Vale a pena ir à Casa Natura Musical? Saiba mais sobre a nova casa de shows de São Paulo

Tulipa Ruiz em participação no show d’O Terno, na Casa Natura Musical. Foto: @foioluis

A Casa Natura Musical abriu há apenas duas semanas e fomos conferir na última quinta-feira (18), o show d’O Terno, em uma edição especial com metais e a participação da Tulipa Ruiz. Mas, falemos primeiro de como é o local, para depois contar como foi o show, ok?

A localização do espaço é muito boa. Fica bem próximo ao metrô Faria Lima, na Rua Arthur de Azevedo, 2134. É também muito fácil chegar ali de ônibus. O que deixa as pessoas um pouco desorientadas é que a entrada para o espaço é feita meio que no subsolo e não há nenhuma sinalização no local. E com a porta aberta para a parte de estoque, tinha gente meio perdida mesmo.

Depois de passar pela bilheteria, a primeira coisa que você encontra é uma série de produtos da Natura que você pode inclusive experimentar. Eu claro, não perdi a oportunidade e fiquei um bom tempo conversando com a Ariane, atendente supersimpática que me falou sobre um monte de coisas, explicou sobre os produtos e me deu dicas de beleza. Fofa!

E também rola de conhecer a linha Una de maquiagem e provar por ali mesmo. @casanaturalmusical #naturamusical #casanatura #natura

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O segundo passo é subir uma escada que tem uma parede com um jardim vertical, belo toque e chegamos ao palco. Embora seja um retângulo, o que geralmente me dá uma sensação de estar presa, o pessoal da Casa Natura conseguiu fazer um espaço bem agradável. Erraram ali na disposição. Com a casa cheia, temos filas e o primeiro bar fica bem próximo a escada. Daí, a pessoa já chegada de cara com um entrave.

Embora tenhamos um lugar aconchegante, os preços podem fazer com seus cabelos se arrepiam um pouquinho. Já que uma água de 300ml a R$ 7, é um valor que nem a Audio Club teve coragem de cobrar (ainda). Lá a água de 500ml sai por R$ 5. Já a cerveja, a única marca oferecida é a Heineken, é vendida por R$ 12. Preço que parece estar virando médio nas casas em São Paulo. Na já citada Audio, a cerveja é Budweiser oferecida aos clientes por terríveis R$ 15 e no Cine Joia, a Stella versão latinha sai por R$ 14. Já os sanduíches são de dar água na boca. Há duas opções no cardápio, pão de ciabata com presunto parma e rúcula (R$ 25) e pão integral com queijo minas e legumes (R$ 22), ambos vindo em três unidades. Não provamos, mas não deu água na boca?

O que não consegui entender muito bem é porque entregam a água e a cerveja em copos descartáveis. O que parece não fazer muito sentido com a própria marca, já que copos descartáveis são apenas mais um tipo diferente de lixo e um dos mais poluentes do mundo. O valor dos ingressos também é outra questão. Os valores em alguns shows são de R$ 60 (inteira – primeiro lote), o que é vamos combinar é muito alto para uma banda como O Terno, que tem um público jovem. Além disso, no meio de uma crise política e econômica, este valor pode ficar pesado para o orçamento.

O que não amei foi o palco, que poderia ser um pouquinho mais alto, porque ele fica muito na “cabeça das pessoas”, sabe? Daí, eu não conseguia ver a banda inteira e ficava vendo apenas da barriga para cima. O pessoal tenta resolver isso com um telão que fica nas laterais do palco. Ajuda, mas… Então, minha dica é assistir o show de pertinho se for muito fã ou do fundão. O mezanino também pareceu uma ótima opção, mas infelizmente não pudemos subir para conhecer. O som da Casa Natura é ótimo! E graças a Jah, uma casa em São Paulo em que podemos falar isso sem medo nenhum.

Sobre o telão, uma coisa, por se tratar de uma casa patrocinada por uma marca, é claro que tem um vídeo institucional e marca amiga fazendo propaganda. Mas, o porém é que não ficou muito orgânico, como a bela sacada que foi chamar o Tom Zé para dar os avisos antes de cada show. Dá para melhorar. Assim, como a ideia de ficar mostrando artistas da Natura em videoclipes é muito boa e a discotecagem estava classe A.

O show

Foto: @Foioluis

Dito tudo isso, a dica é ir conhecer, tá bem? Mas vamos ao show? O Terno entrou no palco às 22h, com atraso de meia hora, e, claro, arrasaram! (Isso, acho, poderia ser uma coisa que a Natura poderia levar a sério neste ponto. Vamos fazer shows pontuais, gente. Ninguém mais tem paciência para ficar meia hora em pé esperando a morte da bezerra.)

Como estavam acompanhados de três metais, o som do palco estava mais próximo do que você escutou no disco, mas como Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida (baixo) e Gabriel Basile (bateria), não são bobos nem nada, tudo ficou diferente! Eles fizeram novos arranjos para as músicas, inseriram guitarras, solos, introduções a la Mutantes e com certeza a versão animada de “Ai, ai, como eu me iludo” ficou só maravilinda!

Daí, teve a Tulipa, que entrou para cantar as músicas “Víbora” (dela) numa versão que lembrou demais Itamar Assumpção, “Culpa”, música que abre o disco d’O Terno, Melhor do Que Parece (2016), “Elixir” (também dela) e a que você viu acima, “Ai, ai”.

Com os últimos acontecimentos no país, o show acabou ganhando pequenos toques políticos. O primeiro é que a banda estava com uma ótima camiseta com uma imagem animada de Michel Temer (PMDB) e a palavra “O Golfista”. Gritos de “Fora Temer!” inundaram o espaço vindos da plateia. Ao passo que Guilherme disse: “Ele já caiu?”. Enquanto até a base aliada do senhor presidente quer que ele saia do poder, o cara fala que não renunciará. Temer, é simples, pede para cagar e sai, bicho.

A banda acabou falando pouco e se mostrou muito feliz de estar ali tocando na Casa Natura Musical, afinal, foi por conta do projeto que o grupo lançou seu terceiro disco. Além disso, é um espaço que trará a música brasileira para um patamar antes não explorado. Acho que a casa enfrentará problemas com a programação totalmente nacional, já que pelo valor que cobra de entrada, terá que investir em nomes de peso para atrair um público disposto a pagar de R$ 60 a R$ 200 para assistir um artista brasileiro. Este será um grande desafio.

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