TOPS - Picture You Staring

TOPS
Picture You Staring

Arbutus Records

Lançamento: 08/09/14

Picture You Staring é o segundo disco do quarteto canadense TOPS, um grupo cuja música parece não levar em consideração os últimos 20 e poucos anos. A sonoridade anos 80 do quarteto já era aparente em seu álbum de estreia, Tender Opposites, um álbum divertidinho cujas canções, no entanto, não estavam à altura de sua produção retrô. Para seu segundo trabalho, porém, o grupo afiou todos os aspectos do seu som e compôs um álbum excelente, que não fica devendo muito aos lançamentos mais icônicos do pop daquele período.

Não são poucas as bandas que tentam emular o som dos anos 80. Dá pra lembrar, imediatamente, do Ariel Pink, John Maus e Mac DeMarco, por exemplo.  Mas alguns fatores do som do TOPS impedem que eles se percam entre tantas outras. Um deles é o fato de as faixas serem extremamente bem construídas e diretas, cheias de belas melodias, batidas divertidas e ideias musicais interessantes. Canções como “Way To Be Loved” e a excelente “Change of Heart” trazem acordes inusitados e refrões imediatamente marcantes, que ficam na cabeça desde a primeira vez que você ouve.

Outro fator é a guitarra de David Carriere, que permite ao grupo reter a sensação de espontaneidade do seu som apesar da construção rigorosa das músicas. Ele recheia praticamente todas as canções com melodias e licks grudentos e dançantes. “Way To Be Loved”, “Blind Faze”, “2 Shy” e “Superstition Future” ilustram bem essa capacidade, assim como a tranquila “Sleeptalker”, que é conduzida praticamente só pelo guitarrista, com a ajuda de uma levada bem suave de bateria.

Além disso, a banda consegue ir além dessas faixas divertidas e imediatas e diversificar bastante a audição. Músicas como a linda “Outside” e a ótima dobradinha “Driverless Passenger” e “Destination”, que fecha o disco maravilhosamente num clima de doce melancolia, são guiadas por densos sintetizadores e pela linda voz de Penny, e deixam a guitarra de Carriere em segundo plano sem prejuízo nenhum; mudam o clima do disco para algo um pouco mais sério, e poderiam ter entrado para a trilha sonora de alguma comédia romântica dos anos 80. Também servem para destacar a voz de Penny: soa como aquela menina tímida que canta bem pra caramba, e suas melodias e harmonizações embelezam todos os momentos do álbum. “Easier Said”, a mais longa, com uma levada meio reggae, meio The Police, também se destaca do resto das músicas mais diretas.

Mas nem todas são sucessos absolutos: “Circle The Dark” tenta demais ser grudenta e retrô, e não dá muito certo, e as diversas mudanças de andamento e pausas de “All The People Sleep”, embora interessantes, acabam destoando um pouco da objetividade e imediatez do restante do trabalho. Mesmo elas, porém, poderiam ser destaques se aparecessem em álbuns menos criativos.

A produção cuidadosa, que dá ao disco um som caloroso e calculadamente antiquado, não seria nada se não fosse essa riqueza musical que a banda traz. Assim, Picture You Staring consegue a proeza de combinar uma sonoridade interessante com canções bem construídas, divertidas e grudentas, no melhor sentido possível.

1 Comentário para "Picture You Staring"

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