The Cure – Arena Anhembi (SP – 06/04/2013)

Foto: Marcelo Pereira / Terra

O aguardado show do The Cure finalmente voltou a acontecer em São Paulo, dezessete anos após a última visita de Robert Smith e companhia por aqui. A banda acertou em cheio ao mesclar hits e clássicos cults como “Lullaby” e “Fascination Street” ao longo de três horas e quinze minutos de performance. Infelizmente, o som não ajudou, prejudicando os espectadores acomodados a média distância ou nas laterais do palco. A verdade é que a Arena Anhembi é um dos piores locais para se fazer show em São Paulo, com sua péssima acústica ao ar livre que acaba colocando as bandas em uma verdadeira saia justa.

Outro ponto que sempre me chama atenção é a falta de educação do público que insiste em jogar conversa fora durante o show, fazendo questão de demonstrar que está ali apenas para ouvir grandes sucessos como “Boys Don’t Cry”. Fico imaginando o que leva uma pessoa a pagar um valor X pelo ingresso (se é que pagou), não querer ver o show e ainda atrapalhar a concentração dos verdadeiros fãs. Sempre leio reclamações sobre a elitista pista VIP que separa as pseudocelebridades dos pobre mortais mas confesso que nunca tive tanta vontade de estar lá, perto da banda e longe dos tagarelas.

Quem mais sofreu com o pouco caso do público foram as bandas de abertura, Lautmisk e Herod Layne que, apesar das ótimas apresentações, aparentemente não foram muito bem compreendidas pelas mais de trinta mil pessoas que chegavam ao Anhembi.

Em relação ao set do The Cure, os destaques foram os momentos mais introspectivos (ignorados por boa parte do público), como “Pictures of You”, “Play for Today”, ” A Forest” e “Charlotte Sometimes” (mais lentas que o normal). Talvez o primeiro bis tenha sido o ponto alto do show, com “The Kiss”, “If Only Tonight We Could Sleep” e “Fight”. Uma verdadeira sequência de clássicos góticos que não causam tanto impacto em arenas, é verdade, mas que acerta em cheio os ouvidos dos verdadeiros fãs.

No final, eternos hits como “The Lovecats”, “Close to Me”, “Boys Don’t Cry”, “10:15 Saturday Night” e “Killing an Arab” fizeram a alegria de todos.

Apesar da pouca interatividade entra banda e público, Robert Smith e o The Cure mostram que continuam sendo relevantes, emocionando e divertindo as pessoas em questão de segundos . E olha que a banda não lança um grande disco desde sei lá, 1989 (com Desintegration)? De lá pra cá, vários términos, retornos, grandes turnês e uma certeza: pode ter sido a última vez o grupo se apresentou no Brasil (o próprio Bob Smith não descarta a possibilidade de se aposentar em um ou dois anos). Se isso acontecer mesmo, poderemos dizer que valeu a pena.

Os próximos países sulamericanos a receberem o grupo são Paraguai, Argentina, Chile, Peru e Colômbia.

Setlist:

Open
High
The End of the World
Lovesong
Push
In Between Days
Just Like Heaven
From the Edge of the Deep Green Sea
Pictures of You
Lullaby
Fascination Street
Sleep When I’m Dead
Play for Today
A Forest
Bananafishbones
Shake Dog Shake
Charlotte Sometimes
The Walk
Mint Car
Friday I’m in Love
Doing the Unstuck
Trust
Want
The Hungry Ghost
Wrong Number
One Hundred Years
End

Bis:
The Kiss
If Only Tonight We Could Sleep
Fight

Bis 2:
Dressing Up
The Lovecats
The Caterpillar
Close to Me
Hot Hot Hot!!!
Let’s Go to Bed
Why Can’t I Be You?
Boys Don’t Cry
10:15 Saturday Night
Killing an Arab

  • Mellyna

    Odeio, ODEIO gente que fica conversando durante o show. Só fiquei irritada assim durante o show do Franz no Lollapalooza, em que o som já tava bastante ruim e o pessoal ficava batendo papo gritando ainda por cima.
    Falando em Boys Don’t Cry, nessa hora eu já tinha cansado de ouvir conversa alheia e de sentir cheiro de maconha e fui lá pro final da pista. Depois que eles terminaram a música, muita gente (mas muita gente mesmo) foi embora 🙁
    Fora isso, gostei bastante do show, fã nenhum pode colocar defeito na setlist.

  • Marcos Barreto

    Infelizmente pessoas idiotas estão espalhadas em todos os lugares… Mas foi um grande show! Ficará na memória de muitos!

  • Parabéns pela resenha, a melhor que li até agora sobre este show! Realmente Bob Smith e o Cure realmente escolheram um repertório para matar os fãs do coração, com clássicos e “lados B” de sua discografia que todos nós adoramos! Pena que grande parte do público parecia não conhecer quase nada, e, como foi bem apontado no texto, ficava conversando e atrapalhando os verdadeiros seguidores da banda, que esperaram uma vida inteira por esta apresentação. Não consigo entender esse tipo de gente, que devia era ficar em casa assistindo um DVD ou aos vídeos na internet. Poupariam dinheiro e fariam a vida de pessoas como eu muito mais felizes!

  • Laura

    De fato, os tagarelas também me incomodaram MUITO durante o show, e realmente pensei que eu devia ter dado um jeito de comprar pista vip… Eu não sabia nem tinha considerado a possibilidade da acústica da Arena Anhembi ser ruim e estava culpando a banda pela má qualidade do som. Agora que li essa resenha, sou obrigada a concordar com você.
    Enfim, ótimas considerações em seu texto (:

  • Boris Cabrera

    Foi sem dúvida um dos melhores shows que vi em minha vida!Lembro de sucessos dos 80 que marcaram e depois do show marcam ainda mais minha vida. Estava em êxtase e nem os tagarelas me perturbaram. Curti demais o show e cada centavo.Quem não foi, infelizmente não verá de novo. Sua crítica foi muito inteligente, pena que a acústica não é muito boa e NINGUÉM se preocupa em melhorar isso no Anhembi.Inveja desse cara de 53 anos cantar desse jeito, que voz! Abraços ao amantes do THE CURE!

  • fã que não foi

    é, Mellyna, existe gente medíocre o bastante pra pagar bilhete caro só por causa de uma musica, fottografar e fofocar!

  • L.J.

    “Catch” mexe com meu coraçãozinho!!