White Rabbits – Milk Famous

Não é incomum que uma certa sonoridade fique em alta e diversas bandas tentem seguí-la. Afinal de contas, apesar de todo idealismo com o qual a música possa ser vista, ela também tem seu lado mercadológico. O White Rabbits é uma banda que tem como marca principal sua bateria – ou suas, já que em alguns momentos são duas. Elas têm sempre os tambores com aquela batida característica, usando pouco a caixa para marcar o andamento da música e apostando numa sonoridade muito mais grave.

Aliada à sonoridade da bateria, está a capacidade da banda de equilibrar essa batida mais insana e caótica com momentos de melodia bem trabalhados. Este traço principal ainda marca Milk Famous, o mais novo trabalho da banda.

Lançado no dia 6 de março, o disco tem a produção assinada por Mike McCarthy. O produtor assina grande parte dos trabalhos dos texanos do Spoon, por exemplo, banda com a qual o White Rabbits já saiu em turnê.

Em Milk Famous, o que se vê é um trabalho entre produtor e banda que procura exatamente levar a sonoridade do White Rabbits para um patamar mais pop. Não que o antigo som não pudesse ser considerado pop o suficiente. Mas a inserção de novos elementos, principalmente eletrônicos, confere ao novo álbum um toque mais atual, mais dentro da moda – ou então mais apelativo comercialmente para os padrões atuais.

A faixa de abertura é também o primeiro single. “Heavy Metal” pode ser considerada uma contradição em si mesma. Lembro de uma vez estar vendo um vídeo do Eagles Of Death Metal no You Tube e o primeiro comentário era um cara chiando que aquilo não era Death Metal. Do mesmo modo, “Heavy Metal” não está nem próxima do rótulo musical do qual pega o nome emprestado.

O que se pode dizer sobre a música é que ela mostra o clima que virá a seguir. Carregada de elementos eletrônicos, ela foge bem dos trabalhos anteriores da banda – Fort Nightly, de 2007, e It’s Fightening, de 2009. “Heavy Metal” joga logo aos ouvidos um White Rabbit mais comportado, menos agressivo, que é outro ponto que marcará o trabalho como um todo. Os coelhos, que antes eram bem selvagens, agora se mostram um pouco mais domesticados.

“I’m Not Me” chega com uma guitarra bem entalhada e entrecortada. Ainda bem diferente do que era o usual da banda, aqui, em alguns momentos, é possível sentir bem a energia liberada da banda. Uma das melhores música do álbum, com certeza.

Outra faixa que merece um comentário é “It’s Frightening”. Com o mesmo título do álbum anterior, a faixa é uma das que mais renega o espírito do LP de 2009. Nela, a bateria tem um papel muito mais secundário e a faixa fica entregue a texturas sonoras, mostrando um lado mais experimental da banda.

Milk Famous vai seguindo, entre baixo e altos – que não chegam a ser tão altos assim. A impressão final é que a banda decidiu deixar de lado toda a agitação e buscar um lugar de maior destaque, inserindo alguns elementos mais em alta no indie rock – ou como você prefira denominar o nicho. A grande questão é se o efeito desejado será gerado. Duvido.