Tom Chaplin - The Wave

Tom Chaplin
The Wave

Island Records

Lançamento: 14/10/2016

Tom Chaplin nasceu em Hastings, East Sussex, Inglaterra. Mais conhecido pelo seu trabalho a frente da banda Keane, que começou um hiato em 2013, Tom ressurge com The Wave, seu primeiro e mais novo disco solo, que saiu pela Island Records. The Wave conta com 11 faixas, 5 bônus e já apresentou duas canções, “Hartened Heart” e “Quicksand“.

O álbum, que foi produzido por Matt Hales, musicalmente conhecido como Aqualung, ficou em terceiro no top britânico e teve casas cheias em sua primeira tour pelo Reino Unido. Ele foi gravado parte em Pasadena, Califórnia e parte em Londres, na casa de Tom. O músico também toca guitarra, violão e piano, mas, em sua antiga banda, não era o principal compositor, função essa mais explorada por Tim Rice-Oxley.

Em The Wave fica clara a ânsia de compor, velada por Tom, diante das letras apresentadas por seu ex-colega de banda. É um trabalho muito pessoal, que sela um entendimento perante suas perturbações internas, antes combatidas por meio do uso de drogas. Houve problemas mais graves em 2006, mas ele se submeteu a um tratamento  no ano seguinte, mantendo-se limpo desde 2013. A luta do músico diante das drogas rendeu um telefonema de Elthon John, que lhe conferiu alguns conselhos sobre o assunto.

“Hartened Heart”, primeiro som divulgado, tem um tom fúnebre ao fundo, engendrado por violinos e coros no backing vocal. Tom canta com dor o questionamento “It’s such a beautiful world, so why do I feel so down?”. A letra foi feita em parceria com Max McElligott, vocalista da Wolf Gang, banda de indie pop. A realização do clipe ficou por conta de David East. Falando em indie, a música que mais conta com essa influência é  “Remember You”, onde uma bateria mais rápida e guitarras tomam o lugar de sintetizadores e elementos eletrônicos. De qualquer forma, quem começa a ouvir “Still Waitting”, primeira faixa, já é introduzido ao disco em sua generalidade. A música começa paulatina, introdutória e tem uma cadência típica da música pop, sintetizadores ao fundo, além de uma melancolia muito forte no vocal. Ele canta, ou, fala de si mesmo, em “There’s a boy in trouble reaching for a piece of the sky“. O inglês também se vê como um garoto em “See It So Clear”, som que passeia entre tristeza e vivacidade, simultâneas, nos coros dos seus pouco mais de 4 minutos. Cheia de quebradas,  ela faz um panorama da vida de Tom aos 17anos, com sua vida atual, aos 37.

Outra faixa que realça o caráter pessoal e também faz alusão à infância é “The River”. Tom compara a vida a um rio e entoa “I’m walking down the empty streets we used to know, With all those teenage dreams”. Instrumentalmente “The River” é um pop pleno, tem refrão ritmado e elementos sintetizadores que lembram hits oitentistas. O sentimentalismo muda de tema em “Hold On To Our Love”, uma balada, apoiada no piano, que trata do amor entre duas pessoas. Violinos também constroem toda a consternação amorosa. O piano também embala “Bring The Rain”, reafirmando, ainda mais, o perfil melancólico de The Wave.

A faixa 11, homônima ao disco, faz uma analogia entre nosso trajeto durante a vida e o movimento do mar. Tom Chalin diz que será carregado por uma onda de forma pausada, com entonações alongadas, recheadas de sofrência. Um coro ao fundo dá um caráter encerratório, simetrizando o disco com sua primeira faixa, a já citada “Still Waitting”, que tem caráter introdutório. Em “Worthless Words”, balada com piano e voz, há culpa e resignação diante da dor. Parte da obra feita por Tom Chaplin veio à tona justamente por conta de seu estado depressivo, ansioso e culposo. Além do mergulho em um trabalho novo, ele buscou superação após o nascimento da filha, em 2015, e deixou claro esse sentimento em uma homenagem à ela, na canção “Quicksand”.  O músico não faz muitas pausas enquanto canta, talvez por ter coisas demais a dizer à filha, entre elas, “Your dreams will come true”.

A única canção onde se ouve claramente um violão é em “Solid Gold”, exaltando o caráter mais pop e computadorizado do disco. Trata-se de uma carta de agradecimento:  “And now I see it, now I’m certain, I see you with my eyes opened, Trusting that our love, Our love is enough”. Apesar de o ex-Keane não ter fugido muito da fórmula usada em sua antiga banda, os fãs também podem agradecer por The Wave. A coragem em dispor de um trabalho tão pessoal e profundo deve ser exaltada. A fórmula pode ser velha, mas certamente há um novo Tom Chaplin.

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