Opinião: Virada Cultural não será apenas no centro. Dória e André Sturm não entenderam nada

jprestes

Foi numa reunião na Fecomércio que João Dória, na tarde de ontem (5), prefeito eleito de São Paulo anunciou que na verdade a Virada Cultural, que acontece no centro de São Paulo desde 2005, seria em Interlagos. E citou o Lollapalooza como exemplo de festival que ocorre no local desde 2013. Detalhe, né? O Lolla é um festival pago e diga-se de passagem, não é nem um pouco barato.

Hoje pela manhã, a Mônica Bergarmo deu uma ligadinha para o André Sturm, o futuro secretário de Cultura da prefeitura, que explicou, que na verdade, a Virada terá eventos no centro sim, mas shows pequenos, pequenas intervenções. Os shows grandes seriam em Interlagos.

“Em vez de oito ou dez megapalcos que atraem uma multidão que fica perambulando pelo centro, haverá grandes shows em Interlagos, com mais conforto, segurança, área de alimentação, banheiros e até área para dormir, se as pessoas quiserem. Seria um palco para um show maior e outros dois palcos para outras bandas”, disse ele à Folha de São Paulo. 

E se isso acontecer, nenhum dos dois entendeu nada! E porque digo isso? A Virada Cultural nasceu na gestão do José Serra (PSDB) e que tinha como vice o senhor Kassab, – pasmem! -, e foi criada pelo Andrea Matarazzo (hoje no PSD, mas na época do PSDB) – pasmem! -, para justamente levar para o centro da cidade um evento onde as pessoas pudessem andar pelas ruas e ver shows interessantes, legais, bacanudos, populares ou não, de vários artistas. E o centro foi escolhido também porque é a área de melhor acesso para todos. Depedendo do palco de onde se quer ir, você pode ir de metrô e parar na Luz, na Sé, no Anhangabaú, na República, ou no metrô São Bento. Olha a quantidade de possibilidades! E o mais legal da Virada é ir caminhando pela cidade, descobrindo coisas e cantinhos novos, comer nas barraquinhas da rua, trombar os amigos, tomar uma cerveja, se você mora no centro mesmo, voltar para casa a pé!

A população daqui já está acostumada, afinal são doze edições, um monte de música, intervenções artistas, os Secs ainda participam e descentralizam também as atividades. E a grande questão é: “Para que colocar a parte mais importante da Virada Cultural no extremo Sul da cidade, num local, que nem metrô tem?”. Bom, este é o jeito higienista de tirar o povo da Virada e elitizá-la. Porque o acesso de quem mora em Itaquera até o Interlagos não é tão fácil assim, não acham? E para que se preocupar com essas pessoas, né? Por quê? O acesso a Interlagos é complicado até para quem mora na própria Zona Sul. A verdade é que é muito ruim ir para a Zona Sul, independente do bairro que se more e isso se deve ao trânsito, a ser apenas CPTM que para em lugares terríveis e é um transporte muito lento se comprado ao metrô, por exemplo, e o ônibus demora.

É uma decisão totalmente arbitrária e pior, mais uma decisão sem ouvir a opinião da população, sem fazer uma pesquisa e mais, sem entender o espírito da Virada Cultural. Fala-se em segurança, mas se olharmos os últimos anos veremos, que a morte ano passado foi de um jovem de 21 anos, que teve um ataque cardíaco! E a polícia tem trabalhado muito bem para coibir roubos e furtos, que são as maiores ocorrências em qualquer evento com grande aglomeração de pessoas. Veja a matéria do Estadão em 2014: “Furto e Lixo: problemas ainda sem solução no Lollapalooza“. No ano seguinte, o UOL conta que o show do Skrillex teve uma onda de furtos de celular. O que quero dizer com isso é que até um evento fechado, com valor de ingresso alto, pode ter problemas que são característicos da grande aglomeração de gente. O Lolla recebe cerca de 70 mil pessoas!

Estamos aguardando aqui, que o prefeito mude de ideia como aconteceu sobre a velocidade nas marginais e que o André Sturm não nos decepcione tanto, assim tão cedo, sem nem ter assumido o cargo ainda.

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