As Melhores Músicas Nacionais de 2013

Melhores Músicas Nacionais de 2013 - Move

Arte: Priscila Barker

Centenas ou milhares de horas ouvindo músicas depois, o Move chega àquele momento em que convida seus leitores para analisar alguns dos lançamentos mais interessantes que rolaram neste 2013, um ano fértil, com muitas surpresas, novos artistas, velhos conhecidos, batidas irresistíveis e refrões que ainda ficarão na cabeça por muito tempo. Diante de tal cenário, Neto Rodrigues, Iberê Borges, Victor Caputo, Gregório Fonseca e Gustavo Sumares uniram forças para tentar resumir o ano em quatro rankings de 20 itens cada. Começamos, então, as listas de melhores do ano do Move com as 20 grandes músicas nacionais. Na aba de comentários, deixe também o seu Top 20 de canções brasileiras feitas entre janeiro e dezembro de 2013.

20) Bárbara Eugênia – Ugabuga Feelings

No meio de influências da música brega e da MPB, é possível encontrar em É O Que Temos, disco mais recente de Bárbara Eugênia, a descontraída “Ugabuga Feelings”. A bateria dá o tom percussivo da faixa, que segue com a guitarra alternando acordes abafados e riffs com wah-wah, enquanto a cantora solta versos irresistíveis, como “Ei, seu moço/ Da cara boa/ Me dá um cheiro aqui/ E um amasso lá/ Você passa eu acho graça/ Faz-me rir” – Neto Rodrigues

19) Emicida – Hoje Cedo

Emicida mostra mais uma vez que é um grande porta-voz urbano da música nacional atual, com habilidade de sobra para contar história e chocar, quando necessário, escancarando realidades e esmagando toneladas de senso comum com suas rimas. Em “Hoje Cedo”, o rapper conta com a ajuda de Pitty em um dos momentos mais, digamos, acessíveis – ou pop, como queira – de seu disco de estreia, mesmo com o clima tenso e com tanta carga emocional envolvida na canção. Impossível não acompanhar a cantora no refrão sofrido. – Neto Rodrigues

18) Arnaldo Antunes – Dizem (Quem Me Dera)

Arnaldo Antunes alterna entre o otimismo e a desilusão com o mundo em uma de suas mais inspiradas canções dos últimos anos – e isso não é pouco, considerando-se o ótimo momento que o cantor vive em sua carreira. Clássico instantâneo. – Gregório Fonseca

17) Tom Zé – Tribunal do Feicebuqui

Prato cheio para os trolls da internet: seria um auto-flagelo de Tom Zé, que se chama de “velho babão”, “vendido”, “traidor”? Só se eles não soubessem o que é ironia (e não devem saber mesmo). Junto com sua trupe de convidados de luxo (Emicida, Trupe Chá de Boldo e Tatá Aeroplano), Tom Zé gravou uma música de protesto que é um belo retrato de nossa geração. – Gregório Fonseca

16) Cambriana – 47 Daughters

Se em 2013 não rolou a continuação do excelente House of Tolerance, pelo menos a Cambriana não ficou parada. Logo no começo do ano, a banda goiana lançou o EP Worker, preenchido por outros seis grandes momentos dessa que é uma das revelações mais interessantes do rock independente nacional dos últimos anos. No disquinho, “47 Daughters” se destaca, mostrando acordes tristonhos de piano acompanhando a voz de Luis Calil enquanto uma bateria à la The National toma conta da atmosfera criada, que só se extingue depois que uma parede de guitarras distorcidas ensurdece o ouvinte mais distraído. – Neto Rodrigues

15) Clarice Falcão – Eu Me Lembro (part. SILVA)

O dueto com SILVA é o ponto alto do disco que Clarice Falcão lançou em 2013. Nessa quase-canção de amor, os músicos representam um casal que canta sobre sua relação – cada um com sua versão. A essência da faixa é o humor sutil, implícito e com uma pontinha de sarcasmo. – Gregório Fonseca

14) Strausz – Habitat

Strausz, produtor talentoso do Rio de Janeiro e ex-integrante do R.Sigma, ainda prepara seu disco de estreia. Mas enquanto o debute não sai, ele resolveu soltar a incrível “Habitat”, que dispara beats quebrados e sintetizadores que se encaixam, em meio a tantos ruídos, com a voz livre, leve e solta de Marcela Vale, mais conhecida como Mahmundi. É como se fragmentos eletrônicos da UK garage invadissem as praias cariocas em pleno fim de tarde de verão. – Neto Rodrigues

13) Móveis Coloniais de Acaju – Não Chora

A música não lembra nem de longe a feijoada búlgara que os Móveis Coloniais de Acaju costumavam tocar. É uma balada de partir o coração que foi utilizada para homenagear Oscar Niemeyer quando o arquiteto faleceu. Música pra emocionar. – Gregório Fonseca

12) Apanhador Só – Despirocar

Estranhamento. Essa provavelmente é a melhor palavra para descrever a sensação ao ouvir “Despirocar” pelas primeiras vezes. Passada essa impressão, no entanto, o sentimento que se forma é admiração, já que, com a faixa, os gaúchos do Apanhador Só se libertam do formato mais “certinho” de seu disco de estreia e partem rumo a novas experimentações. Nessa levada, inclua notas dissonantes, gargalhadas macabras e guitarras que parecem querer incomodar o ouvinte. E conseguem, mas no bom sentido. – Neto Rodrigues

11) Nevilton – Friozinho

Pode ficar tranquilo, porque em “Friozinho”, Nevilton não divaga sobre o principal tema de conversas de elevador e de táxis. Em vez de abordar o clima e suas temperaturas, o músico e sua banda, na verdade, constroem uma canção toda fofa sobre amor e sobre o primeiro friozinho na barriga, daqueles que, como diz o próprio Nevilton, fazem arrepiar. Como não curtir? – Neto Rodrigues

10) Don L – Depois Das Três

Escolher uma música que se destaque mais em Caro Vapor/ Vida e Veneno de Don L é tarefa ingrata. Todas parecem interligadas e não faz lá muito sentido separá-las. Mas, de alguma forma, a doçura de “Depois Das Três” faz com que a faixa tenha vida própria, feito alcançado muito pela sensualidade da voz de Izabell Shamylla. O sax quase brega e o flow de Don dão o toque romântico à canção, trilha perfeita praquele rolê noturno e sem rumo pelos bares da cidade.  – Neto Rodrigues

09) Vanguart – Pra Onde Eu Devo Ir

A balada romântica poderia ser um sertanejo lindo na voz de uma dupla clássica, mas é “apenas” uma música pop nas mãos do Vanguart. A boa evolução e o refrão forte permitem a Hélio Flanders ser tocante de uma forma mais pura e apresentar sua disposição aos temas mais universais e populares, com uma música acessível e brilhante. – Iberê Borges

08) Loxxo – You Took My Mind

A nova música eletrônica nacional ganhou atenção especial ao longo do ano. Nomes como Sants, CESRV, INCA e Opala, entre outros, se destacaram e assumiram o espaço onde geralmente só se via indie rock e similares. O duo campineiro Loxxo chega na linha de frente dessa turma. E “You Took My Mind” é seu carro-chefe, com sintetizadores dançantes, guitarras suingadas, batidas de french house e clima gostoso de nu-disco dando o tom de seus seis minutos de duração. – Neto Rodrigues

07) Marcelo Jeneci – De Graça

Quem esperava por mais uma amostra da tal nova MPB paulistana, se surpreendeu ao ouvir o primeiro single do segundo disco solo de Marcelo Jeneci. Se arriscando em terrenos pouco explorados no álbum de estreia, o músico desfila sua versatilidade em “De Graça”, peça graciosa com influências claras da música nordestina, sanfona que convida o parzinho pra dançar coladinho e guitarras agudas que não fariam feio em canções vindas lá do Pará. – Neto Rodrigues

06) Baleia – Furo 2 (Sangue do Paraguai)

As paisagens líricas propostas pela banda carioca Baleia em seu disco de estreia, Quebra Azul, alcançam algo perto da perfeição com “Furo 2 (Sangue do Paraguai)”. Tanta sensibilidade e cuidado com cada arranjo provoca arrepios não importa o número de vezes que você se renda à música. Depois de um minuto caminhando devagar, a faixa mostra a que veio com um refrão abrilhantado por violinos, que acompanham a linha vocal e suas variações num crescendo de encher os olhos – e os ouvidos, obviamente. – Neto Rodrigues

05) Wado – Canto Dos Insetos

“Se você vier, vamos recomeçar por onde?” – é a pergunta mais doce e angustiante da música pop brasileira desse ano. Entre mágoas de partida e perspectiva de perdão, Wado canta e desce uma oitava abaixo para o papo ficar ainda mais pessoal. E funciona bem demais. – Iberê Borges

04) Wado – Rosa

Os versos são poucos, mas o sentimento é  muito. A sonoridade é pop e acessível. Assim, fica mais fácil espalhar esse otimismo todo de “vai doer, mas depois vai passar”. – Iberê Borges

03) SILVA – Amor Pra Depois

“Amor Pra Depois” é daquelas pequenas pérolas perdidas que, por pouco, não se tornam conhecidas pelo público. Escrita em 2009, a faixa ficou de fora do excelente Claridão, do ano passado, até ser lançada como single no segundo semestre desse ano. Ganhou o Prêmio Multishow de Melhor Nova Canção e conquistou com louvor um lugar na lista do Move. – Gregório Fonseca

02) Vanguart – Estive

Uma música para se libertar e se prender. De viajar sozinho se sentindo acompanhado. De estar apaixonado e procurando um novo amor. Como duas vidas, já que uma é pouca pra gente ser feliz, diz Hélio. – Iberê Borges

01) Emicida – Crisântemo

“Crisântemo” é um dos momentos mais fortes e emocionantes da música brasileira recente. Emicida atravessa qualquer barreira sobre expressar dor em uma canção e fala da perda do pai. Chama a vida de “um jogo que mata”, de cilada e de detalhe. Fala sobre esperança e de como, de repente, ela pode virar dor. Como se não bastassem os versos do rapper, o final da música traz um depoimento de sua mãe, Dona Jacira. Ainda não houve uma vez em que ouvi a música com atenção e não tenha precisado segurar uma ou duas lágrimas. Com “Crisântemo”, não fica um “parabéns” ao rapper pelo primeiro lugar, fica um “muito obrigado.” – Victor Caputo

  • Magno Guedes

    E mais uma vez outra lista sem os selvagens a procura de lei. Listinha fraca as músicas inéditas do Vanguart não foram tudo isso…

  • Leocádia Garibaldi

    Polinoia – “Mon Keys”
    Guri e Vanguart – “Diz”
    Vanguart – “Pra 0nde Ir”
    Copacabana Club – “Love is 0ver”
    Rodrigo Amarante – “Maná”
    Garotas Suecas – “A Nuvem”
    INKY – “Night Birds”
    Carousel – “Another Day”
    Gru – “Sidecar”
    Name the Band – “B.Mouth”

  • Humberto Lima

    Muito boa essa lista!