Vigilante no SXSW: The Strokes, Daptone Records, TV On The Radio e The Vaccines

Na “luta” pra pegar os shows mais imperdíveis do SXSW, o pessoal do Vigilante passou os últimos dias de Texas indo ver as apresentações dos Strokes, Charles Bradley, TV On The Radio e Vaccines. Dá uma olhada no que eles contaram pra gente sobre a experiência:

O post sobre o show do The Strokes no parque vai como resposta a um e-mail que recebi do meu amigo Chuck Hipolitho. Na mensagem, ele falava para eu ouvir o novo do Strokes nos fones e ir ao show descobrir se a banda tava naquela vibe ou se era alguma busca louca do Julian Casablancas por um certo som.

Este show no parque parecia mais armação de empresário pra fazer o Strokes parecer maior do que é, mas o tiro saiu pela culatra: num lugar gigante, a banda ficou pequenininha.

As músicas novas não soam como o álbum, soam mais como uma banda ensaiando e, com isso, perdem muito de sua graça. As músicas do primeiro disco chegam muito bem, mas o resto vira resto naquela onda “somos-uma-banda-tosca-e-curtimos-muito-tudo-isso”. É, rapaz, mas comigo não cola. Até porque, uma hora depois, vi o TV On The Radio também cagar e andar pra tudo isso – mas tocando pra caralho e levando suas músicas e seu som a sério. Outra onda.

Mas bem, voltando ao Strokes, amigo Chuck, o disco é lindo e muito bem feito. As músicas do Julian continuam lindas e é claro que você consegue se divertir. Mas isso se não esperar muito deles.

Pra começar, você já conhece a Daptone Records? Se a resposta foi “não”, clique AQUI agora.

Agora que você já está por dentro de uma das gravadoras mais bacanas do momento, que lança uns discos de soul esquema retrô muito bem gravados e que tem os músicos mais sagazes do planeta (os Dap Kings), posso te contar ao que assisti antes do TV On The Radio aqui no SXSW.

Charles Bradley é o nome da fera que, junto com a Menaham Street Band, fez o show mais sedutor do SXSW. Funk, soul e uma forte persona que rebola e remexe respondendo aos grooves e dinâmicas da banda – Charles faz um hoje um resumo de todos os ótimos clichês que o segmento pode te dar. Tanto musicalmente, quanto na performance, Charles Bradley é o novo rei do espetáculo, a Sharon Jones de calças.

Levando até uma espertíssima e emocionante versão de “Heart Of Gold” (Neil Young), o show foi um dos grandes exemplos de jovens mostrando seus ídolos ao mundo. Charles Bradley é de uma outra geração, mas sabe brincar com a nossa direitinho. Canta muito, dá uns gritos à James Brown perfeitos e tem repertório e banda invejáveis. Daquele tipo de som bom de ouvir em toda e qualquer situação.

Depois, veio a melhor banda que tem por aí e contra a qual muita gente abre um escudo. Não entendo! São os negão, mermão. Os caras que sabem de Nova York e da rua!

Se no Rio, com o equipamento do Thievery Corporation, já tinha sido uma porrada, imagina aqui, com o som correto. Perfeito, grande banda. Kyp Malone é o cara – e D. Sitek tocava com um sino de vento pendurado no braço da guitarra, dando o clima, fazendo introduções que te ambientavam pra próxima música que viria.

Passaram pelos 3 últimos discos. Nada do primeiro. Ficou meio na cara que a banda não estava muito interessada em tocar naquele “carnaval de bandas” do festival, mas os caras saíram surpreendidos com a devoção de quem estava presente e que não deixou que eles saissem sem um bis (“We don’t do it, normally”). Um novo batera (foi o nono show dele) tocou durante todo o show, mas no bis, formação original pra alegria de quem viu aquele show no Tim. Faz uns anos…

Bom demais, bom demais.

Chegamos apreensivos para assistir ao Vaccines, a banda mais hypada da Inglaterra dos últimos tempos, no Stubb’s, talvez a nossa casa favorita do festival – em parte por causa dos GRANDES shows que vimos lá de gente como Foo Fighters e TV on the Radio e em parte pela vibe Circo Voador que o espaço tem. A expectativa era de grandes filas e dificuldade para entrar.

E nada disso. Ninguém conhece o Vaccines por aqui ainda. Uma menina no público pergunta quem está tocando e, ao ouvir a resposta, dá de ombros e diz que está lá para assistir ao City and Colour, uma dessas bandas de soft pop que os americanos adoram ouvir no rádio. Mas voltando aos ingleses, o que as 400 pessoas coladas ao palco assistiram vai ser difícil de esquecer. O grupo subiu  para um curto set de quase 30 minutos e arrepiou.

Tínhamos acabado de assistir a um show dos Strokes para 30 mil pessoas que fizeram a banda parecer pequena. The Vaccines, tocando para 400, foi gigante. Lindas melodias que lembram os próprios Strokes e Glasvegas, dos quais eles parecem ter “roubado” alguns timbres de guitarra, evoluem e explodem em finais que parecem terem sido criados para cantar bêbado, abraçado com os amigos, em algum pub perdido pelo mundo.

Cada um dos 4 integrantes tem uma personalidade muito bem definida no palco e é difícil tirar os olhos de tudo o que está acontecendo. Realmente, hipnotizante. Chegamos à conclusão que tínhamos que assistir urgentemente a um outro show deles para tentar entender tudo aquilo. É, assistir aos Smiths em 1984 deve ter sido mais ou menos assim.

Segue aí uma apresentação ao vivo da banda aqui no SXSW. Não é o mesmo show que vimos, mas sente a vibe!

Textos publicados originalmente no site da Vigilante

  • “É, assistir aos Smiths em 1984 deve ter sido mais ou menos assim.”

    Cara, e eu achando que tava empolgadaço com a banda. Acho que preciso de um show deles!