Noel Gallagher's High Flying Birds - Who Built the Moon?

Noel Gallagher's High Flying Birds
Who Built the Moon?

Rough Trade

Lançamento: 24/11/2017

Ok, é hora de finalmente admitir aquilo que a maior parte dos fãs do Oasis não ousa dizer em voz alta: o fim da banda não foi tão ruim. Tudo bem, os fãs continuam órfãos, mas é melhor ter dois ótimos discos dos irmãos Gallagher no mesmo ano do que mais um disco do Oasis feito com má vontade.
Who Built the Moon? é o terceiro disco de Noel Gallagher com seus fiéis escudeiros do High Flying Birds e é também o trabalho mais experimental em toda sua carreira musical. O ex-compositor do Oasis saiu enfim de sua zona de conforto, deixando um pouco de lado a influência óbvia dos Beatles e absorvendo coisas distintas como T-Rex, Primal Scream e Kanye West.
O disco abre com “Fort Knox”, uma poderosa faixa semi-instrumental que lembra “Fuckin’ in the Bushes” do Oasis depois de uma noite de farra em algum clube claustrofóbico em Manchester com a adição de elementos do hip-hop atual. “Holy Mountain” despertou reações furiosas de muitos fãs ferrenhos quando foi lançada, mas depois do susto inicial, é preciso admitir: está entre as melhores composições de Noel e provavelmente deixaria os membros do Slade orgulhosos. “Keep on Reaching” conta com vocais que lembram corais gospel enquanto a poderosa linha de baixo se entrelaça com os metais.

“It’s a Beautiful World” é a música que mais se assemelha ao trabalho de Noel em sua antiga banda, mas os vocais com ecos e a notável ausência de guitarras em evidência reduzem os resquícios do volume absurdo que saía da pilha de Marshalls que acompanhava o Oasis nos anos 90. A faixa ainda conta com um discurso da cantora (e tocadora de tesoura) francesa Charlotte Marionneau. “She Taught Me How to Fly” é mais uma faixa guiada pelo baixo e uma levada de bateria que lembra New Order. “Be Careful What You Wish For” e seu toque psicodélico conta com bons backing vocals, mas a falta de refrão e seus extensos quase 6 minutos de duração a tornam um pouco monótona. “Black & White Sunshine” revive a guitarra e apresenta os melhores vocais de Gallagher no álbum. Apesar de contar com a ilustre participação de Johnny Marr tocando guitarra e gaita, “If Love is the Law” não chama muita atenção, diferente de sua sucessora “The Man Who Built the Moon” que conta com sintetizadores e bateria pesada. O álbum ainda conta com duas faixas instrumentais, “Interlude (Wednesday Part 1)” e “End Credits (Wednesday Part 2)”.

É bom ver Noel Gallagher enfim saindo da fórmula repetida à exaustão que o consagrou como um dos reis do britpop e adotando diversas influências que não eram perceptíveis em sua antiga banda. É no mínimo curioso vê-lo fazendo um disco que se parece mais com o Blur do que o Oasis, mas de qualquer forma, os fãs saem ganhando. E para aqueles fãs saudosistas e ortodoxos, é só ouvir o álbum lançado pelo Liam no mês passado. Com certa dor no coração, reitero meu pedido: Oasis, não volte tão cedo!

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