26 nov 2010

Empire of the Sun, uma viagem sonora e visual no Planeta Terra

Por  @9:16

As luzes e o cenário que ocuparam o Indie Stage do Planeta Terra Festival no início da madrugada de sábado para domingo já anunciavam que algo não muito convencional ocuparia o palco. Uma introdução com cara de filme de ficção científica e uma projeção espacial no telão acompanharam uma trupe que entrava no palco cheia de fantasias e acessórios extravagantes. Primeiro o baterista, vestido nos moldes de soldados romanos, e o guitarrista, num estilo mais cigano. Mas a grande atração entrou como um rei, ou melhor, um imperador. Luke Steele surgiu nas luzes com seu apetrecho samurai na cabeça e sua armadura, anunciando que havia chegado a hora do Empire Of The Sun.

Foto por danorbit

O show já começou dançante, com ‘Standing on the Shore’, uma das mais conhecidas do único disco da banda. Luke mantia uma pose superior, cantando e fazendo caras e bocas, enquanto as projeções, luzes e danças excêntricas completavam o clima de viagem no espaço. Ficou claro que eles queriam fazer todo mundo dançar, tocando versões mais rápidas e com uma pegada mais eletrônica. Na música ‘Without You’, uma das mais calmas da banda, ele entrou no palco em uma cadeira de rodas. A música começou bem triste mas aos poucos se animou, terminando com todos pulando e Luke se jogando na turma da grade.

Depois disso já estava claro que ele tinha conquistado a plateia e que para o show ser um dos melhores da noite era só questão de tempo. Então veio a sequência que tirou as dúvidas quanto ao poder daqueles loucos que ocupavam o palco. As balançadas ‘Swordfish Hotkiss Night’ e ‘Tiger By My Side’ vieram acompanhadas de mulheres vestidas de peixe (isso mesmo!) e todo o carisma de Luke Steele, que no final “matou” as bailarinas uma a uma atirando com sua guitarra e quebrou-a no chão, no melhor estilo rockstar, jogando os pedaços na pista para algum sortudo levar de recordação.

O show já estava bom o suficiente se acabasse ali, mas ainda faltava a música mais esperada, ‘Walking on a Dream’, que veio no encore, com Luke literalmetne coroado e todos os seus seguidores na pista pulando, cantando e fazendo os falsetes do refrão. Esperava que o show fosse bom, mas realmente me surpreendeu, como também surpreendeu à grande maioria. Ainda deu tempo de um caos de sintetizadores e lasers ocupar o palco, finalizando de vez a grande apresentação, que já deixa saudades para uma próxima vez. O exército do Império do Sol agora tem mais soldados.

24 nov 2010

Yeasayer, união de culturas no Indie Stage do Planeta Terra

Por  @18:35

O primeiro show internacional do Indie Stage aconteceu quando já era noite e com uma banda das mais hypadas do ano. Graças ao segundo disco, Odd Blood, com várias músicas ótimas, o Yeasayer foi uma das bandas mais comentadas e ouvidas de 2010.

O show foi curto e direto, com apenas 10 músicas muito bem tocadas. A famosa “Madder Red” abriu a apresentação com seus ‘uuuu’ sendo entoados pelos mais familiarizados com a banda, e aos poucos os integrantes foram ganhando a confiança do público. A formação intercultural contribui também para um som muito variado e cheio de influências. Falsetes, timbres de reggae na guitarra, percussão e solos de teclado não faltam.

Foto por Raphael Bispo

As músicas eram cantadas pelo frontman Chris Keating e também pelo guitarrista Anand Wilder (que eu olhava e só conseguia ver o Raj do Big Bang Theory), sempre com os backing vocals de Ira Wolf, o baixista grandão responsável pelos falsetes. Um dos grandes momentos do show foi a música ’2080′, que tem um arranjo vocal muito interessante, e só não foi melhor pois o som do baixo estava pouco nítido. A banda mostrava o tempo todo estar muito satisfeita com a apresentação e o público, sorrindo sempre. Keating chegou a revelar que é casado com uma brasileira, pois as brasileiras são as mulheres mais bonitas do mundo. Elas gritaram, invejando a compatriota.

Para fechar o show, veio o parzinho de ouro da banda, “O.N.E”. e “Ambling Alp”. A primeira delas poderia ter sido um pouco mais dançante. O povo estava querendo de se mexer e a versão mostrada ao vivo era bem menos balançada do que a que se ouve no álbum. Talvez um pouco mais de percussão resolveria o problema. Mas no geral, o show foi ótimo e com certeza angariou muitos fãs para a banda e alegrou que já os escutam desde All Hour Cymbals, de 2007.

24 nov 2010

Of Montreal supera expectativas no palco do Planeta Terra

Por  @0:18

Pontualmente às 19 horas, a primeira banda internacional a tocar no Sonora Main Stage dá as caras: of Montreal. E o que esperar de uma banda que, antes mesmo de seu frontman, vem ao público em forma de monstro? Ora, um show repleto de música boa e performances mais do que teatrais. E foi!

A super animada sequência de “Coquet Coquette” e “Suffer for Fashion” abriu a noite, erguendo fãs novos e antigos. Mas, mesmo esta sendo a turnê de seu mais recente álbum, False Priest, o setlist contou com músicas de várias épocas, passando pelo famoso Hissing Fauna, Are You the Destroyer?, de 2007, e The Sunlandic Twins, de 2005.

Na metade do show, a banda nos presenteia com “Sex Karma”. Desta vez, obviamente, sem a presença de Solange Knowles – o que não deixou a música menos interessante. Sob um lindo pôr-do-sol, foi a vez de mais uma dobradinha matadora: “Bunny, Ain’t No Kind of Rider” e “Gronlancid Edit”. No entanto, para muitos, a grande surpresa da noite foi “She’s a Rejector” – e que atire a primeira pedra quem não pulou muito nessa hora!

Para finalizar o excelente show, a banda voltou a apostar em seus hits mais antigos – Heimdalsgate Like a Promethean Cursee a melancólica “A Sentence Of Sorts In Kongsvinger”, que, ao vivo, ganhou peso.  E assim o of Montreal se despede do maior palco e público de sua carreira:

Só valeu, Planeta Terra! Agora, espero que a energia recíproca que rolou durante aquela uma hora de espetáculo, sirva de motivação para o retorno da banda ao Brasil. Quem sabe para um show maior e próprio?

23 nov 2010

Smashing Pumpkins e a chance perdida no Planeta Terra

Por  @16:20

Quando desisti do show do Smashing Pumpkins, pouco antes de “Tonight, Tonight”, fiquei pensando se todos estavam tão frustrados quanto eu. Desde então, li vários elogios por aí de pessoas endeusando tanto a nova banda de Billy Corgan, quanto sua postura de não ceder seu show totalmente aos clássicos e inserir material novo. Até aí, tudo bem. Afinal, Billy, digo, o Smashing Pumpkins está lançando, de tempos em tempos, faixas novas e que integrarão o disco Teargarden by Kaleidyscope, que sairá com 44 músicas. O problema é que, depois de horas em pé, quase às 2 da manhã, vindo de uma sequência matadora com Phoenix e Pavement, eu estava guardando minhas últimas energias para pular e cantar  hits como “1979″, “Stand Inside Your Love”, “Perfect” e “Bullet With Butterfly Wings”, entre alguns outros. Algumas delas até que vieram, mas o desânimo já era maior que a vontade de dar alguma importância à chatice que tomava conta do palco.

Foto: Mahê Ferreira

Depois dos primeiros sinais de que a noite teria muitas das novas músicas – que são, no máximo, ok -, alguns hits-não-tão-hits-assim e experimentações intermináveis dos membros da banda, bastava uma olhada rápida ao redor (pelo menos de onde eu estava) para reparar numa considerável debandada, com muita gente de cabeça baixa e trajando a icônica camiseta de “Zero”. Nem “Bullet With Butter Wings”, em uma versão acelerada e inferior à original, conseguiu reativar os ânimos do pessoal – mas, obviamente, teve quem aplaudisse tudo, desde o solo do baterista, que pareceu durar mais tempo que um discurso do Fidel Castro, até Billy tocando o hino dos EUA em sua guitarra. Pra ser fã, não precisa aturar tudo o que o artista faz com cara boa e fingir que está tudo bem e que tudo é genial. O Smashing Pumpkins perdeu a chance de fazer o grande momento do festival, mas preferiu agradar a poucos e privilegiar um setlist que só engrenou no final, com “Cherub Rock”, “Zero” e “Stand Inside Your Love”. Pena que já era tarde demais.

O cansaço de uma tarde e noite inteira de ótimos shows havia pesado enquanto Billy arrebentava as cordas de sua guitarra, tocava a chatérrima “Astral Planes” e o baterista, que fazia pose de “eu sou o cara” pra quem quisesse ver, batia em um gongo. A essa hora, eu já estava não só pensando que tinha presenciado “Gold Soundz”, “Stereo” (eu sabia que havia algo naquele sorrisinho sarcástico de Stephen Malkmum ao anunciar, ao fim da apresentação do Pavement, “Enjoy The Smashing Pumpkins. Thank You”) e “Lisztomania” ao vivo, como também já estava com a cabeça em um certo show que aconteceria em algumas horas. O show de um certo Sir. Mas isso é papo pra outra hora.

23 nov 2010

Phoenix joga fácil e é celebrado pelos fãs no Planeta Terra

Por  @13:24

Depois da celebração cheia de cores e falsetes de Mika, era hora, finalmente, de esperar o Phoenix e seu show de um dos destaques de 2009 – e assim como na abertura de Wolfgang Amadeus Phoenix, os franceses abriram um dos melhores shows do Planeta Terra com o hino “Lisztomania”. Sim, logo de cara.

Foto: Mahê Ferreira

Daí pra frente o jogo já estava praticamente ganho. Com uma competência técnica absurda, Thomas Mars e banda mandaram hits que eram repetidos em uníssono por boa parte do Main Stage. E apesar da pouca interação com o público, dava pra notar que, pelo menos para os fãs, o Phoenix fez um grande espetáculo – que culminou na dobradinha de encerramento “If I Ever Feel Better”, com seu final cheio de guitarras distorcidas e luzes frenéticas, e, claro, “1901″ e seus “Fold it!”, que foram gritados enquanto punhos cerrados se erguiam em direção ao palco. Lindo.

No final, não teve Daft Punk. Tudo não passou de um boato pré-festival. E nem é como se tivesse precisado, de fato. Em vez disso, Mars subiu na grade, pegou um fio de microfone gigante e fluorescente e se jogou por cima das cabeças e mãos à sua frente e foi levado até uma estrutura, de onde ele pôde agradecer, lá do alto, aos fãs ansiosos por aquele momento. Momento aquele que já tinha valido a pena desde os primeiros minutos da apresentação.

22 nov 2010

Holger coloca todo o mundo pra dançar – e suar – no Planeta Terra

Por  @21:12

O clima era propício e não foi difícil pro Holger entregar o que a indiezada que estava no palco Gillette Hands Up esperava: a trilha sonora ideal para curtir – e aguentar – o calor que se apoderou de São Paulo no fim de semana. Vi pedaços das apresentações de Mombojó e Novos Paulistas, mas a empolgação surgiu mesmo com o quinteto fanfarrão, que parecia ser dono do lugar há tempos e fez o primeiro momento memorável do Planeta Terra, o mais bem resolvido dos festivais nacionais – em praticamente todos os sentidos.

Foto: Mahê Ferreira

Tendo suas músicas cantadas por boa parte do público, os integrantes do Holger pulavam, jogavam cerveja pra cima – e na boca uns dos outros -, trocavam de instrumentos e exalavam disposição e satisfação em tocar as faixas de Sunga, debut recém-lançado. Também mandaram o hitzaço “The Auction”, cantada em coro pela multidão que começava a descobrir o Indie Stage à medida em que o sol ameaçava a deixar o Playcenter. Desde a abertura com “No Brakes” até o fechamento, com “She Dances”, passando ainda por um inusitado cover de “Hey”, do Pixies, a banda aproveitou bem a chance de tocar num festival do porte do Terra e colocou todo o mundo pra suar bicas por trás dos wayfarers onipresentes. Ainda bem que ninguém parecia se importar com isso – e que a cerveja tava gelada.