Young the Giant - Mind Over Matter

Young the Giant
Mind Over Matter

Fueled By Ramen

Lançamento: 21/01/14

Há algo não compreensível ou não há nada a ser compreendido no Young the Giant? Carregada por um selo relevante, que representa nomes como Paramore, fun. e Panic! at The Disco, a banda ganhou certa atenção e não justificou os motivos quando a oportunidade apareceu. Ainda que tenha emplacado um pequeno (frise isso) hit no disco de estreia, nem o single e nem o álbum apresentaram alguma relevância – além de repetitivo, o LP homônimo de 2010 parecia perdido no tempo.

A sensação de replay e deslocamento se repete no novo trabalho, Mind Over Matter – são músicas que já foram feitas lá entre 2004 e 2007 e não se trata de um revival dos grandes singles, mas sim daqueles fracos recheios de discos pouco brilhantes de Maxïmo Park, Maccabees e genéricos da cena. Se não há nada a ser compreendido sobre os californianos, o que sobra é a impressão de que eles passaram todos esses anos de atraso presos em uma máquina de lavar que os deixaram tão limpinhos, que não há mais graça e nem sentido em suas existências.

Mind Over Matter não é um péssimo registro, é um registro irrelevante, o que pode ser ainda mais fatal a um artista do que uma coleção de músicas ruins. A reunião de faixas insossas do quinteto parece não acabar nunca: 13 faixas que duram horas em 52 minutos. Há pouco a se salvar, como o single “Crystallized”, uma canção pop funcional, e “Teachers”, um rock urgente com punch eficiente. De resto, encontramos momentos de fracasso em composição, com uma produção inteligente que privilegia aquilo que pode maquiar a falta de bom conteúdo em melodias e arranjos, aguçando os riffs de guitarra e as linhas de bateria. Engana bem em temas como “Eros”, mas funciona como tiros no escuro, pois enquanto um atinge de forma mais certeiro no ouvinte, o outro deixa claro o equívoco e o tiro no próprio pé, vide o “rock pesado” de “It’s About Time”, que pode lembrar Fall Out Boy em seus “mais brilhantes” momentos.

Não é só a falta de grandes ideias para as melodias que prejudica a compreensão do Young the Giant, há também o fato de não se entender o que Sameer Gadhia quer dizer nos desconexos versos da banda – que parecem sempre cumprir uma fórmula – e sua a irônica multietnia, que não ajuda a diversificar em sua sonoridade (que é o que realmente importa) e só deixa uma sensação de que o grupo foi montada pelos estúdios Disney. Há falta de personalidade, quando até o sotaque de Paul Smith do Maxïmo Park é emulado, e falta de critério, quando o irregular conjunto de músicas parece tentar de tudo (e de qualquer maneira que seja) te agarrar mesmo que pelas pontas dos dedos, se isso for segurança de alguma relevância. Não é.

Segue-se então o mistério sobre Young the Giant. Mistério que Mind Over Matter não ajudou a desvendar. Por enquanto, ainda parece se tratar de cinco californianos que, em 2014, continuam fazendo a música menos californiana possível como se fosse 2004, revisitando os momentos mais repetitivos e desnecessários daquele ano. Faltam boas canções e boas razões para se ouvir um lançamento como esses.

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