We Have Band faz show divertido em São Paulo, mas falta público

Quando cheguei ao Hot Hot, balada no centro de São Paulo, estranhei a ausência de movimentação em frente ao local. Alguns seguranças, meia duzia de fumantes… Depois de passar dois meses ouvindo WHB, álbum de estreia do trio britânico We Have Band lançado em abril desse ano, ainda estava surpreso com a possibilidade de vê-los tão cedo por aqui. Mas logo percebi que não era tanta gente assim que se sentia da mesma forma.

Ouvi muitos dizerem que estavam com “medo de acabar muito tarde e, afinal de contas, estávamos no inicio da semana”. Nao posso culpá-los. Esperar até as duas da manhã não foi tarefa fácil. Claro que os drinks incríveis da casa e o som do duo Database seguraram bem a onda, mas depois de um dia de trabalho fica puxado aturar até de madrugada. Não precisava.

Quando a iluminação maravilhosa da pista subterrânea do Hot Hot piscou para a entrada da banda e o público se aproximou do palco, olhei pra trás e vi mais da metade do local vazio. Chato isso. Estava no palco um dos maiores buzz de 2009 da cena inglesa – se estivéssemos no Rio de Janeiro eu entenderia, mas esperava mais de São Paulo. Mesmo assim, alheios ao cenário, Darren Bancroft, Dede W-P e seu marido, Thomas W-P, abriram a apresentação com o hit “Divisive”. Não era necessário mais do que isso para ganhar quem estava lá. Cantando e dançando junto, o que se viu foi um private party até o fim da madrugada.

Durante todo o show, o trio se alterna nos vocais num clima meio Hot Chip. Na sequência, tocaram “Heart in the Cans” e “How To Make Friends”. As caixas de som não seguraram muito bem as fortes linhas de baixo de “Love, What You Doing?”, música com sabor de New Order e irresistível ao vivo. Depois de “Buffet” com Dede em seu momento Nico, Darren anuncia – como se ainda fosse necessário: “Se vocês quiserem dançar, essa é a hora”.  E lá veio “We Came Out”. Logo depois tocaram, segundo eles, a primeira canção escrita pelo grupo quando esse se encontrou há dois anos em Londres: “WHB”. “Centerfolds & Empty Screens” e “Hero knows” foram as próximas. Quando a energia do show já não parecia a mesma, eles sacam “Oh!” e trazem o público pra mais perto, cantando junto.

O We Have Band ainda tocou a faixa que dá nome ao disco, “Honeytrap”, e terminou o show já taaaaaarde com “Time After Time”. A banda é uma simpatia só, o show é uma delícia, o set teve todas as músicas que alguém podia querer e, apesar do som meio abalado na noite,  o Hot Hot ainda é um dos lugares mais legais de São Paulo para shows de pequeno porte. Mas, mesmo assim, ainda ficou a sensação de que faltou algo no final. Óbvio que foi o público.

Você lê uma versão adaptada dessa resenha na próxima edição da Revista Noize.

Foto: Priscilla Vilariño / FFW

  • Lucas

    O nome do debut não é WGB?

    Eu queria ter ido mas de ultima hora é foda!
    #putafaltadesacanagem

  • henrique

    tem um erro ai, o nome do debut é WHB o.ô

  • Pingback: Move That Jukebox! » Clipe: We Have Band – Oh!()

  • Mateus

    Faltar público em função do horário é algo compreensível mesmo, como você comentou no texto. Um show que COMEÇA duas da manhã no meio de um dia de semana só pode mesmo ter como principais presentes blogueiros, universitários e outros caçadores de tendências com horário de trabalho flexível.

    De todo jeito, cada vez mais shows internacionais menores e fora de festivais acontecem no Brasil, o que é uma coisa boa.

  • Micci

    […]se estivéssemos no Rio de Janeiro eu entenderia, mas esperava mais de São Paulo.[…]

    Qualquer showzinho indie hoje em dia no rio de janeiro esta lotando.. e é assim há um bom tempo. Geralmente são na lapa e aquele aquele lugar ferve todo dia.