U2 - Songs of Experience

U2
Songs of Experience

Interscope Records

Lançamento: 01/12/2017

O U2 finalmente lançou Songs of Experience, sucessor – ou irmão? – de Songs of Innocence de 2014. O lançamento foi muito mais discreto se comparado à inusitada forma de divulgação de Innocence, um presente (de grego, segundo muita gente) que apareceu disponível para todos os usuários do Itunes.
O álbum tinha lançamento previsto para 2015, mas uma série de fatores externos como eleições americanas, crise dos refugiados e um acidente de bicicleta que quase impediu que Bono voltasse a tocar violão atrasaram o lançamento do disco.
Os nomes dos álbuns parecem refletir o que a banda gostaria de passar ao ouvinte através das músicas, a inocência que predominava nas palavras de Bono enquanto ele cantava sobre não haver fim para o amor em “California”, dedicava uma canção a Mandela em “Song for Someone” e afirmava que tudo fica bem no mundo dos sonhos em “Sleep Like a Baby Tonight” deu lugar ao pragmatismo que vem acompanhada da experiência.
A capacidade de se reinventar sempre foi algo a ser admirado no U2, as raízes inspiradas pelo punk no fim da década de 70 deram lugar ao frescor da new wave do começo dos anos 80, passando pelo rock de arena no fim da década. Nos anos 90, a banda ainda experimentou e flertou com elementos eletrônicos. A questão é: por que? A gente sabe que o Bono adora esse papel de pastor do rock e salvador da humanidade, mas a necessidade de se manter relevante em todas as décadas utilizando os artifícios que estão em alta no momento nem sempre resulta em um bom trabalho.

Abrindo com uma das faixas mais experimentais da carreira da banda, “Love is All We Have Left” conta com sintetizadores que vão dividir a opinião dos fãs enquanto Bono canta melancolicamente sobre o amor ser a única coisa que nos resta. Em “Lights of Home”, Bono canta sobre a mortalidade -provavelmente inspirado por seu acidente- enquanto conta com a ajuda das irmãs do HAIM nos backing vocals, os riffs e o solo também mostrar por que The Edge é um dos maiores guitarristas dos últimos trinta anos.
“You’re the Best Thing About Me” é uma das melhoras canções do disco, mudando para um tom mais animado e apresenta um baixo galopante de Adam Clayton durante os versos, antes de mudar o andamento no refrão enquanto Bono faz o bad boy dizendo que é o tipo de problema que você adora. “Get Out Your Own Way” também é carregada pelo baixo até explodir em um refrão com backing vocals grandiosos. A música encerra com uma espécie de discurso do rapper Kendrick Lamar, que já inicia a faixa seguinte, “American Soul” e seu refrão pretensioso (You! Are! Rock n’ Roll!) parece ter sido retirada de Acthung Baby, disco lançado pela banda em 1991. “Summer of Love” conta com toques de psicodelia enquanto Bono fala sobre a lembrança de uma Costa Oeste diferente daquela lembrada pelos outros, enquanto “Red Flag Day” é a faixa mais politizada do álbum.

“The Showman (Little More Better)” parece ser uma música descartada de algum dos primeiros discos dos Beatles, com melodia grudenta e descaradamente pop -digo isso da melhor forma possível-. “The Little Things That Give You Away” é o oposto do tom alegre da faixa anterior e conta com The Edge tocando sua característica guitarra cheia de echoes e delays que lembram a época do The Joshua Tree. “Landlay” mostra que Bono ainda consegue atingir notas altas, apesar de estar batendo na porta de sua sexagésima década de vida. “The Blackout” conta com backing vocals, baixo forte e ritmo dançante. “Love Is Bigger Than Anything In Its Way” é uma balada levada no piano com coral na segunda metade da música, a princípio é interessante, mas se torna monótona nas audições seguintes. O disco fecha com “13” -coincidentemente, a décima terceira música de Experience-, rearranjando a melodia de “Song for Someone” do disco anterior, o U2 fecha o projeto duplo que toma emprestado o título do famoso livro do poeta William Blake.
No geral, o disco apresenta uma banda multifacetada, que acaba atirando em muitas direções, mas não acerta todos os alvos. Se as músicas são reflexo dos discos, a inocência continua sendo superior à experiência. Resta apenas torcer para que o U2 ainda tenha algo a dizer para o mundo.

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