Lollapalooza @ Chile, dia 1 (02/04/11)

Por Gregório Fonseca

O festival Lollapalooza, que completará 20 anos daqui a alguns meses, teve sua primeira edição latino-americana realizada em Santiago, no último final de semana. Tanto tempo de experiência e know-how pareciam garantir a certeza de uma boa organização, mas o que se viu não foi bem assim. Problemas graves prejudicaram bastante o primeiro dia de festival.

De acordo com o jornal chileno La Hora, cerca de 7000 estrangeiros foram ao festival. Foram os que mais sofreram: alguns chegaram a ficar 5 horas na fila de retirada de ingressos no primeiro dia, enquanto as bandas tocavam nos 5 palcos do Parque O’Higgins.

O segundo equívoco da produção foi o dimensionamento errado do Tech Stage, palco onde se apresentaram no sábado bandas como Edward Sharpe & The Magnetic Zeros, Datarock e a brasileira CSS. Com capacidade para pouco mais de 2000 pessoas, estava sempre lotado, e teve sua entrada (ou melhor, não entrada) controlada pela polícia chilena. Para as outras 50 mil pessoas presentes, assistir a um show do Tech Stage era um sonho distante.

Os outros palcos, no entanto, tiveram uma estrutura mais que adequada. O Kidzapalooza, palco dedicado a atrações infantis, esbanjou alegria e diversão. Nos arredores do palco, diversos estandes com brincadeiras alegravam os pimpolhos.

O LG Stage era o ambiente que, no Brasil, seria chamado de tenda eletrônica, exceto pelo fato de que não era uma tenda, e sim um grandioso ginásio. Nomes como Fatoboy Slim, Empire of The Sun e New Kids On The Noise fizeram o público dançar por horas a fio no único lugar do festival onde sempre era noite.

As atrações principais se revezavam em palcos semelhantes, o Coca-Cola Stage e o Claro Stage, para que não houvesse intervalos entre os shows. Foi lá que o The National fez um show tecnicamente impecável, mas que não arrancou mais que palmas do público. O vocalista do Deftones mergulhou na plateia e justificou a popularidade da banda no país. E, para encerrar o dia, um retorno aos palcos do The Killers, com um setlist muito parecido com o da última turnê – o que significa que foi muito bom.

O grande êxito do evento, no entanto, foi o clima que o festival conseguiu passar a seus frequentadores. Famílias com filhos pequenos e carrinhos de bebês dividiam espaço com casais de velhinhos e roqueiros de todas as idades. O fato da bebida alcoólica ser proibida (exceto numa área VIP, que ficava longe do palco) contribuiu para que não houvesse nenhuma confusão. Quem estava lá, foi pela música. E afinal, é isso que importa.

  • Guilherme

    Estive lá e realmente a organização beirou o impecável. Não tive problemas com o ingresso pois o mesmo me foi entregue pela agência de viagens. O único porém mesmo foi o Tech Stage, não consegui ver o CSS e The Drums, que gostaria. Fora isso, foi um lindo festival.
    Sim, o fato de não haver bebidas alcoólicas com certeza colabora com isso, mas a educação e noção de civismo dos chilenos são impressionantes.
    Mesmo com atraso nas tendas de comida, mantinham uma fila organizada, sem tumulto, gritaria, coisa inimaginável por nossas bandas.
    Mesmo com o Tech Stage, dou 10 para a organização.
    Quanto aos shows, no sábado o Ben Harper deu uma aula de rock’n’roll, o The National foi marvilhoso e The Killers fez um show calculado, sem novidades, porém emocionante para um fã como eu vê-los ao vivo novamente.
    No domingo, o Flaming Lips arregaçou! Puta show, mesmo sem She don’t use jelly (hehehe), mas foi demais, puta energia ao vivo. E o Jane’s Addiction encerrou (pelo menos para mim que fui embora) com chave de platina!
    Abraços, e com certeza em 2012 estarei de novo.

  • Nathalia Guimaraes

    Acho muito valido esse adicional da proibicao da bebida. Deve ter tido uma energia super fantastico principalmente pela diversidade do publico e do objetivo comum de ouvir bandas tao boas! Curti!

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