Tokyo Police Club – Champ

O Tokyo Police Club certamente não está entre as bandas mais inovadoras que surgiram nesta última década. Suas músicas, extremamente simples, soam pequenas tanto em tempo quanto em ambição. As letras seguem a mesma linha, evocando trivialidades e inquietudes pueris. A voz de Dave Monks é como a de um adolescente geek permanentemente gripado. As linhas de seu baixo se restringem toscamente a acompanhar as tônicas de cada acorde e a bateria de Greg Alsop pouco foge do esquema caixa-bumbo-chimbal. E isso é quase tudo do que eu poderia dizer para explicar o que faz desse quarteto canadense tão certeiro e inevitavelmente cativante.

Em seu segundo disco, que será lançado oficialmente nesta terça-feira (dia 08), o TPC traz mais uma porção completa destes ingredientes que caracterizam a banda desde o EP Lesson in Crime (2006), que arrebatou público e crítica nas melodias de “Nature of the Experiment” e “Be Good”. Champ, o novo trabalho, assim como seu antecessor Elephant Shell (2008), é como uma coleção de conversas espontâneas, que por alguns instantes podem fazer o seu senso de urgência mirar nada, senão o fato de que você precisa aproveitar o que resta da sua juventude, antes que tenha que começar a levar a vida a sério demais. Monks, com seus 23 anos, bem sabe disso. Assim sendo, alguns poucos acordes e questionamentos sobre sua cor ou comida favorita são mais do que suficientes.

Para quem já conhecia a banda, a primeira impressão deixada por Champ talvez possa enganar e não soar tão empolgante. O clima acústico do início de “Favourite Food”, faixa que abre o disco, contrasta com a usual energia e o ritmo ligeiro da maioria das músicas da banda. Assim como a maior presença da guitarra de Josh Hook em relação aos trabalhos anteriores, onde o baixo pulsante era quem tinha maior destaque. Mas aos poucos, o álbum vai ganhando forma e a essência sonora do TPC começa a reaparecer, se sobrepondo a estas pequenas variações de estilo. Os refrões cantaroláveis, os versos intimistas, os barulhinhos do teclado de Graham Wright. Está tudo lá, ajudando a construir canções que, dentro de seus limites, expressam com muita eficácia aquilo que pretendem. Os melhores momentos estão em “Wait Up (Boots of Danger)”, “Big Difference” e na lenta “Hands Reversed”.

Às vezes, são de coisas assim que nós precisamos. Ponderações básicas, como as do refrão de “Big Difference”. “Less big words and more exclamation marks”. Simples, não? Providencial, entretanto. Logo, garanto que Champ, ou qualquer disco do TPC, não mudará sua vida, nem o mundo, e nem o rock. Mas talvez algumas músicas aqui possam inesperadamente melhorar o seu dia.

  • augusto

    as duas últimas frases foram a melhor conclusão/descrição possível pra Tokyo Police Club

  • Essa banda daqui a uns anos vai me provocar uma baita nostalgia. Culpa desse som doce que cheira a adolescencia.

    http://www.nocudasgravadoras.blogspot.com/

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  • as duas últimas frases foram a melhor conclusão/descrição possível pra Tokyo Police Club

    Concordo plenamente. E TPC tem feito meus dias mais alegres há anos, o que a maioria das bandas que gosto não consegue fazer com tanta frequencia.

  • Henrique

    Eu não sei o que eles tem, mas gosto um bocado da banda!
    Ainda não ouvi o novo CD, mas sempre que coloco o “Elephant Shell” ou ainda o “A lesson in crime” no carro com algum amigo que não conheça a banda, duas músicas depois já está me perguntando o nome da banda, pedindo pra gravar CD e etc…

    Espero que esse carisma tenha se mantido…