Entrevista: Selvagens à Procura de Lei

Gabriel Aragão (voz/guitarra), Caio Evangelista (baixo), Rafael Martins (voz/guitarra) e Nicholas Magalhães (bateria) desembarcaram em São Paulo há alguns dias para participar do 8º Gig Rock, um dos grandes festivais independentes do Brasil, no Beco 203. Eu bati um papo os caras, que formam o grupo Selvagens à Procura de Lei. Entre outros pontos, falamos bastante sobre a diferença entre as realidades cearense e paulistana, quando se tratando de rock alternativo.

Gabriel diz que em plena era da internet, as coisas ainda demoram pra chegar em Fortaleza, e o fator delay influencia até mesmo a estrutura das casas de show da região, que acabam partindo do princípio não de montar um espaço voltado para shows ao vivo, mas sim para o formato acústico, tão comum nos barzinhos daqui de São Paulo.

Sendo uma banda completamente autoral, perguntei se eles sofreram muito ao tentar manter essa característica, especialmente na hora de tentar marcar shows. “Com certeza, ainda existe uma forte onda de bandas cover lá em Fortaleza, tudo bem que isso está mudando aos poucos, mas esse conceito ainda é muito forte lá”, dispara Nicholas. “Mas é algo que conseguimos reverter, principalmente depois da gravação do nosso segundo EP, quando passamos a fazer muitos mais shows”, completa Gabriel. Os caras ainda citam o Órbita Bar e a façanha de serem a primeira banda residente da casa, fazendo shows frequentemente e aumentando cada vez mais seu público.

Outra questão levantada pelos caras que eu achei bem curiosa é a diferença entre a faixa etária dos públicos cearense e paulistano. “Aqui, aparentemente, as pessoas que assistem os shows são mais velhas, aparentando ter uns 28, 30 anos.” Em fortaleza, os ouvintes do Selvagens possuem uma média de idade bem parecida com os integrantes do grupo – algo em torno de 20 anos. “Sentimos falta disso na música também, a garotada da nossa idade fazendo rock. Os caras que tocam em banda sempre são mais velhos. Não que isso seja ruim, mas seria legal ver gente mais jovem tocando algo que fale a nossa língua, que fale da realidade da nossa geração, do mesmo jeito que Renato Russo cantava ‘Tempo Perdido’, por exemplo”.

Quando perguntado sobre a receptividade do público daqui, eles foram bem sinceros: “O paulistano é um pouco mais frio que a galera que vê nossos shows em Fortaleza. Não rola aquela empolgação de pular, cantar e vibrar junto com a banda, pelo menos não de imediato. Mas houve uma aceitação boa das pessoas que viram nossa apresentação, algumas vieram conversar com a gente, outras faziam sinal de positivo, e tal.”
Eu sei que esse ponto é manjado, mas eu quis saber se eles ainda acham que São Paulo, junto com outras poucas cidades, ainda representa um eixo do rock nacional alternativo.

“Com certeza, por mais que a gente saia tocando pelo Brasil afora, batalhando para levar nosso som a lugares que não terão tanta repercussão, São Paulo e Rio de Janeiro ainda conseguem ser formadores de opinião. No show mesmo, tinha uma galera da MTV, tinha a Pitty, tinham muitas figuras públicas, e isso acaba refletindo em todo um contexto de estar no lugar certo.”

Para finalizar, os caras falaram o que andam fazendo em Sampa, além de passear. “Estamos distribuindo alguns  cds, marcando mais entrevistas, conversando com mais pessoas, para poder voltar pra São Paulo e tocar para um público maior. Vamos voltar em setembro, para fazer algumas casas aqui da Rua Augusta mesmo.”

Com CD em mãos, me despeço do Selvagens à Procura de Lei, prometendo marcar uma cerveja para outro dia, com mais calma. É preciso ressaltar a raça que essa molecada tem, tentando reconstruir uma cena de rock alternativa em Fortaleza, começando praticamente do zero. Abaixo vocês podem assistir ao clipe da faixa “Amigos Libertinos”. Espero que gostem.

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  • Rosabelle Braz Sidrim

    Garotos talentosos, que ritmo legal. Sou fã de voces…Sucesso!
    Rosabelle