Trote do Móveis Coloniais de Acaju X mau humor da Época

A história é a seguinte: Há muuuito tempo, quando surgiu com um nome bem exótico, o Móveis Coloniais de Acajuque você já conhece – começou a caçar uma explicação para o título excêntrico. Não achou. Por isso, foi criada e espalhada a “Revolta do Acaju”, que teria acontecido na Ilha do Bananal, em Tocantins, em 1813, como uma possível explicação para o nome do grupo. A falsa história (porque “estória” é meio feio) foi repassada por blogs, sites, programas de TV e revistas de circulação nacional, sempre com o status de verídica.

moveiscoloniaisdeacaju

Foto: La Cumbuca

Incomodada com o trote e se gabando de um péssimo humor, a Época investigou a história e constatou, depois de conversas com historiadores, Esdras Nogueira (membro), David Nogueira (suposto primo de Esdras) e Leonardo Bursztyn (ex-membro), que a revolta foi, na verdade, uma invenção do grupo. A matéria completa está no site da revista. Vale destacar aqui o último parágrafo do texto:

O trote da banda Móveis Coloniais de Acaju é desrespeitoso com os índios javaés, da Ilha do Bananal e do Estado de Tocantins, que têm uma história rica, que merece ser tratada com seriedade. Poderia ter sido apenas uma brincadeira de mau gosto. Mas seus integrantes se aferraram à mentira, mesmo tendo sido confrontados à verdade. Eles se divertiram com a farsa durante muito tempo, mas, como disse Bursztyn, “já estava na hora” de a verdade ser conhecida. David Nogueira, se realmente for mestre de história, mostrou pouco caso com a matéria que estuda ao compactuar com uma fraude e dizer a ÉPOCA que haveria “referências” indicando a real ocorrência da tal Revolta do Acaju. Na era da internet, trotes como esse acabam virando “fato”. Muitos jovens estão acostumados a tomar como verdadeiro tudo o que leem na internet. Pelo bem de seus fãs, a Móveis Coloniais de Acaju faria bem em ressalvar no seu site que a história que contam é fictícia, agora que a brincadeira foi esclarecida.

Andrea Fontenelle e Livia Deodato, autores da reportagem, não me parecem ter a mente tão aberta quanto o nome da coluna propõe. Sei lá, acho que o “trote grosseiro” não teve a intenção de ferir os sentimentos dos índios javaés, até porque – sem querer subestimar o sucesso dos Móveis – imagino que eles não tenham o hábito de ouvir ou ler sobre Ska brasiliense. Pra fazer ainda mais graça da situação, estão rolando no twitter as hashtags #revoltadoacaju e #euacredito. Achei engraçado.

  • Gui

    Que ridículo HAIUHAEUIEAHIUEAHIUAEHIUAEH

  • Respeitem os indiEs Javaés, pessoal. Por favor, né?

  • Eduardo Azeredo

    Os tiozão da revista Época ficaram ofendidos com um trote histórico? Depois falam “Internet Serious Business”…. ahuhuauahauhauhuhuhah

  • Léo

    Putz, que recalque! HAHAHHA

    Queria ver esses caras lidando com o Dylan.

  • euachoabandapéssima/prontofalei

  • Não subestime os índios javaés, eles também ouvem pós-rock cearense e guetto-tech sulista.

  • Raphael Pereira

    Acho graça a wanna-be Veja se doer por causa de uma brincadeira que requer um senso de humor que só pode vir da inteligência (ausente ali!) e ficar dando uma de moralista, ao invés de simplesmente calarem a boquinha à respeito de algo que nunca tiveram a intenção de compreender, e sempre estarão de fora, a cena independente brasileira!!
    Não me espanta que jornalista não precise de diploma…