Vampire Weekend - Modern Vampires Of The City

Vampire Weekend
Modern Vampires Of The City

XL Recordings

Lançamento: 14/05/13

O brilho da inocência e a glória da maturidade sempre foram itens de imagem turva e, de certa forma, mesclados quando o objeto observado era o Vampire Weekend. Experientes e jovens, estudiosos e desatados, pesquisadores e inconsequentes, experimentais e básicos – tudo isso foi o que deixou fácil pra liderarem um leva de bandas que eles mesmos influenciaram, com todo seu resgate e busca de elementos, e também serem figuras de referências para os hipsters assim como liderar Billboard americana.

Há uma fórmula que une tudo isso e constrói esse quarteto do Brooklyn. O que não era sabido é que ainda havia um caminho tão bem iluminado para a evolução de sua música, que parecia estacionada de certa forma, devido aos dois primeiros álbuns tão bons quanto similares. Sendo assim, não esperava ouvir Modern Vampires Of The City e encontrar nesse novo lançamento o melhor álbum já lançado pela banda, assim como o melhor registro musical do ano (até agora).

Em pouco mais de 40 minutos, o Vampire Weekend se exibe com 12 faixas que fogem, ainda que não totalmente, mas de maneira brilhante, do aspecto um pouco engessado que a banda exibia até então, mesclando influências do barroco ocidental com a dinâmica de ritmos africanos. Eles ainda utilizam essas suas referências, mas vão além. Até o método de gravação foi experimentado para que eles conseguissem transpor novas sensações – e não se referindo apenas ao que tinham feito até então, mas ao mercado fonográfico pop de forma geral e buscando a grandeza de registros mais antigos.

Se Ezra Koenig, vocalista e principal compositor ao lado de Rostam Batmanglij, nos disse que o terceiro álbum seria mais “sombrio” que os outros, talvez ele quisesse dizer que teríamos algo muito mais urbano do que, digamos, tropical, como era antes apresentado. E, se fosse isso, ele teria razão – contando boas histórias, com muitos arranjos baseados em piano, ainda abusando de sua boa percussão e criando climas fantásticos, o disco não chega a ser sombrio, mas possui uma atmosfera mais consistente do que qualquer outro trabalho do quarteto até então. A opção do Vampire Weekend por não ser só mais uma banda divertida não se transformou num sacrifício desmedido. Pelo contrário, parece que tomaram a melhor decisão que poderiam ter tomado – não apostando em uma alta popularidade, mas investindo em um trabalho realmente válido para a história do grupo e sua evolução.

A preocupação com cada arranjo e detalhe é o que valoriza ainda mais as belas melodias criadas. Não há outro nome que possa ser classificado como similar ao Vampire Weekend e apresente tal qualidade ou dedicação nesse âmbito. As canções ganham corpo e passeiam de mãos dadas umas com as outras, criando essa unidade que não permite que esse “novo” Vampire Weekend seja um objeto estranho – ainda iremos reconhecer claramente a banda e até alguns de seus vícios, mas eles serão mais adoráveis do que nunca!

Quase como um catálogo, você pode escolher entre aquelas que vão te colocar pra agitar, como a divertida “Diane Young” ou “Finger Back”, aquelas que vão balançar seus ombros (e sua cabeça), como a brilhante “Unbelievers”, “Everlasting Arms” ou a criativa “Ya Hey”, ou ainda com aquelas que te trarão um sorriso no rosto mesmo num dia mais nublado, como “Obvious Bicycle”, a introspectiva “Step” ou a realmente sombria “Hudson”. Por via das dúvidas, leve todas elas. Leve o álbum todo. Não há uma fórmula que calcule o preço de um disco como esse. A dedicação da banda, cada vez mais inventiva e precisa, é a garantia. E essa garantia, enfim, recebe o nome de Modern Vampires Of The City.

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