Violins - Violins

Violins
Violins

Monstro Records

Lançamento: 11/12

Ouvir Violins é sobre ouvir o que Beto Cupertino tem a dizer. Sendo facilmente um dos melhores letristas da história do rock nacional, ele foi capaz de lançar uma trinca impecável de álbuns (Grandes Infiéis, de 2005, Tribunal Surdo, de 2007, e A Redenção dos Corpos, de 2008) e isso é um feito raríssimo quando o assunto é rock feito no Brasil. Mas Beto não é do tipo poeta demais – sendo simples com as palavras, diz muito mais do quem floreia tanto e disfarça certa falta de assunto. Não há assunto improvável para ele, o que valoriza ainda mais o seu trabalho como escritor. Mas o Violins não é apenas esse sujeito de Goiás. A banda anunciou seu fim, que na verdade era um hiato, em 2009 e voltou em 2010 com Greve das Navalhas – e realmente fez uma greve de discos espetaculares. O lançamento não foi fraco, mas não apresentava o mesmo caráter espetacular que os seus anteriores. O mesmo pode ser dito de Direito de Ser Nada, de 2011, e também no novo lançamento autointitulado da banda, Violins. Só que nem o fato de apresentar trabalho inferiores aos que apresentava há sete ou quatro anos é capaz de transformar o Violins numa banda irrelevante.

“Sobra em pé só quem teve a manha de dizer não quando o chão se dividiu em dois” – assim entoa o primeiro refrão do disco na faixa de abertura, “Questão do chão”. E a canção, além desses fortes e sonoros versos, apresenta ainda o mesmo Violins ao qual nos acostumamos: mudanças bruscas de andamento, ruidoso, refrões que explodem e arranjos com detalhes que lembram a fase The Bends do Radiohead (e o vocal ajuda nisso também). Sem ousar muito em sua sonoridade, como no peso que surgia repentinamente em Tribunal Surdo, ou nos momentos bonitos de leveza de A Redenção dos Corpos, a banda praticamente repete a fórmula de Direito de Ser Nada, fazendo com que tenhamos a sensação de que o novo disco se trata de uma continuação direta do trabalho anterior. Sem muitas novidades no âmbito de arranjos, a coisa se torna repetitiva, mas ao mesmo tempo parece um esforço para que as palavras de Beto Cupertino tomem realmente à frente e sejam a principal referência para a banda, fazendo dessa uma escolha não tão ruim.

Por ora, se faltou dedicação ou mesmo criatividade para a harmonia, a poesia de Cupertino continua funcionando muito bem e o coloca quase como um trovador imponente no sétimo álbum da banda. Falando mais amplamente sobre as relações e sentimentos humanos, dessa vez ele não precisou se agarrar exatamente a um tema para se desenvolver (ou ao menos isso não está explícito como outrora). Além de “Questão do Chão”, outras faixas que se destacam são “Coligações”, “Incoveniente” e a linda “Pra Testar os Dentes”. E se os temas são menos polêmicos, o trabalho parece mais árduo para tornar tão interessante os assuntos que não parecem atraentes, como acontece em “A Marcha”, por exemplo.

Sendo direto e básico, Violins, o álbum, pode passar até em branco aos mais desatentos, e não possuir a força de álbuns mais antigos da banda ajuda nisso. Esse intrigante momento mostra um disco com poucos momentos relevantes e se assemelha muito à cena do rock nacional atual. E se isso parece um problema quase generalizado para as bandas que ainda se arriscam no rock quase cru no Brasil, são caras como Beto Cupertino que podem mudar tudo isso. Ele já fez antes e poderia fazer de novo, mas não será outro disco muito em breve que mudará alguma coisa. Também não parece que a solução seria outro hiato. Só não estou acostumado a um Violins mediano – e nem quero me acostumar a isso.

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  • kleber rony dos reis

    Discordo. Esse tá mais na linha dos três anteriores. Realmente muito bom. Acho que em relação ao greve das navalhas e direito de ser nada tá mais para uma evolução, uma retomada do estilo antigo. Acho que se continuarem no ritmo de um cd por ano, logo vão alcancar os tres cds clássicos e ultrapassá-los… pois o violins tem a manha. Para mim é um cd nota 8,5.

  • http://www.seriojuraputz.com Felipe Beirigo

    Realmente muito bem feito o som.

  • http://eusousomaisum.tumblr.com Adriano Correia

    Acredito também em uma evolução, muita vontade, raiva, sonhos, delírios foram expressados em Grandes Infiéis e Tribunal Surdo, A Redenção dos Corpos, Greve das Navalhas e Direito de ser Nada, vieram com uma serenidade necessária depois de tudo aquilo, e acredito que Violins (2012) veio pra concretizar isso. A discografia do Violins pra mim é como a adolescencia, da puberdade, passando pela rebeldia e se acalmando quando começamos a crescer.