Two Door Cinema Club – Beacon

– Você era tão mais interessante quando jovem.
– Mas foi isso aqui que restou. E agora?

E agora que você não tem o direito de exigir tanto de um segundo disco do Two Door Cinema Club. Tourist History é divertido, principalmente para uma banda de estreia, mas e daí? A banda nunca mostrou uma profundidade maior do que aquilo; nunca pareceu mais interessante do que seus singles ou expressou qualquer momento ao vivo que nos levasse a crer que teríamos aí um novo álbum impressionante. Se o debute funcionava praticamente como um revival do começo da década passada, o segundo trabalho também acaba funcionando como funcionou pra maior parte das bandas que inspirou os irlandeses: decepcionante. Ok. Vou com mais calma. Só quis provar pra mim mesmo que ainda dá pra ser um pouco inconsequente e jovem pra entender por que o Two Door Cinema Club não voltou com esse comportamento para seu “teste do segundo disco”.

O teste do segundo disco é uma tremenda bobagem. Não há nada que uma banda precise provar quando volta para um novo lançamento – digo, nada diferente do que não precise provar em todos os outros. A verdade é que, realmente, pra uma estreia a banda tem toda sua vida pra compor e escolher as melhores canções, enquanto pro segundo disco tem um par de anos, por exemplo, e isso pode se tornar realmente um desafio. Outra coisa que popularizou o tal teste foi a desconfiança e má vontade de uma parcela de críticos, que sempre se mostram loucos e empolgados pra lançar a nova banda que só eles conhecem, e depois ficam preguiçosos o suficiente pra não acompanhar o rumo que a banda tomou, pois é muito mais fácil se focar nos tropeços da mesma. Com o Two Door Cinema Club não será diferente, provavelmente.

Ao lançar seu novo single, “Sleep Alone”, como uma prévia do novo álbum, a desconfiança já nascia: a música mostrava um potencial para ser a pior faixa do debute, caso estivesse lá. Apenas um single mal escolhido – esperançoso, pensei, e infelizmente, estava errado. “Sleep Alone” figura como uma das melhores de Beacon, e isso só prova a baixa qualidade do álbum, principalmente se comparado ao Tourist History.

“Next Year” até que abre o disco bem. Apesar de sua introdução eletrônica dispensável, a música engrena e traz um bonito momento de cadência que insere o refrão num contexto adorável. Apesar de já perceptível, a mudança da banda não parece incomodar até então. A letra acaba tendo um tema bem abrangente como todas as apresentadas pelo grupo. O ritmo dançante se mantém, apesar de mais contido. Os timbres não soam mais tão interessantes e nem a canção tão divertida, mas é uma boa faixa para abrir o disco (melhor escolha do que para o single), e é lamentável que o álbum não consiga manter a qualidade.

“Handshake” , “Sun” e “Beacon” são músicas que não mostram absolutamente nada de marcante e, ainda por cima, contam com uma produção vergonhosa – não onde necessariamente faltou capricho, mas faltou inspiração. “Wake Up” e “Pyramid” podem lembrar os arranjos do Foals em alguns momentos e rumam para refrões que as tornam dispensáveis. Elas também acabam soando envelhecidas demais, assim como “Settle”. Falta aquele ar de novidade que fazia a banda ser algo refrescante.

E então nos deparamos com “The World is Watching” onde, logo em sua introdução, sentimos que a banda irá buscar aquela aura de uma “Something Good Can Work” ou “What You Know”. Mas não se anime: a música não evolui como o esperado e acaba chegando num refrão vergonhoso – não exatamente pelo que diz, mas a participação feminina especial de Valentina (quem?) vai fazer você querer sumir entre os fones de ouvido, mesmo não parecendo possível se esconder assim.

A sensação que fica é que, se existisse mesmo um teste do segundo disco, o Two Door Cinema Club seria reprovado sem direito a um prova de recuperação. Não porque quero ser maldoso com eles, ou porque há momentos onde acabam lembrando um Keane (sim, falo do vocal) gravando o pior disco que a banda ainda nem chegou a lançar, mas porque não há nada para recuperar, visto que não estamos falando de uma grande banda que caiu com um grande tropeço.  O que resta é torcer para não seja tarde demais para o trio se encontrar novamente naquele perfil mais jovem que tanto agradou em sua estreia – algo que funcionava exatamente por ser apenas descontraído. A responsabilidade pesou e trocar a diversão pela seriedade não ajudou em nada o TDCC passar nessa prova.

  • Will

    Respeito sua opinião, e já li algumas críticas sobre o disco. Não consigui ver onde vem esses pontos contra Beacon (nem a “má produção”). Na verdade quando elogiam o Tourist History em comparação ao novo disco, acho que as pessoas estão elogiando os singles, porque o álbum por inteiro não tem nada de tão especial a ser superior ao novo disco. O novo material não tem faixas hit no estilo “Undercover Martyn” e isso deve ter decepcionado muita gente certamente. Na minha humilde opinião, Two Door continua numa linha diagonal promissora e crescente com esse segundo álbum. Arriscaram um álbum com mais maturidade e mais contido, apesar de que a criatividade poderia ter fluído muito mais.

  • LUIZ AUGUSTO ROCHA

    OUVIU “SOMEDAY” ??

  • Sim, todos nós esperávamos muito mais dessa banda que mostrou um enorme potencial em seu debut, mas essa crítica não condiz com a realidade. “Beacon” não chega perto do “Tourist History” em diversos quesitos comparativos, mas também não alcança o nível de um disco ruim.

    Acredito que o choque, pela surpresa de ter encontrado um segundo álbum mais maduro e sem a presença de “hits”, o levou a essa opinião. Ouça o disco mais vezes, procure entende-lo. Talvez tenha sido isso o que faltou para que você percebesse que, assim como quase todas as bandas que possuem pelo menos dois discos, o TDCC também mudou.

  • Will, concordo com o que disse: “Tourist History” não tem realmente nada muito de especial, apenas bons hits. Se se a banda praticamente se resumia a isso, não conseguiu manter a qualidade, na minha opinião. Ah, e não é uma “má produção”, é uma produção preguiçosa. =]

    Luiz Augusto, ouvi sim, ouvi todas. Mas não achei relevante citá-la.

    P Baffa, ouvi bastante o disco. Desde que vazou, praticamente só ouvi ele. Não é questão de condizer com a realidade, é só uma opínião. Agradeço a sua, mas não concordo que seja um álbum mais maduro. Apenas mais sem graça… pode acreditar que me esforcei BASTANTE pra entender o que seria essa evolução.

  • Will

    Iberê, na verdade eu não disse isso. Quiz dizer que Tourist History não tem nada de tão especial como um todo que não consiga ser superado pelo Beacon. Eu acho Tourist History ótimo. Não acho que a banda se resume só a bons hits, a prova disso pra mim é o novo disco. Mas entendo sua decepção, não deve ser o único.

  • Luiz Junior

    Esse novo disco realmente num agrada e nem vai agradar quem esperava os pop hits fáceis do Tourist History. Só que algumas pessoas o entenderão como algo diferente e outros simplesmente odiarão por não ser igual

  • Alini Pinto

    Eu não sou critica de música nem nada, sou apenas a pessoa que curte as músicas que a banda faz, mas acho que quem ler isso vai achar que BEACON é o pior album do Two Door Cinema Club e nem vai querer ouvir ou já vai escutar de má vontade sendo que BEACON é um album muito bom, ele não me decepcionou, foi algo esperado ! Quem foi aos shows da banda já escutou o Handshake que foi muito bem recebido pelo público, pelo menos o carioca. Para mim Two Door Cinema Club é o tipo da banda que produz músicas bem lights, dancantes, com uns ritmos diferentes e letras bem suaves, esse é o estilo deles então é até chato ver eles serem esculachados ;\

  • 0 difícil passo do segundo álbum…

  • Pingback: Blogs e sites nacionais criticam Beacon como um álbum que não alcança as expectativas. |()

  • Eduardo Pepe

    o primeiro disco era legal. Os singles eram bons e o resto era só OK, só que esse segundo é muito fraco – produção mediucre, letras bobinhas e vocal toleravel.