A história de “Nebraska”, sexto álbum de estúdio lançado por Bruce Springsteen

Depois de cinco álbuns elétricos com a E Street Band, Bruce Springsteen dá início a um processo de gravação caseiro, usando apenas um gravador portátil de quatro canais. A intenção era escrever o maior número de canções possíveis para um futuro novo álbum com sua banda de apoio. Ao perceber que o peso e a melancolia de suas letras estavam sendo prejudicados pelas versões coletivas, Springsteen resolveu fazer tudo sozinho e de maneira acústica. Claro que a Columbia ficou apavorada com a ideia do rock star soltar um disco apenas com voz, violão e gaita, sem potencial algum para grandes hits.

A história mudou quando, em 30 de setembro de 1982, Nebraska foi lançado, recebendo elogios da crítica especializada e emplacando o single “Atlantic City” no US Top 10. Born In The USA, o álbum seguinte, transformaria Springsteen em um respeitado astro da música pop, com verdadeiros hinos de arena como “Dancing in the Dark”, “Glory Days” e a faixa título. Mas foi com Nebraska que Springsteen mostrou que até o Boss podia rugir.

Na sequência, curiosidades, fatos e historias sobre todas as faixas de um dos discos mais importantes do mestre Bruce Springsteen.

1. NEBRASKA
A faixa de abertura é sobre Charles Starkweather, um garoto de 19 anos que, em 1958, se envolveu em uma onda de assassinatos. Junto com sua namorada Caril Fugate (de apenas 14 anos), ele matou 11 pessoas em Nebraska. A partir daí, a região passou a considerar filmes rebeldes e o rock and roll como responsáveis por essa nova geração de criminosos. Springsteen chegou a nomear a canção como “Starkweather”, mas por razões óbvias, o título foi alterado.

2. ATLANTIC CITY
Na época da concepção do álbum, o jogo era uma atividade legalizada em Atlantic City, uma das cidades mais pobres de New Jersey. Isso fez com que grandes cassinos fossem construídos no início da década de 1980, se tornando grandes pontos turísticos que contrastavam com a pobreza da cidade, que também era um paraíso para o crime organizado. A primeira linha da canção (“They blew up the Chicken Man in Philly last night”) foi escrita a partir de um artigo de jornal que contava a história de Phill Testa (o “chiken man”), o segundo grande mafioso da região (o primeiro era Angelo Bruno). Após o assassinato de Bruno, Testa foi morto por uma bomba colocada em sua varanda. O mandante teria sido Nicky Scarfo, que passou a controlar os criminosos da Filadélfia e o esquema dos jogos nos cassinos.

3. MANSION ON THE HILL
Escrita sob o ponto de vista de uma criança, teve sua letra baseada nas memórias de um sítio ao qual Springsteen costumava ir para visitar seu pai. Também foi a primeira composição do álbum, registrada no dia 3 de janeiro de 1982 em sua casa com um gravador de 4 canais. Outras canções também foram feitas nesse dia, totalizando a maior parte do repertório de Nebraska. Curiosamente, “Mansion On The Hill” também é o nome de uma música de Hank Williams, lançada em 1948.

4. JOHNNY 99
Canção que fala sobre um homem que perde seu emprego na fábrica de automóveis, fica bêbado e acaba matando o balconista do bar. Após ser preso, é condenado a 99 anos de prisão (daí o apelido Johnny 99). Durante sua campanha política de 1984, Ronald Reagan mencionou justamente essa canção como um “símbolo do orgulho americano”. Springsteen respondeu dizendo que Reagan não estava de fato ouvindo suas músicas, como esta que fala sobre um pobre trabalhador demitido que se transforma em um assassino. Curiosamente, o juiz que sentenciou Johnny 99 se chamava John Brown, o mesmo nome mencionado por Bob Marley em “I Shot The Sheriff”. Bob Dylan também tem uma música chamada “John Brown”, sobre um homem que vai à guerra e acaba retornando ferido.

5. HIGHWAY PATROLMAN
Narrada sob o ponto de vista de um policial rodoviário obrigado a lidar com os problemas do irmão, sempre em conflito com a lei. Foi após essa demo que Springsteen percebeu o potencial das canções que tinha em mãos para transformá-las em um álbum solo.

6. STATE TROOPER
Elaborada durante um passeio de carro por Nova Iorque, também consta nos créditos finais do seriado A Família Soprano (Stevie Van Zandt, amigo de longa data de Springsteen e guitarrista da E Street Band, interpreta Silvio Dante na série).

7. USED CARS
Mais uma composição narrada a partir do ponto de vista de uma criança, é sempre apresentada pelo músico nos momentos em que ele compartilha recordações da infância. Segundo o próprio Springsteen, a faixa é uma “excitante história de sua vida”.

8. OPEN ALL NIGHT
Originalmente chamada de “Wanda”, esta é sobre um homem que dirige a noite inteira só para visitar sua garota. Alguns trechos da letra foram usados em “Living On The Edge Of The World”, gravada em 1979 durante as sessões de The River e finalmente lançada em 1998 no box Tracks. É uma das várias canções de Springsteen que caracterizam imagens de carro. Curiosamente, o primeiro veículo de Springsteen foi um Chevy ’57 com chamas alaranjadas pintadas sobre o capô.

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9. MY FATHER’S HOUSE
A última das composições que foram parar em Nebraska. Assim como outros exemplos, foi escrita baseada nas memórias de infância ao lado da família, se aprofundando na distante relação que o músico tinha com o pai. Entre outras canções de Springsteen que fazem alusão a seu pai, temos “Factory,” “Independence Day,” e “Adam Raised A Cain”.

10. REASON TO BELIEVE
Outra canção de Springsteen que faz referência a alguma estrada de New Jersey, neste caso a Highway 31. “Spirit In The Night” e “Born To Run” também mencionam rodovias do Estado de New Jersey.

Depois do “faixa a faixa”, vamos à integra de Nebraska. Enjoy.

  • Leandro

    Bela homenagem e belo disco!

    BOSS!!!!!!!!!!!