Aug 29 2009
Trote do Móveis Coloniais de Acaju X mau humor da Época
A história é a seguinte: Há muuuito tempo, quando surgiu com um nome bem exótico, o Móveis Coloniais de Acaju – que você já conhece – começou a caçar uma explicação para o título excêntrico. Não achou. Por isso, foi criada e espalhada a “Revolta do Acaju”, que teria acontecido na Ilha do Bananal, em Tocantins, em 1813, como uma possível explicação para o nome do grupo. A falsa história (porque “estória” é meio feio) foi repassada por blogs, sites, programas de TV e revistas de circulação nacional, sempre com o status de verídica.

Foto: La Cumbuca
Incomodada com o trote e se gabando de um péssimo humor, a Época investigou a história e constatou, depois de conversas com historiadores, Esdras Nogueira (membro), David Nogueira (suposto primo de Esdras) e Leonardo Bursztyn (ex-membro), que a revolta foi, na verdade, uma invenção do grupo. A matéria completa está no site da revista. Vale destacar aqui o último parágrafo do texto:
O trote da banda Móveis Coloniais de Acaju é desrespeitoso com os índios javaés, da Ilha do Bananal e do Estado de Tocantins, que têm uma história rica, que merece ser tratada com seriedade. Poderia ter sido apenas uma brincadeira de mau gosto. Mas seus integrantes se aferraram à mentira, mesmo tendo sido confrontados à verdade. Eles se divertiram com a farsa durante muito tempo, mas, como disse Bursztyn, “já estava na hora” de a verdade ser conhecida. David Nogueira, se realmente for mestre de história, mostrou pouco caso com a matéria que estuda ao compactuar com uma fraude e dizer a ÉPOCA que haveria “referências” indicando a real ocorrência da tal Revolta do Acaju. Na era da internet, trotes como esse acabam virando “fato”. Muitos jovens estão acostumados a tomar como verdadeiro tudo o que leem na internet. Pelo bem de seus fãs, a Móveis Coloniais de Acaju faria bem em ressalvar no seu site que a história que contam é fictícia, agora que a brincadeira foi esclarecida.
Andrea Fontenelle e Livia Deodato, autores da reportagem, não me parecem ter a mente tão aberta quanto o nome da coluna propõe. Sei lá, acho que o “trote grosseiro” não teve a intenção de ferir os sentimentos dos índios javaés, até porque – sem querer subestimar o sucesso dos Móveis – imagino que eles não tenham o hábito de ouvir ou ler sobre Ska brasiliense. Pra fazer ainda mais graça da situação, estão rolando no twitter as hashtags #revoltadoacaju e #euacredito. Achei engraçado.




















Que ridículo HAIUHAEUIEAHIUEAHIUAEHIUAEH
Respeitem os indiEs Javaés, pessoal. Por favor, né?
Os tiozão da revista Época ficaram ofendidos com um trote histórico? Depois falam “Internet Serious Business”…. ahuhuauahauhauhuhuhah
Putz, que recalque! HAHAHHA
Queria ver esses caras lidando com o Dylan.
euachoabandapéssima/prontofalei
Não subestime os índios javaés, eles também ouvem pós-rock cearense e guetto-tech sulista.
Acho graça a wanna-be Veja se doer por causa de uma brincadeira que requer um senso de humor que só pode vir da inteligência (ausente ali!) e ficar dando uma de moralista, ao invés de simplesmente calarem a boquinha à respeito de algo que nunca tiveram a intenção de compreender, e sempre estarão de fora, a cena independente brasileira!!
Não me espanta que jornalista não precise de diploma…