Vespas Mandarinas - Animal Nacional

Vespas Mandarinas
Animal Nacional

Deck

Lançamento: 09/04/13

A nostalgia é um sentimento comum naqueles que exaltam o rock nacional dos anos 80. É óbvio que foi o momento mais forte do estilo no país – bandas surgiam a rodo, incentivados por outras internacionais, copiando desde nome a riffs ou apenas sonoridade, ou mesma as nacionais, incentivando aquilo que era muito verdadeiro – o sentimento. Porém, isso não faz dessa a geração mais competente. O discurso de que era o momento mais inventivo se quebrou a partir do momento em que as próprias bandas assumiram (algumas sim, outras nem precisariam) que copiavam mesmo o que ouviam surgindo lá fora, por acreditarem que aquilo nunca chegaria a mais ouvidos além dos deles e da roda de amigos.

O discurso do valor da poesia é relativo – se o lirismo exacerbado de Renato Russo ou Cazuza é o que realmente valoriza um rock, o que se pode dizer de compositores (no sentido da poesia) como Paul McCartney, que valorizam o simples? Fica claro que tudo isso é questão de opinião e gosto – aliás, como qualquer outra coisa quando o assunto é arte. A única “verdade absoluta” é que o Vespas Mandarinas, quarteto brasileiro, escolheu a “era-de-ouro” que, segundo os mesmos, é o rock nacional dos anos oitenta, para guiar sua sonoridade em seu álbum de estreia Animal Nacional. Essa é a verdade deles. E a verdade, para mim, é que a melhor música desse disco se trata de uma versão de um rock uruguaio lançado no ano de 2006. Irônico?

Chuck Hipolitho, um dos dois compositores da banda, também VJ da MTV, assume a frente da banda para entoar sua versão de “Ya No Sé Qué Hacer Conmigo”, dos uruguaios do El Cuarteto de Nos. A versão “Não Sei O Que Fazer Comigo” soa boa e bem similar à original – perdendo apenas na produção do arranjo e na originalidade, claro. Não sendo apenas uma tradução, apesar de ser em grande parte do tempo, Chuck insere na canção algumas experiências próprias que se confundem com aquelas do autor original. Dá graça à versão e soa como uma boa novidade para quem não conhecia a original – algo a similar ao que o Paralamas do Sucesso fez, e depois o Capital Inicial refez, para apresentar a versão de um rock latino, no caso “De Musica Ligera” dos argentinos do Soda Stereo. A inspiração iria tão longe assim? Não só com as bandas dos anos 80, você perceberá ao longo do disco.

O disco se inicia com a crua “Cobra de Vidro”, da outra metade compositora Thadeu Meneghini. Simples e reta, a música tem um refrão forte, mas motivos não faltam pra essa canção não te pegar, e uma delas é o compositor como intérprete (e ele já tinha tentado antes a frente do Banzé) – Chuck se mostra mais carismático para tal cargo. Thadeu volta para a constrangedora “Santa Sampa”, terceira faixa do disco. A interpretação oitentista funciona como uma leitura de uma faixa ruim de Angles, do Strokes – timbres similares e a mesma sensação de desnecessário fará presença. Thadeu, aliás, quase não acerta no disco, seja como intérprete ou compositor. “Distraídos Venceremos” tem a suavidade, ainda que sua poesia não convença, que falta para a stoner “O Inimigo”, que soa forçada.

Já Chuck ainda consegue “acertar mais”, com as ensolaradas “O Amor E O Ocaso” e “A Prova”, que leva a letra de Arnaldo Antunes. “O Herói Devolvido” ainda te agarra um pouco por seu potencial chiclete, apesar de não ser nada brilhante. Só que esses acertos não salvam o álbum. Mas talvez esse nem precise ser salvo, assim como o rock também não, apesar da banda parecer querer nos convencer disso da maneira mais equivocada possível.

A nostalgia já se faz visível também naqueles que sentem falta do rock nacional dos anos 90 (você poderá sentir isso em alguns comentários de vídeos no Youtube) e, em breve, dos 2000. Ou será que isso já acontece? Provável. Basta o tempo passar para novos “salvadores do rock” surgirem para nos empurrar goela abaixo de volta tudo daquilo que ainda nem conseguimos esquecer o sabor. Só que, por vezes, essa opção é indigesta demais e fica esse mal estar. É o caso de Animal Nacional.

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  • @fernahh

    Para não dizer que discordo de todas as palavras desse post, concordo que a versão de rock uruguaio é a melhor música do álbum.

    Pelas palavras que o autor usou para se referir ao rock nacional dos anos 80, dizendo que tudo é copiado de fora, são as mesmas palavras de quem não conhece as bandas da década. Melhor dizendo, são palavras de quem conhece os hits e nada mais.

    Segunda coisa que tenho a falar é a respeito dos comentários sobre o Thadeu. Quando refere-se sobre Cobra de Vidro com “motivos não faltam pra essa canção não te pegar” é no mínimo contraditório, já que foi a música que Rafael Ramos (produtor) ouviu e decidiu contratar a banda e, além disso, é a música que está tocando no rádio.

    Depois você parte para o outro compositor e diz que o Chuck “acerta mais” em suas canções. O comentário que eu tenho é: AINDA BEM QUE ELE NÃO ACERTOU! Chega de canções certinhas onde tudo é perfeito. “Herói Devolvido” fala isso, “o que faz falta é o defeito”. 🙂

    Por fim, ninguém quer empurrar nada goela abaixo. As Vespas Mandarinas, como toda banda, está pedindo para quem quiser ouvir o álbum que ouça. Ninguém é obrigado a engolir. A internet está aí para diversificarmos e ouvir o que queremos.

    PS: isso não é um afronto ao Move That Jukebox nem pro autor, é só uma crítica contrária que (na minha opinião) eu iria querer ler caso tenha curtido o Animal Nacional.

    Abs,
    @fernahh.

  • Benke Ferraz

    Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe que o produtor não “contratou” a banda por causa de música alguma… e muito menos a música tocar no rádio significa que ela seja boa.

    Esse CD é constrangedor, realmente.

  • @fernahh

    Benke Ferraz, saca isso:

    “Quando lançamos o nosso primeiro EP, foi essa música que chamou a atenção do Rafael Ramos, da gravadora que nos contratou.”

    Fonte: http://noize.virgula.uol.com.br/faixa-a-faixa-vespas-mandarinas/

    E sobre a música tocar na rádio eu não disse em momento algum que ela é boa por isso, foi um argumento que usei para dizer que, “motivos não faltam pra essa canção não te pegar” não é válido, já que se ela está tocando na rádio é porque agradou uma maioria 🙂

    Agora se é constrangedor, é só não ouvir, e teus problemas acabam. Simples!

  • @clebsch

    Constrangedor é a mídia divulgar bandas, cantores e afins só para fazer dinheiro.

    Constrangedor é ler uma matéria falando mal de uma banda que esta fazendo um som diferente do que é lançado pela mídia.

    Sem falar que em nenhum lugar diz que é proibido fazer uma versão de uma musica que tu curti, se fazer versão de uma musica é errado então todo o material de tributo a uma banda é ilegal.

    Se não curti o som deixa de lado.
    Fica a dica.

  • Thiago

    Tudo é imitação quando se trata de música, algumas obvias e outras nem tanto, mas é tudo imitação, nada se cria. Com todo respeito, o autor dessa critica me prece um tanto quanto “baba ovo de bandas gringas”.

  • Sei que gosto é gosto, mas o autor do texto parece ter escutado de má vontade…

  • Rebecca

    Sou e sempre serei uma fiel fã dos anos 80 e do que é bem feito.

    Nunca foi negada a relação direta desde o início de Chuck E Thadeu na escola oitentista brasileira. Só não consigo entender qual é o problema nisso. Foi uma época fonográfica muito boa, que depois caiu no esquecimento com a grande parte de bandas consideradas hardcore e abriu uma brecha e falta muito grande pra grande parte das pessoas. Esse artigo soou quase como um “como não gosto dos anos 80, tudo o que vem dele é ruim”.

    Muitas pessoas sentiam que essa brecha deveria ser estancada, outras não conseguiam mais sentir nem essa brecha existir porque devem ter esquecido como foram os tempos bons dos anos 80 na música -que, mais uma vez, foram os melhores pra muitas pessoas.

    Engraçado que essa música que você diz ser uma vergonha(a minha favorita do álbum, aliás), foi escrita em parceria com o Bernardo Vilhena. Sim, aquele cara que escrevia as músicas com o Lobão. Sim! O Lobão, grande cara dos anos 80!

    Minha MÃE ouve Vespas Mandarinas comigo, sente falta e lembra de suas bandas favoritas dos anos 80. Ela era tiete dos Titãs, organizava shows na faculdade sempre que podia. E um Titã deu uma de suas letras para as Vespas. E ah! Na primeira versão da “forçada” O Inimigo, Nasi emprestou a voz para um dos versos. Nasi, nosso grande Nasi. Dos auge dos anos oitenta.

    Acho que se existiu uma época que marcou, mesmo que essa época tenha tido seus problemas – que por acaso, eu não acho-, algo de especial deve ter tido. Os hits dos anos 80 e seus interpretes são inesquecíveis. Marina Lima, Lulu Santos, Titãs, Ira! Lobão, Barão Vermelho, Blitz, Camisa de Vênus, Fausto Fawcett, Paralamas do Sucesso… A arte vem de propostas, referências e subjetividades, se de repente não toca uma pessoa, é porque algo não encaixa e isso é completamente normal. A proposta é bem feita, porque vai à fonte, as referências são claras e a subjetividade chega em mim e em muitas pessoas como algo bem objetivo. As pessoas já ouviram falar em pelo menos um nome descrito aqui e muita gente sabe cantar pelo menos UMA música de um artista desse.

    Sobre o Chuck e o Thadeu como cantores, acho incrível esse desnível que existe entre os tons de voz. Thadeu tem um tom de voz mais grave e Chuck canta como uma gralha, que dá todo um toque especial no CD e nos shows. Vejo isso como um Ying Yang muito especial e único na cena nacional ultimamente.

    Senti falta um pouco de algum tipo de fala sobre a cozinha da banda. Pindé é um dos melhores bateristas do Brasil, com aquela escola hardcore dos anos 90 na veia e que não deixa nada a desejar nem no Sugar Kane e nem nas Vespas Mandarinas.

    As letras das Vespas não chegam a ser complexas, mas não são fáceis de primeira audição, de repente esse CD foi escutado num dia não tão bom assim e sem o tempo necessário para que seja entendido.

    Ou talvez não precise de entendimento. Ou talvez quem não goste não seja o tipo de público que a banda merece.

    Com todo o respeito, discordo dos pontos colocados – que até deixam a desejar na profundidade das críticas-, e vou ali ouvir Santa Sampa (:

  • Triste ver alguém que não entendeu criticando assim.

  • Paul Muadib

    Meu caríssimo Iberê, você pegou leve com esses moleques.
    Este disco é mais uma bosta fumegante com delírios de grandeza, sem nada a acrescentar.
    Chuck Hipólito deve limitar-se a seu VJeirismo.
    Sem mais.

  • Rodrigo Rosa

    Estou acompanhando os VM desde o EP em 2010,
    toda q ouço fico emocionado de saber q existe uma banda desse porte de ‘peso&feeling’ na nossa época, em terras tupiniquins, pq ñ em SP capital..

    Acho todos os comentários válidos por qstõs democráticas, mas sinto uma pontinha de inveja em alguns e até de aversão por causa e simplesmente por causa das origens.

    Sabe..
    críticos säo geralmente músicos frustrados, (vide Led Zeppelin, Black Sabbath… bandas q foram destroçadas pelos críticos da época)
    entäo VM, mandem um F*DA-Œ e sigam sendo vcs mesmos, mas nem sempre os mesmos.

    Como eu disse, acho todos os comentários válidos por… é deu pra entender…

  • Resumindo, o autor não gosta de rock nacional e esculacha um trabalho super bem feito. Falar assim do Thadeu, além de injusto chega a ser cruel, imagino o cara lendo.

    Enfim, triste ver que a crítica musical cada vez mais (ou será que desde sempre) se baseia no gosto pessoal do crítico.

    Ouçam o disco!

  • thabata ulbanejo

    Bom vem eu aqui uma fã de bandas um tanto “diferentes” por terem um som mais pesado ou as vezes um tanto mais leve. Venho aqui falar com total orgulho que não conhecia vespas mandarinas a muito tempo, mas de um tempo para cá eles se tornaram essencial em minha vida, quero ver esses críticos falaram ao menos uma banda boa NACIONAL atualmente.. Para mim eles só gostam do que vem lá de fora sabe? E são poucas as pessoas que dão valor para ao que temos aqui no Brasil. Sim brigo até mesmo com o meu pai por causa do nacional e foi ai que fui surpreendida ele gostou de Vespas Mandarinas e ai não vejo com o que reclamar! Só que antes de tudo as pessoas tem que se interessaram pelas suas raízes e depois discuti-las, depois disso veremos como será tudo! E por favor falem ao menos 2 bandas nacionais ai que vocês deem valor por favor.. Pode ser?

  • Natália

    Que crítica de merda, Pqp!
    Você é muito otário.

  • Leocádia Joana

    0 primeiro parágrafo é uma alfinetada pra geração oitenta de Brasília?(oi?)
    Não acho que R.Russo ou Cazuza fossem exarcebados; inteligentes em demasia seria um termo mais apropiado, pois!!
    Não consegui ouvir a primeira por causa do timbre de voz, me incomodou!
    “O Vício e o Verso”
    “Santa Sampa”
    “A Prova” ( não tem como ñ lembrar de Cachorro Grande), curti essas!!!

  • Garibaldi Pinto

    Nos anos oitenta eu nem sabia qual era minha banda preferida e ainda tinha a nata da MPB!
    Dizer qy “crítico é musico frustrado” é um discurso tão arcaico, ainda mais hojemdia – com internet, TODO MUNDO É CRÍTICO!!!

  • Katia Ulbanejo

    Nos dias de hoje rola mesmo uma nostalgia dos anos 80, afinal, poucas são as bandas que surgem com uma bom som. Vivemos em uma época de letras faceis e sem sonoridades. Toda e qualquer banda, seja ela nacional ou internacional tem sua influência. Pra mim, Vespas Mandarinas, veio pra mostrar e fazer as pessoas perceberem que o rock nacional não morreu… Ficou inerte e despercebido nas radios. O rock nacional esteve sempre presente no under, sustentando-se nas casas noturnas da baixa augusta. É nostalgico sim! Pois sentimos faltas das bandas que tinham algo a dizer, como Plebe Rude, Os inocentes, Olhos Secos, Garotos Podres, Legião, entre outros. Depois de tanto tempo orfãos, surgem bandas como Vespas, Vivendo do Ócio, Medulla, Cassino Supernova, etc não pra matar saudades desse tempo,mas sim pra mostrar que sempre houve uma cena do rock rolando… Quanto a critica ao Cd, pouco me interessa e não fara diferença alguma na minha vida, pois Animal Nacional toca e continuara a tocar no meu dia a dia. Sua critica ñ me comove e nem atinge as minhas escolhas!

  • Yasmin

    Cada um tem a opnião que quiser em relação ao que quer que seja, mas tudo o que foi escrito aqui soa como se já tivesse começado a ser ouvido sem que quisessem ouvir. E além de criticar o cd (que pra mim está muito bom), criticou toda uma geração que é influência e motivo de muita gente boa que em por aí. Imparcialidade e menos pré-conceito pelo fato do cd ter sido inspirado numa década que não é do seu agrado.

  • Thiago Ferreira dos Santos

    Vi a discussão e fui ouvir o CD pela primeira vez, fui ouvir com má vontade pq nunca gostei de Banzé. Vespas não é minha praia, mas de fato o CD é bom e a crítica foi uma bosta pq ela não apresentou argumentos que fizessem sentido.

  • Thiago Ferreira dos Santos

    OK, mentira. Ouvi mais do CD. Tá uma bosta mesmo. Beijo…

  • Claudio Merces

    Sinceramente o autor não fez uma critica sobre o CD em si ,mas sim sobre seu gosto musical, então não tem como considerar nada do texto, eu não gosto de VM mas achei um otimo CD

  • livia

    gosto é gosto…não sei porque polemizar isso….quem gosta escuta, quem não gosta não escuta…é tão simples…

  • Matheus

    Sobre a resenha:

    O disco não é tudo isso, como algumas pessoas vem comentando, mas passou no meu teste ao menos. E passa por mim nas músicas menos pretensiosas, como Rir no final, Homem sem qualidades, e a prova. Agora algumas poderiam ficar de fora como o amor e o ocaso, o inimigo e santa sampa.

    Sobre as observações dos anos 80:
    Concordo quando ele diz sobre a supervalorização do rock nessa época, na minha opinião os anos 90 dão de 1000, com bandas como skank, pato fu, chico science, raimundos, e que são por vezes bem mais desvalorizados pelo público por conta de não terem essa lírica exagerada e cheia de metáforas.

  • WALTER CARVALHO

    Belo disco !! Musicas urgentes e letras criativas, por exemplo “O Inimigo”, me lembrou bastante a fase mais nervosa dos eternos Titãs. Clássico desde já !!!
    Agora, esse tal de Thiago Ferreira dos Santos deve gostar é dos esquecíveis e horripilantes Mamonas Assassinas, Inimigos do Rei, Charles Brown Jr., ou quem sabe deve gostar tambem dos lindinhos do Restart…RSRSRSRS !!!