Três dicas para o fim de semana: Fat White Family, Jackson Scott e East India Youth

fat white family - by Lou Smith

Foto: Lou Smith

São sujos. Não, são imundos. Parecem ter caído do Paraíso, se este fosse o mesmo lugar que gerou os Butthole Surfers ou o The Birthday Party. Saul, o guitarrista que divide a tarefa dos vocais com Elias, é banguelo, e todo mundo dessa banda parece estar sofrendo de hepatite. Meu colega de trabalho só aguentou assistir até aos 2:15 do vídeo do single “Cream of the Young”, enquanto eu já tinha visto o vídeo pela quarta vez consecutiva. Mas deixe-me tentar explicar o porquê dessa afeição que só parece crescer: Fat White Family é personificação de todos dejetos culturais acumulados após longos anos de constipação, um enema. Uma vez na história o rock, ou melhor ainda, o indie, já foi perigoso, antagonista: ao se falar em LUZ, gritaria TREVAS. Era uma ameaça, algo que era evitado pelas massas porque jogava tudo de mais horrendo e obsceno de volta na cara do cidadão (des)honesto. O jogo mudou e agora o indie apenas reflete a capacidade humana para a mediocridade, para a complacência. As crianças estão bem, agora elas tem os seus Mumfords para falar por elas, não é? Graças a Deus, Fat White Family existe! Porque eles não usam o microfone para dizer sobre o que você está sentindo, eles são o que você nunca pensou que pudesse existir.

jackson scott

Esse excêntrico menino americano é autor da música mais sexy do ano, “Together Forever”: com um ritmo preguiçoso, a faixa traz a sensação de alívio que dá na gente quando depois de muito tempo imóvel, nos espreguiçamos, ou o quentinho que é sentido em sua barriga ao virar a esquina e encontrar o objeto de suas afeições. O minuto final com o ruído torrencial emitido pela guitarra é a experiência sensual sonora mais gratificante da semana, do mês, do ano, da minha existência. Jackson vai lançar o seu debut em setembro, chamado Melbourne. Antecedentes: “Slow”, do My Bloody Valentine, “Up In The Air”, do Husker Dü, e “In The Gold Dust Rush”, do Cocteau Twins.

east india youth

East India Youth é o nome de guerra do jovem William Doyle, e este faz música da qual eu gosto de chamar de post-soul – ecos do som daquela brilhante “cena” inglesa de Canterbury que nos deu a brilhante Soft Machine e nos apresentou às grandes mentes (e vozes) do genial Robert Wyatt e do poderoso Kevin Ayers (RIP). Doyle possui o mesmo grão destes mestres, a fragilidade do timbre que convém emoções – parece que a qualquer momento ele irá se desvair. Ele absorveu o seu ambiente cinzento e úmido do sul de Londres e o transformou em algo exótico, fantástico. O ritmo teutônico motorizado de Can com sintetizadores faz de “Heaven How Long” merecedora de múltiplas escutadas. “Coastal Reflections” contém samples da voz da moça que anuncia as estações de trem da linha sudoeste/sudeste: Clapham Junction, Croydon, Chichester, Southampton Central, London Victoria – é Autobahn para aqueles que fazem a jornada de trem/metrô. East India Youth é a melhor forma de escapismo aural. Amém.

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  • Chatonilda-Mór

    Bem pior do que Tame Impala! Aliás, eu curto T.I.

  • fernanda

    os Fat Whites sao épicos ao vivo. completamente loucos, eufóricos, junkies. melhor performance ever! melhor banda independente de londres atual.