E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante fala sobre influências para o Move

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O nome da banda é grande, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, grande também são as influências do grupo, que lança o EP Medo de Morrer |Medo de Tentar (2016) este ano. Formado por Lucas Theodoro (guitarra), Luden Viana (guitarra), Luccas Villela (baixo) e Rafael Jonke (bateria), o quarteto vindo do undergorund paulistano apresenta duas faixas instrumentais muito elogiadas pelo jornalista e músico Guilherme Guedes e pelo cantor Jair Naves. Dá uma olhadela e veja o que você acha. Right?!

Acabou que cada um dos meninos deu um palpite e no final, entraram em um consenso. Eis aí como ficou a lista deles:

Lucas Theodoro: This Will Destroy You – Another Language

É um disco que pensa em texturas e timbres o tempo todo. Nas passagens calmas, os sons preenchem e nos jogam pra dentro das músicas, construindo uma narrativa que desenvolve até a banda forma uma parede massiva de som.

Em vários momentos é difícil dizer se as linhas melódicas são de sintetizadores ou guitarras compostas de efeitos, a bateria passeia por vários tipos de sonoridades ao longo do disco e o baixo muitas vezes “assume postura” de guitarra distorcida. Algo que me fez repensar o uso dos instrumentos.

Além disso, é uma das bandas que mais me ascendeu a vontade de pesquisar e adicionar elementos de música eletrônica e sintetizadores nas nossas músicas.

Pessoalmente, é uma das poucas referências de post-rock. Possivelmente a única.

Luccas Villela: Cidadão Instigado – Fortaleza

Tem uns baixão com uns timbres sinistros, não só os baixos mas como tudo que o Catatau se propõe a fazer. Obrigatória a audição.

Luden Viana: Early Day Miners – Let Us Garlands Bring

Eu sempre tive uma queda por todas essas bandas de slowcore/sadcore que em algum nível conversavam com o shoegazze. Desde o Galaxie 500 e o Codeine passando pelos primeiros discos do The National.

Lembro de ter conhecido o Let Us Garlands Bring logo após as gravações do Vazio. O disco me impactou logo de cara pela crueza dos arranjos e tranquilidade em desenvolver as músicas sem necessidade de mudanças abruptas de ritmo/andamento. É um disco que se destaca quase que pela habilidade em repetir fraseados sem nunca torná-los maçantes. E isso dialoga muito com algumas de nossas músicas: a repetição não necessariamente diminui a beleza.

Rafael Jonke Buriti: The Roots – How I Got Over

The Roots é uma das minhas bandas favoritas e grande referência sempre que penso na música em geral. Esse disco consolidou meu caráter musical e é um dos que eu mais escuto até hoje. Apesar de eu não desempenhar algo próximo à essa influência na maior parte as músicas que tocamos, é algo que está sempre comigo. Os groovões, o feeling, a sutileza; Questlove é mestre demais! E como estou sempre ouvindo hip hop, procuro incorporar algumas coisas do que gosto nos sons, quando possível. E foi o caso da “Medo de Morrer” que me deu essa abertura.

Todos: Hurtmold – Mestro

É o denominador comum da banda. Cada um tem uma escola musical diferente e aplica isso pra dentro das nossas músicas, mas Hurtmold é unanimidade entre nós. Muito pelo fato de termos crescido em São Paulo e termos acompanhado os lançamentos e os shows da banda ao longo dos anos até hoje. É uma banda que optou por deixar os vocais de lado e aprofundar em composições que usam a influência de diversos outros estilos musicais.
Com certeza não é o tipo de referência evidente nas nossas composições, mas é um lembrete constante do quão universal e impactante a música instrumental pode ser.