Toro Y Moi – Underneath The Pine

A introdução climática “Intro Chi Chi”, do novo disco do Toro Y Moi, deixa a impressão errada de que, somente um ano após a estreia da banda de um homem só, o talentoso Chazwick Bundick se acomodaria e lançaria “apenas” outro filhote da psicodelia e do experimentalismo à la Animal Collective que permeou seu debut. Em Underneath The Pine, o jovem americano de apenas 24 anos não só abraça mais uma vez a onda chamada chillwave, como agrega elementos orgânicos que encorparam o som e deram um toque de acessibilidade gigantesco ao seu novo trabalho.

Diferentemente das várias camadas sonoras que ditavam a sonoridade meio lúdica de Causers Of This, lançado no começo de 2010, Chaz já mostra que veio com várias cartas na manga logo na segunda faixa, a agradável e de nome bem coerente “New Beat”, que, não por acaso, é um dos singles do novo álbum. E a sensibilidade pop do rapaz se mostra ainda mais aguçada ao longo do LP: “Go With You” tem vocais ecoados e vários instrumentos simultâneos – o que dá um ar de “caos organizado” que se fará presente por mais algumas vezes em Underneath The Pine.

“Before I’m Done” começa com dedilhado inofensivo de violão, mas aí entra a voz serena de Chaz e a canção cria corpo. Na sequência, “Got Blinded” e “How I Know” mostram como os já citados elementos orgânicos fizeram bem ao Toro Y Moi – dá pra imaginar facilmente uma banda em estúdio tocando as faixas, com o baixo fazendo linhas espertas e pegajosas enquanto guitarras e bateria criam ambientações com um toque charmoso de pop retrô embalado por teclados sempre marcantes.

Mais pro fim do disco, ainda dá pra encontrar pequenas pérolas como “Still Sound”, que é dessas músicas que estão pouco se importando para seu estado de espírito ou lugar em que você se encontra – ela simplesmente irá ignorar esses fatores e fará você balançar a cabeça e bater o pézinho. Sério, não tente resistir ao groove minimalista disparado pelo baixo em seus pouco mais de 4 minutos.

Fechando o álbum, “Elise” e sua longa duração não deixam dúvidas quanto ao talento e potencial de Chazwick Bundick. Juntando sua experiência e influência, o cantor/instrumentista acrescenta elementos a bel-prazer por 6 minutos – e durante boa parte do tempo, eles andam num ritmo quase que monotônico, mas sem soar cansativo. Pelo contrário, desembocam em refrão que só faz aguçar a vontade de voltar o mais rápido possível para a primeira faixa. Afinal, não é sempre que surge um artista capaz de se reinventar e soar tão bem em um período de um ano – ainda mais quando essa reinvenção vem do próprio, e não de exigência de (falta de) público ou gravadora infeliz com trabalhos anteriores.

Com Underneath The Pine, Toro Y Moi soa como uma caminhada gostosa na praia em um fim de tarde, com um ventinho passando e deixando a sensação de que muitas coisas não precisam, necessariamente, ser levadas tão a sério. Até porque, principalmente em 2011, já tem muita banda por aí desesperada e na tentativa de voltar a fazer algo relevante. Mas isso é assunto (polêmico) pra outra hora. Por enquanto, o melhor a se fazer é deitar numa rede e relaxar.

  • Vitor

    Boa Neto!! Fiquei curioso, vou ouvir, hehe.

  • Esse album é bom mesmo…
    Vi um dia desses o clipe de “Still Sound” e fiquei curioso, procurei e ouví o disco
    e não me arrependí…

  • Daniel Corrêa

    Discaço! Daqueles que você não sente o tempo passando.

    “Before I’m Done” é linda!

  • Neto, no ultimo parágrafo vc quis alfinetar o Strokes – a banda que não se pode falar mal?!

  • A propósito, “Still Sound” é um som gostosin!! 🙂

  • Haha, entre outras, Candinha. Tô vendo eu despertando a ira de muitos fãs com uma possível futura resenha sobre o “Angles” =)

  • Ouvi hoje o disco pela primeira vez e já dá pra falar que é uma das melhores coisas de 2011. Tem referências ao trip hop e mesmo às bases de hip hop, o que torna o som algo único.

    Só não percebi muito essa semelhança estética com o Animal Collective, mas o Bundick já conseguiu me cativar de primeira, o que já é algo estimulante.

    Bacana a crítica…..abraço!!!