Holger – Sunga

Se tem um aspecto que é escancarado em Sunga é o tanto que os 5 integrantes da banda se divertiram durante a composição e gravação do disco. Como tudo que vale a pena, no entanto, provavelmente demandou esforços descomunais, noites mal dormidas e dias movidos a café – e cachaça. E o resultado é algo surpreendente até pra quem já conhece o Holger do EP The Green Valley e sabia que, dali, poderia sair uma das novidades nacionais mais empolgantes em anos. Pra você que não conhece, sem stress. Você terá a chance de ver uma banda fazendo visivelmente o que ama e, apesar da pieguice, dando o sangue, curtindo ao máximo cada refrão, cada acorde e sabendo que fez um disco da forma e com as pessoas que queria.

O tom inseguro e até mesmo um pouco introspectivo de algumas músicas do The Green Valley foi substituído por uma confiança de saltar aos olhos. Faixas já conhecidas – por meio de demos ou versões ao vivo -, como “Undesirable Regrets” e “No Brakes”, ganharam corpo e foram lapidadas na medida. Responsável por algumas dessas mudanças, o produtor americano Paul Roger Mason foi recrutado e passou cerca de um mês na casa dos caras. Junto com Pata, Pedro, Tché, Arthur e Rolla, ele conseguiu mensurar e encaixar bem as influências do grupo, que vão desde Calypso(!) e Luiz Caldas(!!) até Pavement e Flaming Lips.

Sunga é daqueles discos para ser absorvido com o volume lá no alto e sem ter nenhuma faixa ou detalhe deixado pra trás. O refrão de “No Brakes”, por exemplo, foi feito pra ser cantado em uníssono nos shows ou mesmo numa rodinha cheia de amigos e cerveja. Na sequência, com “She Dances” e “Let’em Shine Below”, você abre um sorriso e percebe o primeiro sinal de que o verão vai ser ensolarado e envolto em riffs de guitarras e sintetizadores – que farão geral dançar tanto na Bahia e seus axés, quanto no Brooklyn e seus Vampire Weekends da vida.

A vibe festeira segue pelas próximas 5 faixas. E tentar ficar parado, alheio ou bancar o inatingível por toda a sonoridade envolvente de Sunga é como tentar sair de um show da banda completamente sóbrio. “Transfinite” começa tímida, mas logo na metade se encontra com um baixo pesado que sustenta o ritmo até seu desfecho. Já “Caribbean Nights” mostra como mesclar com propriedade riffs safados e grudentos, bateria à la Local Natives (aliás, o Holger não seria um Local Natives on acid e na putaria total? REFLITA) e várias camadas e alternâncias de vocais. Não é por menos que ela é um dos principais destaques do CD.

“Toothless Turtles” e “Undesirable Regrets” são outros dois ótimos momentos – e que te colocam pra pensar que, às vezes, o hype acerta em cheio nas suas previsões. Diante de muita banda que força sua trajetória e planeja os mínimos detalhes até chegar ao, hm, mainstream, o Holger soa espontâneo e com plena consciência – quando seus integrantes não estão bêbados demais – do que querem: se divertir ao máximo enquanto banda. E isso fica claro em “Beaver”, que parece até ter sido combinada da seguinte forma: “Bora entrar no estúdio, dar uns gritos como se a gente fizesse parte de tribos africanas, botar uma percussão esquizofrênica e ver no que dá?”

A trinca que encerra o debut dos paulistanos, apesar de destoar um pouco das passagens anteriores, prende a atenção da mesma forma e mostra que o grupo também consegue ser “sério”. “Who Knows?” é uma balada com traços de Pavement e que pode encher os olhos dos mais sensíveis. Ultrapassando 10 minutos de duração, se somadas, “Eagle” e a climática “Geneçambique” fecham com toques de experimentalismos (alô, Animal Collective!) o que é, provavelmente, um dos discos mais interessantes do ano. E repare que eu nem usei o termo “nacionais”. Exagero? Talvez. Mas se a intenção era levar diversão e surpreender ouvidos alheios com uma sonoridade descompromissada, talvez seja um exagero mais do que justificável, porque me diverti absurdamente com a Sunga do Holger.

-> Escute Sunga, faixa a faixa, no SoundCloud da banda.

  • Concordo contigo, tava passando pelas listas de bandas de 2010 da NME e da Stereogum, e até comentei em um blog qualquer: Bem que o Holger poderia estar nessas listas.

    Essa faixa que tem o clip ali em cima, já mostra que os caras tem pot~encial pra estravassar as fronteiras de nossa terra brasilis.

    Digo mais tem muito mais cartas na manga que muitas bandas que apareceram nestas listas ante citadas!

  • Onde e quando vai dá pra ouvir?

  • acabei de atualizar o post com essa informação, luis 😉

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  • Olha, bem bom o disco mesmo..

    Não mostra nada inovador, mas sob a proposta de se divertir e divertir, a banda cumpre bem o seu papel.

  • Felipe

    Essa Eagle eu ouvi via Popload e achei meio Foals meets Pablo Diaz-Reixa(ou Panda Bear), o que me deixou meio “Jesus!”

  • Mateus

    É difícil discordar de uma banda que se influencia tanto em Modest Mouse.

  • djones

    de tão ruim, gruda na cabeça essa merda

  • Vinicio

    Modest Mouse?? seriously?

    esse djones não sabo o que tá falando

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  • Kara,,eu sou fã de Rock classico e um poko de INDIE e tirando algumas bandas brasileiras atuais(VIVENDO DO OCIO,VANGUART)eu sempre achei as bandas brasileiras atuais uma merda.Mas quando eu ouvi “NO BREAKS” e depois descobri que a banda era brasileira,a felicidade foi inevital,esses caras tem letras perfeitas e o q mais chama a atenção eh q eles assim THE LIBERTINES naum kerem forçar a barra para agradar ninguem,mas sim fazer musika sincera,e exatamente esse descompromisso e a nitida diversão q eles passam eh o q faz kualker um naum conseguir fikar…INDIFERENTE diante dessas musikas perfeitas,sem duvida nenhuma na minha opinião a melhor banda brasileira!!!