White Lies – Ritual

Em To Lose My Life… há “Unfinished Business”, na qual, em determinado momento, Harry McVeigh diz, em meio há escuridão e alguma dor, que olhou para o espelho e viu que algo estava errado: ele via sua amada, mas não se enxergava mais. Independentemente de como isso pode ser tomado (mais fantasiosamente, como se ele tivesse morrido, ou mais metaforicamente, enfim) isso soava bem verdadeiro e intimista. Em Ritual, o White Lies sai desse espaço intimista e tenta subir nos lugares altos – mas agora, quem não os enxerga é o ouvinte.

Há uma produção mais requintada, com a inserção ora do mais do mesmo, ora de interessantes sintetizadores e elementos eletrônicos. Há também a fuga de alguns maneirismos típicos, como compassos totalmente corretos e redondos em todos os lugares. O que falta, porém, é a vibe que consagrou a banda. Muitos dizem que esse álbum possui uma atmosfera ainda mais dark, onde “é preciso uma luz para se guiar em meio a tudo isso”. Bullshit. O que se ouve são composições mais radiofônicas, mais comerciais e menos tensas do que aquelas do debut. O álbum não tem, por exemplo, algo como “The Price of Love”, que mesmo soando meio pessimista no que diz respeito ao clima consegue ser tocante e lírica. O suspense de “Farewell to the Fairground”? Foi-se. Agora, o que temos é basicamente uma banda mais estruturada e bem-acabada, mas sem a essência.

Talvez Harry McVeigh e cia. devessem seguir uns conselhos de um distante primo do post-punk, a galerinha do Interpol, que tem uma música chamada “A Time to Be So Small”, cujo sentimento é que o título se traduz na melodia: são só guitarras, o baixo e a bateria casadíssimos e o teclado juntando tudo. E a emoção. Não que os caras do White Lies devam repetir a fórmula da música final de Antics. Longe disso. Só não precisam fazer algo que seja, com o perdão do trocadilho, maiores que eles mesmos.

  • Nicole

    Concordo que “To Lose My Life” é superior a “Ritual” e que as canções do novo álbum são mais comerciais.
    Eu como fã, acredito que essa de “serem maiores que eles mesmos” foi completamente intencional, deu pra perceber isso nas entrevistas que li/ouvi.
    Mas pelo White Lies ser uma banda recente, acredito que seria melhor se eles permanecessem na “zona de conforto” que os consagrou.
    Aliás, “Ritual” não é um cd a ser compreendido logo de primeira, pelo menos foi assim comigo e acho que excederam um pouquinho nos refrões, são meio repetitivos. Espero que eles voltem logo ao Brasil, porque o show do ano passado foi memorável!