Lollapalooza Chile: veja fotos e saiba o que esperar da edição brasileira, que acontece no fim de semana

Foto: Gregório Fonseca

O Move That Jukebox marcou presença novamente no festival Lollapalooza, no Chile. Dessa vez, as principais atrações foram divididas com a edição brasileira do Lolla, e boa parte do que foi visto lá deve se repetir por aqui no próximo fim de semana.

As falhas de organização do ano passado foram superadas, e o festival teve uma infraestrutura que conseguiu atender bem o público de 115 mil pessoas. Filas pequenas nos banheiros, praças de alimentação, circulação fácil entre os palcos e nenhuma confusão. As maiores filas eram nos estandes dos patrocinadores, que distribuiram milhares de brindes como camisetas, óculos, bancos de papelão e acesso a camarotes exclusivos.

Move de verde e motorizado no Lolla chileno

O clima familiar permeou o Parque O’Higgins, com carrinhos de bebê e casais da terceira idade. Quase nada de policiamento – o que, pelo que se viu no local, não era mesmo necessário. E álcool zero, mais uma vez (nesse ponto ao menos, o festival brasileiro deve ser diferente – uma marca de cerveja é patrocinadora).

Henrique Sauer [HS] e Gregório Fonseca [GF] compartilham um pouco da experiência do festival e, de certa forma, mostram o que se deve esperar para o Lollapalooza Brasil.

Sábado, 31/03:

Gentleman: reggae forte pra esquentar o povo. Funcionou e levou uma galera pra curtir. [HS]

Gogol Bordello: o primeiro show com grande público do dia. Fez a tradicional micareta dos balcãs. Divertido e energético como sempre. O show, misturado com o calor escaldante foi meio tenso, mas não desanimou o povo. [HS]

Surtek: a arena ainda tava vazia, mas os caras mandaram muito bem. Puta som. [HS]

Thieverry Corporation: o show mais poderoso do dia pra mim. O baixo podia ser sentido na jugular. O rodízio de vocalistas é uma atraçao a parte e a musica é incrivel. Tocam no Rio de Janeiro essa semana. Imperdível. [HS]

Pretty Lights: ataques epiléticos por conta sequência de som e luzes. Sério. O cara é um DJ foda demais. Não deixou a pista, lotada, do ginásio parada por nem um minuto. [HS]

Crosses: decepção pra mim. Achei chatíssimo. [HS]

Cage the Elephant: já tinha visto há dois anos no Coachella pela primeira vez e lá foi uma surpresa. Hoje, nao é mais. Mas fazem um puta show de rock. Muito bom, muita energia do vocalista surtado. Não deixou de dar o mosh de sempre. [HS]

Arctic Monkeys: primeiro show com legião aborratada de fãs, que ficaram por horas em frente ao palco. Muito empurra-empurra e tal. Acho a luz do show ótima, mas é a mesma desde a turnê do penúltimo disco. O baterista sempre impressiona com o vigor, velocidade e precisão, mas já foram mais espontâneos – a banda soa um pouco ensaiada demais. E o Alex tá mais poser do que nunca. Muito afetado – o que nao é necessariamente um problema, mas deixa o shw um pouco frio. Repertório longo e bem aproveitado, mas é incrivel que quem segura são os dois primeiros discos. [HS]

Björk: “Gênia”. Uma beleza sem fim – mas você tem que comprar a viagem dela. Só dois músicos: um no computador, com algumas bases e sequências, e um baterista com equipamento todo tunado pro eletrônico (tinha um xilofone eletrônico foda). E a harmonia era toda feita por um coral de 17 loiras que cantam demais – e todas estavam vestidas de paetês dourados e azuis. Vídeo, som, voz… um show-conceito incrível. [HS]

Domingo, 01/04:

Lolla goes Vegas!

O segundo dia estava consideravelmente mais cheio que o primeiro: parece que as principais bandas foram escaladas para o domingo. E ainda tinha o Foo Fighters, que por si só já era capaz de carregar o festival sozinho nas costas em termos de público.

O Foster The People não foi escalado como headliner, mas reuniu o público bem cedo (o show deles foi às 13h30). Público este que não ficou parado mesmo sob um sol escaldante. “Pumped Up Kicks” encerrou o show em uma versão remix estendida. Na prática, essa música poderia ser tocada por uma hora seguida que não perderia seu poder. [GF]

Friendly Fires: pessoalmente, acho o primeiro disco genial e dançante, e o segundo chato. Isso se reflete no show. Uma montanha russa que ferve o publico com as antigas e cozinha nas novas. No palco, o vocalista continua requebrando até o chão – um show à parte. [HS]

Band of Horses: a banda estava mega feliz por estar ali. Não parava de elogiar o Chile, as pessoas e lugares. Se impressionaram com a grande resposta de um público que, apesar de não tão numeroso, estava super atento às musicas e aplaudindo muito todas elas. Um show bom e consistente – mas para fãs. [HS]

TV On The Radio: qualidade indiscutível ao vivo. Repertório priorizou o último disco da banda. Como no show do Band of Horses, não teve empurra-empurra, apesar do grande número de pessoas ouvindo a banda. [HS]

Clima familiar e agradável no Chile. Será que se repete por aqui?

O MGMT começou o show em câmera lenta, tão devagar que as pessoas foram desistindo de vê-los. Enquanto isso, boa parte do público se aglomerava para ver os Foo Fighters de perto e o Skrillex fazia a performance mais intensa do festival na arena eletrônica. O DJ, que até ganhou uma música dedicada por Dave Grohl, mostrou que pode ser uma das maiores atrações do Lollapalooza Brasil. [GF]

Joan Jett: abriu o show direto com “Bad Reputation” e “Cherry Bomb” levando o público à loucura. Apesar da sequência de 3/4 acordes e letras infanto-juvenis, a banda pareceu um tanto quanto fora de lugar (Joan cantou 4 músicas novas, precisando inclusive apoiar a letra num pedestal para ler). Mas a cantora é uma presença marcante no palco e esbanja vigor. Apresenta cada música contando uma pequena história. Em “I Love Rock n’ Roll”, contou com um coral firme do público. [HS]

O show dos Foo Fighters foi memorável, e Dave Grohl tem um carisma invejável. Guitarra de presente para um fã, criança no palco e declarações de amor entre os membros da banda. E a palavra “fucking” permeando cada frase do grupo. O único problema era a fixação em dizerem que seria um show longo, de duas horas e meia, o que na prática virava uma enrolação para que o show durasse o tempo programado. Ainda assim, eles eram os donos da festa: estavam lá pra isso e nenhum fã voltou insatisfeito pra casa. [GF]

Para saber mais sobre a história de Dave Grohl com a garotinha, dê um pulo aqui e veja, inclusive, um vídeo do momento histórico do show.

O Lollapalooza Brasil acontece no próximo fim de semana, nos dias 7 e 8 de abril, no Jockey Club, em São Paulo. O Move That Jukebox estará presente, acompanhando de perto todos os movimentos da estreia do mega festival americano em solo brasileiro. Fique ligado no site, no Twitter, no Instagram (user name: movethatjukebox) e no Facebook para acompanhar nossa cobertura.

Fotos: Henrique Sauer (veja mais imagens do Lollapalooza chileno em seu Flickr)