Tropicália: Sua Origem e Influências

Num especial sobre o movimento explicamos aqui como tudo começou

Tom Zé, Caetano, caetano e Gil, Gal Costa e Os Mutantes são alguns dos artistas tropicalistas. Fotos: Google Images

Neste ano, teremos a comemoração de 50 anos de um dos movimentos culturais que marcou a década de setenta: a Tropicália.  Nascendo em um período conturbado do ponto de vista político no Brasil, onde estava em vigor o regime militar, que contava com uma forte presença da censura, principalmente em 1968, com a promulgação do Ato Institucional número 5, o tropicalismo apresentou diversas manifestações políticas, principalmente em sua estética.  Com inspiração no pop-rock de outros países, esse movimento ganhou um destaque na música brasileira, gerando uma cultura que, anos depois, viria a ser extremamente importante para a história do país.

Foi no famoso Festival de Música Brasileira (1967), em São Paulo, que o movimento tropicalista teve seu início. Saindo um pouco do período da Bossa Nova, artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes deram partida para o tropicalismo ficar tão popular. No ano seguinte, o festival já foi denominado de tropicalista, sendo uma edição marcante, pois Tom Zé, um dos principais artistas desse período e que faz sucesso até hoje, apresentou a canção “São Paulo”, sendo um marco na história do evento.

Capa do disco que deu força ao movimento tropicalista. Foto: Divulgação

Ainda em 1968, tivemos outro grande destaque dentro da tropicália. Os artistas Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Gal Costa, Nara Leão e Os Mutantes lançaram o disco Tropicália ou Panis et Circensis, virando um sucesso de vendas e sendo considerado o 2º melhor álbum da música brasileira pela revista Rolling Stone.

Uma das canções mais conhecidas desse movimento é “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso. Sua letra não apresentava um sentido óbvio e se preocupava com os problemas da juventude da década 60, como o afligimento com a violência da ditadura e o desejo de romper barreiras.

Influências

A Tropicália não foi um movimento musical, mas sim cultural. Outras expressões artísticas, como artes plásticas e o cinema também foram influenciadas por ela, mas foi na música, principalmente, onde ela ganhou notoriedade e se consolidou dentro de nossa cultura.

Responsável por romper barreiras com as artes da década de 60, suas composições eram criativas e inovadoras, e muitas vezes tinham um ar de poesia.  Ouvindo as canções, percebe-se influências do rock, brega, pop, música erudita, entre outros. A utilização da guitarra, muito popular no rock dos Estados Unidos e da Inglaterra, despertou algumas críticas dos defensores de outros estilo musicais brasileiros, como a bossa nova. Mas sua importância dentro de nosso contexto foi tão grande, sendo possível afirmar que a maior parte das músicas dos anos 70 no Brasil, mesmo de forma indireta, tiveram influência do movimento tropicalista.

Mas o que diferencia mesmo a Tropicália como um momento único para a história do país é a presença da cultura brasileira. O berimbau, as vozes, o português e as influências da antropofagia de Oswald de Andrade, por exemplo, fazem com que esse movimento ultrapasse as barreiras do que se tinha no país em termos de arte.

Os tropicalistas acreditavam que sua estética inovadora e as mudanças propostas dentro do cenário cultural brasileiro eram uma forma de protesto. Suas roupas eram coloridas e extravagantes, já suas performances eram complexas e chocavam os mais conservadores. De fato, foi uma verdadeira mudança dentro do cenário cultural que subverteu os padrões estabelecidos na época.

Esse movimento, ao longo dos anos, acabou sendo reprimido pela ditadura e teve seu fim após a prisão de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Mesmo ganhando visibilidade por poucos anos, ele se tornou um verdadeiro marco na cultura do Brasil, sendo responsável por influenciar inúmeros artistas de décadas posteriores.


 

Esse texto é uma parceria com o blog Uppermag

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