Wilco rouba a cena, atendentes “roubam” as tampas das garrafas e festival acaba morno

Sao Paulo- SP- Brasil- 08/10/2016- Wilco @ Popload Festival #4 2016. Foto: Oswaldo Corneti

Wilco foi o destaque do festival que comemora os dez anos do Popload. Foto: Oswaldo Corneti/Divulgação

Os anos foram passando e eu fui ficando cada vez menos indie. Muito vem também do cenário, que acabou produzindo um monte de bandas iguais durante anos, que pareciam usar sempre os mesmos riffs de guitarra do Strokes, os mesmos tecladinhos dos B-52’s (quando rolou uma onda 80) e as mesmas viradas de bateria do Radiohead. Por isso, ir ao Popload Festival, que comemora os seus 10 anos (o site, não o festival), no último sábado (8), não foi nada surpreendente para mim. Eita, que eu vi dez indie mudando de texto agora. Calma.

Os shows em suas médias foram bons, mas parece que faltou um mojo, sabe? Um molhinho especial. Porque se o molho foram as sofríveis 1h30 da Ava Rocha performando no palco, faltou escolher melhor isso aí. Acho até um pouco desleal fazer uma comparação com o ano passado, com seus dois dias, Iggy Pop, Belle & Sebastian, na Audio. Mas um festival requer o que o povo chama de experiência e lá no Urban Stage não tinha nada disso. Para piorar os preços estavam absurdos.

Mas, como diria Jack, vamos por partes.

Shows

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The Libertines fez o show mais animado da noite. Foto: Luisa Gomes/Divulgação

Acabei perdendo o show do Bixiga 70, mas já tendo visto tantas vezes, só poso dier que com certeza foi bom. O triste, eles devem ter tocado para umas 200 pessoas e olhe lá, porque cheguei na arena às 17h30, exatamente no minuto em que a Ava Rocha subiu ao palco e ainda estava bem vazio. Na verdade, o evento em si, estava meio vazio. Com capacidade para 8 mil pessoas, o Urban Stage estava “lotado”, segundo a produção 7,8 mil pessoas passaram por lá, mas nem de longe parecia ter essa quantidade de gente. Mas já falamos sobre isso.

 Os shows foram muito pontuais e o Ratatat fez um bom show quando subiu ao palco, às 19h, mas muito denso para um festival. Acho que ficou um pouco deslocado, este seria um show que teria sido bem mais incrível se estivéssemos em club. Os Libertines, última atração da noite, podia ter tocado um pouco mais de sucessos, mas preferiu dar um pouco mais de atenção ao último álbum, Anthems For Doomed Youth (2015), que ainda não tem hinos, mas a dobradinha “Gunga Din” e “Can’t Stop Me Now” deu muito certo.

E foi no Wilco que as coisas ficaram vamos dizer assim, cheia de amor. Boa parte do público, boa parte mesmo, foi ao evento para ver a banda americana fazer a sua primeira (até agora acho isso surreal, quando a banda já tem 20 anos de vida), mas sua primeira apresentação em São Paulo. Eles vieram em 2005 pelo Brasil, mas tocaram apenas no Rio de Janeiro.

Sao Paulo- SP- Brasil- 08/10/2016- Wilco @ Popload Festival #4 2016. Foto: Oswaldo Corneti

Wilco @ Popload Festival #4 2016. Foto: Oswaldo Corneti

O setlist no Popload foi um grande mix de todos os discos da banda, mas eu dispensaria toda a barulheira de “Misunderstood”, que está no álbum Being There (1996), por exemplo, e teria colocado mais músicas do aclamado Sky Blue Sky (2007) e do ótimo Wilco (2009), mas a parte mais pesada veio mesmo de Yankee Hotel Foxtrot (2000), este sim, premiadíssimo e aclamadíssimo disco que alavancou a carreira do grupo liderado por Jeff Tweedy.

De longe, vi um show com grandes artistas tocando no palco, mas com uma sequência de músicas meio errantes. Nem sempre parecia fazer sentido uma música estar atrás da outra, e como é folk, indie, num palco, de noite, num festival, parece que é uma coisa tão linear e bunda mole, que para você gostar, tem mesmo que ser fã. Como nós aqui. Muito acertada a escolha da banda e melhor ainda que eles tenham tocado duas horas e finalmente, terem deixado os fãs brasileiros mais inspirados aquela noite. Muita gente foi embora logo depois do fim do Wilco. Alguns sortudos, para se preparem para ver o Wilco novamente no domingo. Nós não. =(

Bem e a Ava? Eu vi parte do show dela. Eu li outro texto antes de escrever o meu e o jornalista, que agora fico na dúvida se deveria citá-lo ou não, disse que a Ava é o “ontem, hoje e amanhã” do Brasil. Mas fiquei mesmo tentando entender isso? O que será que isso quer dizer? Porque se a música brasileira for para este caminho… Bem da verdade é que Ava Rocha faz uma música bem difícil, é uma coisa para iniciados. Ou para um monte de gente que não entende o que ela quer com a música dela, posar de inteligente porque escuta Ava Rocha. Eu mesmo acho que não entendi a proposta dela. Eu até mesmo desisti de ouvir o disco, quando a vi ao vivo em um programa de televisão da TV Cultura.

Pontos altos

Sao Paulo- SP- Brasil- 08/10/2016- Wilco @ Popload Festival #4 2016. Foto: Oswaldo Corneti

Galera durante o show do Wilco @ Popload Festival #4 2016. Foto: Oswaldo Corneti

Espaço amplo.

Como tinha “pouca gente”, – e desculpem, mas nem de longe, ia dizer que tinham 7,8 mil pessoas ali – não tínhamos fila. Para absolutamente nada! Nada de fila para banheiro, ou para cerveja, ou para comer, ou… nada!

Boa escalação dos shows. Faltou apenas algo interessante, fora do comum.

O bilhete único dado pela Heineken para voltar para casa na nice, sem pegar fila e sem dirigir.

Pontos fracos

Ainda estou para entender como funciona essa coisa de cerveja que patrocina evento. Os caras dão uma grana para trazer as bandas e na hora de cobrar da gente um preço honesto… Cataploft! R$ 10 um copinho de chop mixuriquento. Mas o pior, vejam, o pior foi a água, que estava a R$ 6! Gente, não tem explicação nenhuma para cobrar R$ 6 em uma garrafa de água, quando no supermercado uma água custa R$ 1,30. E ainda tinha mais essa. Você comprava uma água e o pessoal tirava a tampa, porque “você pode querer jogar a garrafa em alguém”, uma “ordem expressa da produção do evento” !? Mas será que fã de Wilco é selvagem a ponto de querer dar uma garrafada no próprio ídolo?

Bem, a sensação de estar assinando a seu atestado de indie-idiota-classe-mérdia foi insuperável quanto aos preços das comidas. Por isso, o sanduíche vegetariano a R$ 15 era esquema da balada.

Poucas atrações para além da música. Não tinha absolutamente nada para fazer nos intervalos. Sentar nas redes do pequeno stand da Spotify, impossível! Comprar um Rayban? Não, acho que não. E beber? É beber! E ficar bêbado esquecer da crise e ficar no outro dia: “Meu Deus, por quê?”. Porque todo bêbado fica de repente, rico.

Os camarotes vazios não ficaram bonitos não. Mas assim, a impressão que dava é que não tinha ninguém. Pode até ser que o cara do marketing da Calvin Klein goste do Wilco, mas parece que o público da marca não é exatamente o fã que o Popload procura. Daí, dava para ter convidados uns amigues que realmente gostam das bandas escaladas para ir para lá, né? Mas quem é que são os VIPS da música indie, hein?

Pouca diversidade na escalação dos shows. Como disse, senti falta de algo assim, incrível, embasbacante e divertido, tipo um Jaloo, um Rico Dalasam, um Thiago Pethit. Ou seja, faltou o Battles. Um ou outro show, poderia ter sido um pouco menor também para dar espaço para outros artistas, porque não? E na falta do Battles, porque não colocar o Bixiga 70 num horário melhorzinho, hein? Acho que teria dado beeeem mais certo. Teria animado a galera muito mais.

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