Especial: Os 30 Melhores Discos Nacionais de 2017

Eis os melhores de 2017, segundo a equipe do Move That Jukebox


Equeipe do Move That Jukebox se unui para mostrar a vocês os que consideramos ser os melhores discos nacionais de 2017 e para isso, os votantes foram Alessandra Braz, Gustavo Costa Geraldo, Rômulo Mendes e Wagner Moreira. Aqui você vai pode escutar cada um deles pelo Spotify (com exceção do disco visual da artista Luiza Lian e de Mallu Magalhães, que também fez ilustrações para cada canção) e saber um pouco mais sobre os artistas.

30. Luiz Gabriel Lopes

Este disco acabou passando despercebido por muita gente, mas é um dos álbuns mais bonitos lançados este ano. MANA é uma série de músicas indies-pop-mpbistas, que já com isso poderia soar pretenciosa, mas não é nada disso. É um disco cheio de canções leves de um mineiro e um dos vocalistas do grupo Graveola, que trata de vários assuntos desde o amor, das coisas simples da vida e até da proteção da natureza. Tem participações do Mauricio Pereira e da Ceumar. (AB)
Escute “1986”, “Apologia” e “Matança”

29. Boogarins

A banda que toca no lindo Coachella deste ano, lançou em 9 de junho “Lá vem a Morte”. São 8 faixas com a produção do guitarrista Benke Ferraz, os sintetizadores se misturam com um conceito melódico mais leve, com o clima, viagem e psicodelia única do quarteto de Goiânia. (WM)
Escute “Foi Mal”, “Onda Negra” e “Elogio a Instituição do Cinismo”

28. Tiê

A artista vem fazendo uma bela carreira musical. Após seu último álbum “Esmeralda” (2015), que trouxe à tona o sucesso a nível nacional “Noite”, chegou a vez de “Gaya”, uma ótima obra que concretiza o que a cantora sabe fazer de melhor, que é encantar os nossos ouvidos em belas canções pops. (RM)
Escute “Amuleto”, “Pra Amora” e “Deixa pra Depois”

27. Nevilton

Lançado em 24 de novembro, “Adiante” veio pra lembrar o quanto a música de Nevilton de Alencar fez falta no hiato de 4 anos entre o novo disco e “Sacode!” (2013). Canções lindas de doer, para se ouvir com quem quiser e a qualquer momento, sem dúvida Nevilton poderia e deveria ser muito maior no cenário quando nos damos conta da qualidade de tudo que a banda lançou até hoje. (WM)
Escute “Lua e Sol”, “Amarela” e “Humana”

26. Luiz Lian

Misturando elementos como sintetizadores, batida funk, trip-hop e spoken word, a paulistana Luiza Lian lançou o disco experimental, “Oyá Tempo, que viaja e mapeia as entranhas da artista, de forma difícil e sedutora. Além da parte musical, a artista também lançou um álbum visual no youtube. (GG)
Escute “Oyá”, “Cadeira” e “É Nela que se mora”

25. Lucas Santtana

Em “Modo Avião” o Lucas Santtana fez mais do que um disco, ele fez uma experiência sonora. Tanto é que mostrou o álbum em alguns locais onde era possível se desconectar por um tempo, deitar confortavelmente em pufe e pegar seus fones e apenas escutar as canções. A grande crítica aqui é justamente à correria dos nossos tempos, onde não paramos mais para desfrutar de coisas pequenas, como dar a atenção devida a um disco. (AB)
Escute “Só o Som”, “Modo Avião” e “Vamos andar pela cidade”

24. Rodrigo Campos

A ideia de fazer um disco com sambas inspirados no livro de um filósofo existencialista francês parece absurda, e é, mas funciona. O violonista Rodrigo Campos ainda conta com a colaboração de Juçara Amaral e Gui Amabis na empreitada absurda que coloca melodias versáteis, intimistas e confessionais em poemas cheios de lirismo e belas interpretações no disco “Sambas do Absurdo”. (GG)
Escute “Absurdo 1”, “Absurdo 3” e “Absurdo 6”

23. Braza

O segundo disco do Braza, “Tijolo a Tijolo” soa como homenagem ao Brasil, sua música e vertentes tropicais. A pluralidade do disco foi citada pela banda em entrevista para nosso site e também pode ser conferida nos singles “Ande”, “Ela me chamou para dançar um Ragga” e “Moldado em Barro”, essa última com clipe fantástico gravado na Amazônia Paraense. (WM)
Escute “Selecta”, “Ela Me Chamou Para Dançar Um Ragga” e “Qual é o Rosto de Deus?”

22. Flora Matos

Em “Eletrocardiograma” Flora brinca com as palavras e com os desejos sexuais femininos. A artista se usa do feminismo com força e traz um rap com pitadas dançantes, mas dos artistas que estão aqui na nossa lista é uma das que mais usa o rap em sua forma mais natural. (AB)
Escute “Perdendo o Juízo”, “Preta da Quebrada” e “Deixa Brilhar”

21. Rimas e Melodias

Juntar uma série de talentos em um supergrupo é uma das cosias mais difíceis de fazer dar certo. Tem que se lidar com ego, as pessoas tem que se dar bem, mas o Rimas e Melodias conseguiu fazer isso muito bem, obrigada. O ponto principal aqui que Tassia Reis, Drik Barbosa, Mayra Maldijan, Tatiana Bispo, Karol de Souza, Stefanie e Alt Niss para misturar R&B ao rap e tratar do empoderamento negro, especialmente do feminino. (AB)
Escute “Coração”, “Origens” e “Manifesto/Pule, Garota”

20. Otto

Ottomatopeia é o novo mundo do pernambucano Otto. É um barco cheio de amor, num mar revolto. Ele pode dizer o quanto for que o disco não é sobre isso, mas este é o pano de fundo que ele utiliza para não pensar em política. Afinal, é melhor faz uma pelo jantar para a mulher do que ligar a TV e ver mais notícias sobre corrupção, roubos, mortes. Aqui Otto mostra preocupação com o futuro, mas quer dizer que neste momento sua cabeça está cheia demais para pensar nisso tudo. E tudo bem, às vezes é preciso pensar e outras coisas para continuar seguindo em frente.
Escute: “Bala”, “Soprei” e “Dúvida”

19. Garotas Suecas

O disco “Futuro do Pretérito” não só marca uma mudança na formação da banda, mas também no conceito como um todo. São canções diretas, atuais e informativas, nada foi esquecido, de questões comportamentais a políticas. Todos cantam e contribuem de diferentes formas, tem de tudo e tudo muito bem executado no Futuro do Pretérito do Garotas Suecas. (WM)
Escute “Não Tem Conversa”, “Angola Luisiana” e “Captei Você”

18. Paulo Miklos

Em seu primeiro disco solo, “A gente Mora do Agora, o ex-Titã se cerca de artistas de diversos estilos e gerações para musicar todos os seus pensamentos e desejos. Nesse registro, Miklos apresenta um trabalho otimista e esperançoso, reflexo dos tons claros da capa. (GG)
Escute “A Lei Desse Troço”, “Todo Grande Amor” e “Princípio Ativo”

17. Coruja BC1

Coruja BC1 sumiu dois anos pra voltar no mínimo cinco á frente. Pupilo do Emicida, o rapper de Bauru, interior paulista, foi um dos destaques de 2017, lançando o seu primeiro álbum, “NDDN – No Dia Dos Nossos, mostrando com letras sagazes e a flor da pele, o motivo da gente daqui para frente ter que prestar mais atenção no rap. (RM)
Escute “NDDN”, “Jazz Records” e “Escuta-me”

16. Far From Alaska

O Far From Alaska é outra banda para o mundo que temos o prazer de ver crescer. Lançado em agosto, Unlikely é visceral. O segundo álbum da banda é seguro e o tempo todo muito bom, talvez também influência da produção precisa Sylvia Massy, que já trabalhou com Johnny Cash e System of a Down, entre outros. (WM)
Escute “Cobra”, “Flamingo” e “Pizza”

15. Linn da Quebrada

Disparada uma das artistas mais interessantes que está no meio independente no momento, Linn da Quebrada é uma mulher que não tem medo de ser quem é, justamente em um país onde ser LGBT é tão difícil. Ainda mais se você é periférica, negra, fora do padrão, etc etc. Linn é tudo isso. E é com o funk e muitas letras onde fala explicitamente de sexo e de muuuuuito empoderamento, que “Pajubá” não poderia ficar de fora desta lista. (AB)
Escute “Necomancia”, “Coytada” e “Pirigoza”

14. Criolo

Criolo, já é um dos nomes mais celebrados da música brasileira e nesse ano fez juz ao rótulo, lançando seu primeiro álbum de samba, “Espiral da ilusão”. O artista do Grajau é de verdade, não tem ideia, suas canções chegam e as palavras somam, desenhando poesia, cortante, atual e necessária. (RM)
Escute “Cria de Favela”, “Nas Aguas” e “Menino Mimado”

13. Curumin

Acho que o Curumin é um dos artistas mais inteligentes em esconder os seus posicionamentos políticos em duas músicas. Por que digo isso? Veja bem, ao escutar “Boca”, você por um acaso pensa em política ou para você é só mais um disco para dançar e/ou curtir com os amigos? Pois é, mas maioria das canções tem uma pitada ou suas letras cheias de críticas pesadas e muito inteligentes. Pegue por exemplo a letra de “Boca Pequena Pt.1”, onde ele diz: “Que a raposada chora/Chacoalha o rabo da cobra/Ratazanas fazem a festa/(Corre a boca pequena/A boca pequena/Paletó, cordão de ouro/Amuleto e maleta recheada/Tá firmado o acordo”. Pode ser para alguns não esteja claro, mas veja como ele conseguiu faz uma crítica ao acordões, mensalões e toda à corrupção que estamos vendo no país agora enquanto você dançava? (AB)
Escute “Bora Passear”, “Boca de Groselha” e “Boca Cheia”

12. Letrux

O primeiro registro solo de Leticia Novaes (Letuce), “Letrux Em Noite de Climão” mostra as facetas das relações e pós relações, sendo triste, raivosa, sexy e divertida, tudo naturalmente falado como deve ser. (WM)
Escute “Ninguém Perguntou Por Você”, “Que Estrago” e “Noite Estranha Geral Sentiu”

11. Nina Becker

Jonas Sá, Kassin, Thalma de Freitas, Romulo Fróes, Negro Leo, Laura Erber, Natércia Pontes, Moreno Veloso e Rubinho Jacobina, são alguns dos nomes do time de peso que Nina Becker juntou na feitura de Acrílico. O trabalho não é só de composição sonora, mas também de estética, sensível e multifacetado como Nina. (WM)
Escute “Despertador”, “Vôo Rasante” e “Na Quebrada”

10. Cícero

Este é o primeiro disco que Cícero faz com uma banda o Albatroz. Embora já esteja tocando com o grupo há alguns anos é a primeira vez que tem os companheiros dando palpite e mexendo e criando juntos uma música. Algo totalmente perceptível e o resultado é: melhores do ano, babeeee! O grande acontecimento aqui é conseguir trazer à banda, mas ainda sim ter o espírito do Cícero. Além disso, Cícero está aqui mais pra cima e a melancolia saiu das músicas, mas ficou nas canções. Algo meio The Smiths. (AB)
Escute “Aurora N°1”, “Não se vá” e “A Cidade”

9. Mallu Magalhães


Ah, Malluzinha! Falou tanta besteira em tão pouco tempo, mas esperamos que coloque a mão na consciência para entender tudo. Em “Vem” ela fofamente pega o samba junta com a MPB e faz um daqueles discos perfeitos para uma tarde agradável com uma pessoa que você gosta de ficar, bebendo algo gostoso e rindo das coisas boa da vida, sabe? Aqui, ela fala sobre esta nova etapa da vida de ser mãe, estar apaixonada pelo seu marido, na verdade, é só dar uma olhada no Instagram dela para achar que sua vida é perfeita. E como gosta de uma selfie. (AB)
Escute “Você não Presta”, “Pelo Telefone” e “São Paulo”

8. Giovanni Cidreira


“Japanese Food” é o primeiro álbum do baiano Giovani Cidreira. Com influências que vão da MPB psicodélica do Clube da Esquina, do indie rock ao The Smiths, mesclando muito bem guitarras eufóricas e versos confessionais. É difícil encaixar o disco em um gênero específico, mas o resultado é surpreendente. (GG)
Escute “Movimento da Espada”, “Última Vida Submarina” e “Festa de Judas”

7. Baco Exu Blues


Baco Exu do Blues mostrou que não foi somente o rapper baiano que atacou alguns rappers do sudeste na música. Exu, seu primeiro nos corou com umas das melhores sonoridades que vistas nesse ano, além de trazer à tona o love song mais inusitado dos últimos tempos em “Te Amo Disgraça”! O Baco é tipo o Neo do filme “Matrix”, junto do Luke Skywalker, o escolhido, aquele cara que vence as adversidades pessoais e segue na missão de fazer muitos sons para entrar em nossas cabeças. (RM)
Escute “Esú”, “Te Amo Disgraça” e “Oração a Vitória”

6. Chico Buarque


Só de ser o Chico Buarque, “Caravanas” já devia entrar em qualquer lista de melhores do ano, mas na nossa ele entrou porque mesmo passando tanto tempo sem lançar absolutamente nada de novo, Chico Buarque volta sendo relevante novamente. Pois é! Quando saiu, seu disco foi bombardeado, mas na verdade é um álbum sobre um homem que buscou o amor, não foi ouvido, visto, sentido e acabou virando apenas um avô gente boa. É um disco melancólico com pequenas pitadas de humor e de açoites nos conversadores. Sem dúvida a música mais forte é a que dá nome ao álbum, joga a culpa dos mais exaltados no sol e ainda traz o racismo como e preconceito numa espécie de exaltação às avessas, diz: “Diz que eles têm picas enorme e seus sacos são granadas”. (AB)
Escute: “Caravanas”, “Tua Cantiga” e “Jogo de Bola”

5. Xênia França


Ela tem nome de guerreira e a personagem principal de seu disco é uma mulher negra cheia de coragem, a ponto de depois de sofrer violência doméstica resolve fazer alguma coisa, matar o seu algoz. Em “Xenia”, a baiana radicada em São Paulo, fala não só sobre si, mas também sobre o poder da mulher negra, sobre negritude e até sobre o espinhoso assunto “apropriação cultural”, além do já citado lá em cima. Com doçura na voz forte, ela junta o R&B a MPB e faz um dos grandes discos de 2017. Com certeza! (AB)
Escute “Minha História”, “Miragem” e “Perfeita pra você”

4. Maglore


Com certeza esse disco conversa muito com “Melhor do que Parece” (2016), do grupo O Terno. “Todas as Bandeiras” é um disco jovem, que conversa justamente com essas pessoas que estão aprendendo a ser adultos. Estão passando pelas primeiras crises, primeiras mortes, primeiros casamentos ou o fim deles e estão aprendendo a recomeçar. Recomeçar, algo que nós humanos com certeza não fomos treinados a fazer. Daí, a beleza desse disco, que nos diz que às vezes é mesmo complicado passar por certas coisas e tudo bem se para isso, você precisa fumar um baseado (será?) ou ir tomar uma até o sol raiar para esquecer as cosias ruins que se passaram. Mas deixe passar e volte a viver, porque a vida é o melhor. (AB)
Escute: “Calma”, “Clonazepam 2mg” e “Hoje eu vou sair”

3. Kiko Dinucci


“Cortes Curtos é um daqueles discos limítrofes. Se tivesse um pouco mais de distorção, seria um disco tão ruim, que ouvir seria tão incômodo, que basta corta ele de qualquer lugar. Mas daí, vem Kiko Dinucci e faz uma homenagem às avessas a São Paulo, mostrando o quão a cidade pode ser difícil e ao mesmo tempo linda de se viver. As distorções mostram o trânsito, as discussões, os protestos, as discordâncias, as discrepâncias, as diferenças. Já a parte cancioneira, o quanto essa cidade também pode ser prazerosa. (AB)
Escute “No Escuro”, “Desmonto Sua Cabeça” e “Uma Hora da Manhã”

2. Tim Bernardes


O preferido de muitos sem dúvidas é o mais intimista de todos os lançamentos de 2017, “Recomeçar” de Tim Bernardes. Tim revela um lado seu, sem a capa de uma banda, somente seu lado de dentro, seus pensamentos, sentimentos e sensações de forma pura e ótima. (WM)
Escute “Quis Mudar”, “Tanto Faz” e “Era o Fim”

1. Rincon Sapiência


O grande mérito de Rincon em Galanga Livre foi pegar o racismo e inclusive expressões usadas até hoje, como “a coisa tá preta” é transformar numa celebração da pele e da cultura negra. Suas rimas são inteligentes e ao mesmo tempo fáceis de cantar. E mesmo que o centro de tudo seja falar de negritude, ele também aponta para coisas que pessoas simples vivem todos os dias, como pegar um ônibus cheio ou a vontade de subir na vida, ou, no caso de mulheres, o medo de voltar para casa sozinhas. Fez tudo isso fazendo todo mundo dançar, parecido com o que o BaianaSystem fez ano passado. Que discáço! (AB)
Escute “A Volta pra Casa”, “A Coisa Tá Preta” e “Galanga Livre”

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