23 fev 2010

Marina and The Diamonds – The Family Jewels

Por Vitor Gonçalves @15:06

Marina and The Diamonds foi uma das artistas citadas na lista da BBC de “bandas para ficarmos de olho em 2010″. Sendo assim, a cantora – que já despontava com uma música aqui e uma ali em 2009 – ganhava, antes do lançamento de seu debut, uma atmosfera de promessa.

E ficou só na promessa mesmo.

Juro que gostei da primeira vez que ouvi “Hollywood” numa versão acústica. Ela transpirava espontaneidade e vontade de mostrar algo novo. No entanto, The Family Jewels dá um bom preview do que virá ao longo de toda a sua execução logo na primeira música, “Are You Satisfied?”. A faixa funciona como um pop chiclete e barato que quer se passar por indie. Assim mesmo, sem fazer muito sentido. E é aí que descobrimos que a voz de Marina (ou melhor, o jeito que ela canta) é o principal vilão do CD.

“Shampain”, na primeira ouvida, reacendeu minhas esperanças de algo interessante. Pode ser considerada um dos destaques, assim como “Rootless”. Se o CD seguisse nessa linha, mais “natural”, acho que daria um bom álbum. O problema é que a voz de Marina parece extremamente afetada. E há certas músicas em que dá pra perceber que a moça tem uma voz bonita, de fato, mas passa do ponto ao tentar criar uma identidade mais forte e estraga praticamente todas as músicas do disco – é o caso de “Oh No!” (o título que se enquadra perfeitamente, aliás), que começa bem mas deixa tudo ir por água abaixo quando Marina exagera nos vocais. O mesmo acontece em “Numb”. POR QUE, MARINA?

“Hermit The Frog” é a pior do cd. “Mowgli’s Road” é até que divertidinha, com o vocal levemente (veja bem, LEVEMENTE) mais adequado. “I Am Not A Robot” é uma música (de pop baratíssimo) fofinha e que demonstra toda a ternura de menininha que Marina se empenha a mostrar. Nada tocante, porém. “Girls” é o contrário: é daquelas em que a cantora quer mostrar a força do sexo feminino, com sua voz forte e tal. Também não funcionou pra mim. “The Outsider” e “Obsessions” são os momentos do CD que se rendem ao pianinho para tentar mostrar algum sentimento, mas que depois se transformam em mais uma salada de harmonias que se apóiam no clichê e melodias mais-do-mesmo.

Finalmente, em “Guilty” conclui-se que o CD, além de não ser inspirado e de a voz de Marina ser o principal ponto negativo, ainda é mal produzido. Sabe aqueles momentos em que você vê que precisa de um eco a mais? Uma profundidade maior na sonoridade, pra juntar as coisas? Isso não tem. É um som superficial. Assim como tudo em The Family Jewels. Álbum que, pra mim, já põe em dúvida a confiabilidade da lista da BBC.

7 jan 2010

Marina and the Diamonds em versão acústica

Por Alex Correa @16:10

A Marina and the Diamonds, que a BBC jogou na lista de “bandas para ficarmos de olho em 2010″, me decepcionou recentemente com o lançamento da mediana “Hollywood”, mas acaba de subir um pouco mais no meu conceito. A cantora, que ficou em alta comigo na época do The Crown Jewels EP, voltou a me satisfazer com uma versão acústica da supracitada “Hollywood”, em que Marina aparece cheia de caras e bocas divertidíssimas. Viciei:

O CD de estréia da moça, The Family Jewels, está com lançamento agendado para 15 de fevereiro e conta com várias inéditas, além das velhas conhecidas “I Am Not a Robot”, “Mowgli’s Road” e a própria “Hollywood”.

Peguei o vídeo no Morettini.

7 dez 2009

BBC divulga lista de “artistas para ficarmos de olho em 2010″

Por Alex Correa @14:36

A BBC pode não sair na frente de portais como os da Pitchfork e da Rolling Stone na hora de dar notícias sobre o universo musical, mas sempre garante a atenção da mídia no final do ano, quando aparece com a lista de bandas que vão despontar no ano seguinte – em 2009, apareceram no ranking La Roux, Little Boots, Florence and the Machine, Lady Gaga, Passion Pit e outros.

delphic

Delphic, um dos prováveis estouros de 2010

O destaque dado a BBC’s Sounds of 2010 existe, basicamente, porque a lista faz uma seleção fundamentada na seleção de diversos críticos especializados, incluindo gente de fora da emissora – ao todo, 165 jornalistas britânicos enviaram à BBC os nomes de seus três artistas emergentes favoritos. Os 15 nomes mais citados foram esses:

Daisy Dares You
Delphic
Devlin
The Drums
Everything Everything
Giggs
Gold Panda
Ellie Goulding
Huts
Joy Orbison
Marina and the Diamonds
Owl City
Rox
Stornoway
Two Door Cinema Club

Da lista, os mais super über fodas são o Delphic e o Everything Everything, acho, que me surpreendeu muito positivamente. Também vale ouvir The Drums, Two Door Cinema Club e, se você não conhece, Marina and the Diamonds, que já me cansou. Em janeiro serão anunciados os cinco selecionados finais dessa lista. Parece que rola prêmio, até. Vamos esperar.

30 nov 2009

Clipe: Marina and the Diamonds – Hollywood

Por Alex Correa @19:35

A partir do momento em que uma cantora galesa grava um clipe sobre Hollywood cantando em cima de uma bandeira dos Estados Unidos, sua credibilidade começa a decair. E, por mais que as letras tenham um quê de crítica em alguns trechos (“Hollywood affected your brain”), não dá pra não ficar de saco cheio de toda essa apologia. E não, eu não sou anti-EUA:

O clipe ficou com cara de Lily Allen mas a direção, na verdade, é creditada à Kinga Burza, que já trabalhou com Kate Nash, The Teenagers, Calvin Harris e muitos outros. Kinga, pra quem não sabe, dá uns amassos em James Righton, do Klaxons, há alguns anos.

“Hollywood” é um dos singles pré-debut de Marina Diamondis, que só lança seu primeiro álbum, The Family Jewels, em fevereiro de 2010. E eu juro que as críticas acima não são culpa da entrevista meia-boca que a moça me concedeu em junho.

Agradecimentos a @HenriqueSauer, que me mandou o vídeo.

21 out 2009

Clipe: Marina and the Diamonds – Mowgli’s Road

Por Alex Correa @19:51

A gente já resenhou ela. A gente já entrevistou ela. A gente já xavecou ela. E ela sempre pareceu incapaz de fazer um clipe nonsense desses:

Sério, essas perninhas de seiláoquê me dão muita aflição. A propósito, fui alertado pela Babi de que a Marina não é tão bonita assim na, uhn, vida real. Acho que vou continuar alimentando minha paixão mesmo assim. #oamorécego

15 jul 2009

Entrevista: Marina and the Diamonds

Por Alex Correa @14:51

Declarei meu amor por Marina Diamandis há pouco tempo, vocês lembram? Se já apagou isso da memória, aí vai um trechinho pra refrescar:

Marina and The Diamonds é meu novo vício. Mesmo. O pseudônimo foi criado pela lindíssima Marina Diamandis (o ‘Diamonds’ tá explicado?), cantora britânica que iniciou suas atividades no ano passado e, já em 2009, adicionou duas grandes apresentações em seu histórico de shows: O primeiro, em maio, no Big Weekend da BBC e, no mês seguinte, o gigantesco Glastonbury, onde foi escada para o Queen’s Head Stage, no mesmo dia de Dan Black, The Wombats e Noah and the Whale. Até o final do ano, Marina terá passado pelos maiores festivais do Reino Unido, com o iTunes Festival, Bestival, Latitude, Reading e Leeds em sua agenda.

Mas é claro que isso não é tudo que podemos saber sobre Marina, então corri atrás da cantora pra colher mais informações – e a mulher foi falando tudo, mesmo parecendo mais seca do que de costume. Você lê toda a nossa conversa aqui:

Você já está trabalhando em seu primeiro álbum de estúdio, não?
Estou fazendo isso com muito cuidado. Não posso dar mais detalhes.

Uma banda toca com você em seus shows, mas eles não parecem ser nada mais do que uma banda de apoio – você ainda é uma artista solo. Qual é o motivo disso?

Porque meu ego é muito grande, haha! Na verdade, nunca me imaginei numa banda. Não trabalho bem em conjunto. Não suporto a idéia de estar numa banda. Nunca pensei nisso como uma opção.

Como começou sua carreira? As primeiras letras, os primeiros acordes…
Eu me joguei nesse negócio de fazer música de repente – e muito mal. Eu escrevia poemas como uma criança e então tive uma vontade forte de me expressar através de palavras e, eventualmente, de canções.

Você já disse algo sobre nunca estar satisfeita com seus shows. Isso é falta de auto-estima ou você é muito dura consigo mesma?
Essas duas coisas não são iguais?

E essa tendência de “My Name and the Things”? Por que você acha que isso tá ficando tão popular, além de ser cool?
Uhn, não sei. Eu não fiz isso propositalmente ou com o objetivo de ser cool. O cool nunca dura muito. Eu só queria botar um pouco de fantasia nesse nome, acho, queria criar uma diferença entre ser uma garota e uma artista. Queria que funcionasse como um coletivo energético (soa estranho, mas…).

Sobre o que fala ‘I Am Not a Robot’, exatamente? Não sei dizer se é uma canção sobre amor ou raiva.
É sobre lembrar você da sua fraqueza, de que você não é perfeito. Você não pode ganhar sempre e no final do dia você tem que cuidar de si mesmo, porque isso é tudo que se tem: você mesmo.

E qual é a receita pra uma melodia tão grudenta?
Não há uma receita. Só cante o que você sente e a cor vai ser aparecer em sua melodia.

Em uma entrevista no Glastonbury, você disse que Patti Smith, Kate Bush, No Doubt e Madonna formariam o line-up perfeito pro festival. Essas são suas maiores influências?
Sim, com certeza.

No final do ano, você já terá tocado nos maiores festivais do Reino Unido, o que eu imagino ser um sonho pra todo mundo. Quais são suas expectativas par esses shows?
Eu nem penso nessas apresentações até chegar no lugar onde vou tocar. Não gosto de criar essas expectativas. Só quero fazer o meu melhor para que as pessoas fiquem felizes. Eu quero valer a pena.

O que você acha que estará fazendo nesse mesmo horário, em 2010?
Working my butt off.

10 jul 2009

Marina and the Diamonds – The Crown Jewels EP

Por Alex Correa @13:52

Marina and The Diamonds é meu novo vício. Mesmo. O pseudônimo foi criado pela lindíssima Marina Diamandis (o ‘Diamonds’ tá explicado?), cantora britânica que iniciou suas atividades no ano passado e, já em 2009, adicionou duas grandes apresentações em seu histórico de shows: O primeiro, em maio, no Big Weekend da BBC e, no mês seguinte, o gigantesco Glastonbury, onde foi escada para o Queen’s Head Stage, no mesmo dia de Dan Black, The Wombats e Noah and the Whale. Até o final do ano, Marina terá passado pelos maiores festivais do Reino Unido, com o iTunes Festival, Bestival, Latitude, Reading e Leeds em sua agenda.

A moça dos diamantes começa a chamar atenção por sua voz marcante, que nos remente imediatamente ao piano-pop de Kate Nash, ao blues de Adele e ao rock recente de Florence Welsh, mas Marina não quer só isso. Em The Crown Jewels, EP que foi lançado na Europa e nos Estados Unidos em junho, ficam óbvias as influências de música eletrônica, mas não veja a cantora como mais uma Little Boots – a ideia passa longe disso.

O maior destaque do mini-álbum é ‘I’m not a Robot’, sem pensar duas vezes. A música é embalada por uma baladinha de teclado, combinada à bateria e aos efeitos agudos que dão um charme à ela, temperos que vestem como uma luva à temática romântica-dramática da letra. Catchy é a palavra certa, imagino, já que nos dois últimos dias ouvi a faixa dez vezes, no mínimo. Saca o clipe (que, vale dizer, não foi gravado para uma propaganda de shampoo):

‘Seventeen’ é de ritmo dançante e, repetindo o feito de sua antecessora, apresenta letras muito pessoais. Depois de escutada com ouvidos atentos, a música não deixa você largá-la e se torna um repeat obrigatório. Nela, a vaga do drama é preenchida pela energia dos Klaxons, que marcam presença – espiritualmente, claro – nesses três minutos de electro-pop-key-rock, que são abertos por uma melodia lo-fi parecia com a música-tema do jogo de Alladin do meu antigo Gameboy (ainda fazem esses jogos?).

A última inédita do álbum é ‘Simplify’, que muda o foco de Crown of Jewels. Trabalhando apenas com vocais e piano, a proposta da canção é exatamente a retratada por seu título: Simplificar. E, de repente, Regina Spektor parece envelhecer uns 50 anos.

Pra fechar bem o disco, um remix que todos os DJs deveriam roubar para seus sets. ‘I’m Not a Robot’, the next big thing, ganha a cara do Friendly Fires nessa edição, somada a um ar de house music.

Crown Jewels fica como um EP para ser ouvido hoje, amanhã, semana que vem e no mês seguinte – e, leia com atenção, mudo de nome se os diamantes de Marina não brilharem na lista de Sounds of 2010 da BBC.

Queen’s Head Stage