Warpaint - Heads Up

Warpaint
Heads Up

Rough Trade Records

Lançamento: 23/09/2016

Em seu segundo trabalho, o ótimo álbum homônimo de 2014, o quarteto californiano Warpaint mostrou um som muito mais solto e espontâneo que em sua estreia. Nesse seu terceiro disco, Heads Up, as moças pegam esse som e deixam ele um pouco mais direto e bem estruturado, mas felizmente elas não perdem quase nada em inventividade e espontaneidade com essa mudança.

O trecho em que ela fica mais evidente é na terceira faixa, a excelente “New Song”. Retendo o clima leve e nebuloso que caracteriza suas canções, o quarteto compõe uma faixa grudenta, direta e até meio dançante que é um dos melhores singles indies do ano. Ela é o melhor exemplo de como as californianas conseguiram formatar o seu som já estabelecido em estruturas mais tradicionais de composição. Mas um pouco dessa influência aparece também em outras faixas, como na abertura “Whiteout” e na empolgante faixa-título, que chega após uma bela (mas deslocada) introdução, ali pro final do disco.

Isso não significa, no entanto, que as moças viraram um grupo de pop. Há ainda uma forte sensação, em cada faixa, de que elas estão tocando juntas e ao vivo, interagindo e reagindo uma à outra. Exemplo disso são os seis minutos de “So Good”, uma faixa que, sem mudar de andamento, muda de clima lá pela metade; essa mudança acontece de forma muito natural e quase imperceptível, e a melodia repetitiva cantada em harmonia na segunda metade dá muito a sensação de que elas estavam se divertindo. A lenta “Don’t Let Go” parece ter sido cantada pelas quatro com um violão em volta de um microfone, e tem um som meio estranho que na verdade reforça a sensação de leveza da banda.

Há ainda outro aspecto do som do grupo que ressurge aqui, que é uma sensação narcótica/ sensual que se reflete num som quase trip-hop. Em “By Your Side”, “The Stall” e “Don’t Wanna”, é essa a atmosfera que predomina: uma languidez melancólica que traz à mente muito amor ou muitas drogas (ou os dois). É interessante notar que mesmo essas faixas, cuja produção as aproxima do trip-hop de um Portishead ou das faixas mais obscuras do Massive Attack ou do Tricky, estão mais diretas e objetivade que nos trabalhos anteriores das meninas.

“Today Dear”, a faixa final, encerra o disco com um suave dedilhado de violão e uma voz muito suave e próxima. Semelhante a algo que poderia ter estado no último disco da Lykke Li, ela tem a mesma  melancolia que caracterizam outras faixas desse trabalho, mas parece apontar para um som ainda mais direto. É um encerramento adequado a um disco que consegue tornar o som suave e fluido do Warpaint ainda mais atraente. Tanto os fãs do quarteto quanto quem ainda não conhece o som do grupo têm muito a ganhar ouvindo Heads Up.

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