presentear Eugene. Cartas de baralho, copos de cerveja, chapéus e até uma calça foram jogados no palco. Teve até mosh de um cover do pirata Jack Sparrow. E nesse clima veio ‘Wonderlust King’, uma das músicas mais conhecidas da banda. O violão chamou a platéia, que atendeu ao chamado e cantou os versos junto com o vocalista, até chegar o momento em que a festa explodiu, com o refrão “But I’m a wonderlust king! I stay on the run! Let me out, let me be gone!”. O violinista Sergey Ryabtsev não conseguiria mostrar mais satisfação ao ver a loucura que seu riff pós-refrão causava em cada um presente.
Quando achávamos que a festa não poderia ser maior, uma introdução começou e Hütz emendou: “Ela não gosta de mim…”, seguida de um “Morena tropicana, oi oi oi”. As gargalhadas agora se juntaram aos já firmes gritos e aplausos. E sem dar tempo para a multidão se acalmar, o vocalista puxou mais um dos hits, que com certeza foi um dos pontos mais altos da apresentação, ‘Start Wearing Purple’. O que se ouvia era um uníssono de público e banda, todos entoando a ordem dos Bordello: “Start wearing purple for me now!”. Eugene cuspia vinho para cima, molhava os fãs com sua bebida, chutava o roadie, corria pelo palco, era difícil decidir quem estava mais extasiado, o vocalista ou o público.
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Ela não gosta de miiim!
Para fechar a apresentação, eles tocaram ‘Mala Vida’, sucesso do amigo da banda Manu Chao, que foi também muito bem recebida e teve seu refrão cantado pelos presentes. A banda toda pulava, corria, as dançarinas tocavam bumbos e pratos, gritavam, ninguém parecia querer sair do palco. Mas o show teve que acabar, e após serem aplaudidos por muito tempo, eles finalmente se retiraram. Realmente foi bem curto, mas cada segundo valeu a pena. Uma insanidade que quem presenciou pode se gabar, pois entre as bandas atuais o blasé faz mais sucesso e algo como o Gogol Bordello é bem difícil de se ver. Mas agora quem voltava ao palco da Arena Ibirapuera era a música eletrônica.
O DJ inglês Dave Taylor a.k.a. Switch ficou encarregado de fazer o pós-show, e não deixar que os ânimos se abalassem após o gran finale dos ciganos. Mas seu trabalho não foi o suficiente para manter a pista bombando como estava, e muita gente foi embora, o que já era de se esperar. Porém, apesar de um pouco repetitivo, Switch conseguiu se sair bem, tocando bastante fidget house e electrohouse, arriscando um dubstep no final, e quem ficou para curtir a festa até o final teve um bom motivo para continuar dançando, sem se cansar.
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DJ Yoda + Mario
E enfim chegou a hora da última atração da noite, que chegou sem hype nem expectativa, mas proporcionou uma agradável surpresa aos firmes festeiros. Era o DJ Yoda, que incrivelmente mixa DVDs, e faz scratches neles, proporcionando um show audiovisual. Yoda, não demorou a mostrar que sabia muito bem o que estava fazendo, e começou seu set com a música-tema de Star Wars, enquanto passava no telão uma breve mensagem de como eram suas apresentações. E então começou uma overdose de cultura pop. Yoda mixava o que a pista queria ouvir. Era surpreendente a reação de cada um ao ouvir a música do videogame Mario, enquanto assistia cenas do jogo. O DJ não poupou ninguém, teve Hotel California a la Caribe, Indiana Jones funkeado, Austin Powers, Simpsons e até cenas da impagável dancinha do Calton, personagem da série ‘Um maluco no pedaço’. Era uma multidão dançando sem parar, e sem parar também de olhar para os dois telões que exibiam o talento do homem que estava lá no centro do palco. A grande surpresa da noite para mim e muitas outras pessoas.
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DJ Yoda + Austin Powers + Indiana Jones
E assim terminou o Tim Festa, a noite que dizem ter sido a melhor do festival em São Paulo, que cada um que esteve presente vai se recordar, que honrou seu nome e fez todo mundo esquecer de tudo e aproveitar como melhor podia, dançando, pulando, gritando, cantando, ou simplesmente, festejando.
Por Marçal Righi
Fotos retiradas do site do Tim Festival




















minha amiga até apareceu numa foto da uol, no show do Dan Deacon. Inveja não ter ido :/
SANTOS, SANTOS SEMPRE SANTOS, huahuahuahua!!!!!