Yeah Yeah Yeahs - Mosquito

Yeah Yeah Yeahs
Mosquito

Interscope

Lançamento: 12/04/13

Da turma nova-iorquina que deu uma chacoalhada no rock na primeira metade dos anos 2000, o Yeah Yeah Yeahs era o grupo com maior potencial de experimentações e invenções interessantes, fundindo com um frescor revigorante para a época um som cru e garageiro, quase punk, com temáticas e nuances mais artísticas. Com Karen O à frente, remetendo a grandes performers do rock em suas aparições, o YYYs conseguiu, pelo menos em seus dois primeiros discos, instigar e entrar no hall das bandas mais queridas do mundinho indie – que começava a dar sinais de enjoo do som “sujinho” dos Strokes e dos engomadinhos do Interpol. Dez anos depois, o trio mostra que ainda pode ter boas ideias. Mas o problema é que, em Mosquito, elas ficam soltas no ar, meio tontas e sonolentas, como o inseto do título quando topa forte com algum obstáculo.

Em Fever To Tell (2003), as canções esbanjavam fúria e inventividade, com uma banda que não tinha o menor medo de errar. Já Show Your Bones (2006) demonstrava um repertório mais coeso e maduro, dosando guitarradas que até hoje ecoam por aí com belas melodias e momentos para exaltar a sul-coreana (!) Karen. It’s Blitz! (2009) veio com sintetizadores e hits fulminantes de pista, mas já acenava para um inconstante repertório quando a unidade do disco era analisada. Fator este que se repete em Mosquito – só que sem a parte boa dos singles certeiros. Não me entenda mal. O YYYs é composto por músicos que dificilmente criariam ou irão criar uma aberração sonora – muito, muito longe disso. A questão é que o novo álbum parece um conjunto de faixas que podem explodir e decolar a qualquer momento (“Subway”, “These Paths”, “Wedding Song”), rumo às paradas e listas de favoritos, mas o clímax fica na teoria, na maior parte do tempo.

Apesar disso, Karen, Nick Zinner e Brian Chase começam o quarto LP com uma de suas melhores criações em mais de uma década de vida. “Sacrilege” é daquelas músicas onde tudo se encaixa perfeitamente – e onde o lado improvável do YYYs funciona como nunca, ao colocar um coral gospel durante toda a segunda metade da faixa, fazendo uma junção perfeita com a temática da letra. Pena que em seguida vem a apática “Subway”. A esperança volta na raivosa “Mosquito”, com letra nonsense e cheia de distorções. Nada como ouvir Nick Zinner sem amarras pseudolúdicas e pirando nos barulhos de suas guitarras. A fórmula ainda se repete em “Area 52”, outro ponto alto do trabalho, com Karen berrando que quer ser um alien.

“Under The Earth”, com sua cadência e agradáveis linhas de teclado, e “Buried Alive”, com participação inusitada do rapper Kool Keith, são outras provas de que o Yeah Yeah Yeahs pode acertar bem mais do que a metade de um álbum. Pra quem já criou “Gold Lion” e “Maps”, se contentar com embustes como “Always” é acomodação. É arriscar um legado cheio de vigor por conta de composições e arranjos preguiçosos. E se esse perigoso caminho for seguido, o próximo disco já tem um título ideal: Mosca Tsé-Tsé.

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  • Angelo Fadini

    Fiquei com essa mesma impressão. Apesar do grande intervalo entre os discos, Mosquito me pareceu bem preguiçoso e sem brilho.

  • Lazy Girl

    nem tive coragem de dar o play